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30.10.17

abstinência e sentimento de solidão

Duas coisas desoladoras que toda pessoa em processo de abandono de vício enfrenta: o sentimento de solidão profunda e o fato de achar que ninguém (nem mesmo o terapeuta) está entendendo o tamanho do seu desespero e do seu sofrimento.

Pior que isso? Só quando algumas pessoas sugerem que estamos exagerando e fazendo drama desnecessário. 

Odiava, mil vezes odiava ouvir nos primeiros meses a famigerada frase "o pior já passou". 

Como aquele indivíduo poderia saber? Existe algum manual dizendo que depois do tempo "X" "o pior passa". 

Essa coisa de "pior", como tudo na vida, é bem relativa e algumas pessoas acabam abrindo quadros de depressão, ansiedade e pânico no meio de processo. O seja? "O pior" não tem a ver com tempo, mas com fragilidade emocional e/ou patologias concomitantes. 

Como sempre fui dramática por natureza, temi ser julgada de maneira errada no início do meu processo de abstinência. Eu estava sofrendo MESMO. Eu estava precisando de ajuda, MESMO. Como eu poderia fazer as pessoas entenderem aquilo sem parecer drama? Como resolvi isso?

Pesquisando muito e printando algumas informações para mostrar para os queridos ao meu redor. 

É MUITO importante que o viciado saiba exatamente o que está acontecendo com ele - isso ajuda demais a enfrentar o vício - e é muito importante, também, que amigos próximos, familiares e cônjuges saibam o tamanho da encrenca. 

Imagino que seja exaustivo aguentar o humor instável e as explosões de raiva por qualquer coisa de quem está em processo de abstinência de cigarro. Deve dar vontade de estrangular a gente, eu sei. Deve bater sentimento de impotência. Enfim, todos acabam sofrendo junto -  aproveito o ensejo para agradecer mais-uma-vez-hoje-e-sempre meu boy magia, minha família querida & my friends. #gratidão #amovocês

Sendo assim, venho por meio desta, mais uma vez, apresentar para vocês os famigerados sintomas da abstinência de cigarro

Está parando de fumar e andam dizendo que você está fazendo drama? Printe o conteúdo abaixo e mande com carinho para o sujeito (a). 

Sintomas de Abstinência 

Quando o dependente de nicotina tenta cessar o consumo do cigarro, certamente mostrará sintomas típicos da síndrome de abstinência, caracterizados, principalmente, por:

1) Humor deprimido ou irritável
2) Insônia
3) Sensação de raiva e frustração
4) Ansiedade
5) Dificuldade para concentração
6) Inquietação
7) Redução da frequência cardíaca
8) Aumento do apetite e ganho de peso

Apesar da meia-vida curta da substância nicotina, os sintomas de abstinência podem durar bastante tempo, variando de semanas a meses. Ademais, entre os dependentes, a duração e a característica dos sintomas podem variar bastante.

Além da satisfação conseguida através do fumo e da evitação dos sintomas da síndrome de abstinência, existem outros fatores que dificultam a cessação do consumo de cigarros. Essa substância exerce efeitos na modulação do humor, redução do estresse, redução da dor, controle do peso e melhora cognitiva. 

Dessa forma, o tratamento para deixar de fumar pode ser mais difícil entre pacientes com outros transtornos psiquiátricos (como depressão e ansiedade), preocupados com o ganho de peso e com quadros crônicos de dor. (saiba mais

Bora se ajudar e ajudar quem nos cerca a entender o que está rolando com a gente e procure ajuda de um profissional -  eu não sei o que seria de mim durante essa fase sem a terapia!

Mais do mesmo, porém de forma mais aprofundada, no texto Síndrome de abstinência: como funciona e quanto tempo dura 

monicamontone


imagem: google

20.8.17

noites de terror na segunda semana sem cigarro


Combati as primeiras 72h sem cigarro com faxina e arrumação da casa ininterrupta como narro aqui. A primeira semana passou sem grande sufoco. Já a segunda...

Com aproximadamente 10 dias sem fumar eu, que sempre dormi tarde e sempre gostei disso, fui acometida por uma insônia demoníaca. Sim, porque amar a madrugada e usá-la para trabalhar, escrever e criar é uma coisa, outra bem diferente é estar exausto emocionalmente, querer dormir e não conseguir; não ter concentração para assistir a um único mísero filme, ver o dia amanhecendo e sentir vontade de chorar de cansaço como acontece na insônia. 

O que fazer com noites imensas, gigantes e gordas se meu emocional e minha concentração estavam totalmente embotados? 

Ler? Nem pensar, a dispersão era imensa. Assistir a um filme? A agitação não me deixava parar quieta por uma hora e meia. Responder mensagens? Nunca! Paciência zero para os dramas dos amigos e muita irritação para tratar de trabalho. Dançar? É, dançar funcionou algumas noites, mas nem toda noite eu estava disposta a fazer a Beyoncé na frente do espelho. Cuidar da beleza? Sim, ajudou um dia ou outro, mas nem sempre nosso cabelo precisa de hidratação e nossa pele de máscara de argila.

Well, well, well, a segunda semana sem cigarro inaugurou em minha vida a tragicomédia chamada “noites de terror”. Eu tinha tempo de sobra para fazer o que quisesse durante a madrugada e capacidade emocional zero, vontade zero para realizar e produzir o que quer que fosse. E tome culpa, e tome aflição, e tome tédio, e tome ansiedade, e tome vontade de tomar uma poção mágica e dormir por vários meses seguidos.

Durante o dia eu seguia a mesma rotina: eu acordava, cuidava da pele com afinco para usar o tempo que antes eu usaria fumando um cigarro na janela, fazia o suco anti-cigarro, depois me arrumava, passava um batom vermelho e descia para o café para folhear revistas (porque ler tava difícil, não tinha concentração) e fazer ligações pessoais e de trabalho -  lembrando que eu tinha deixado todo o meu trabalho pronto, textos e relatórios escritos para apenas enviar aos chefinhos e parceiros. 

Pois bem, tomava dois cafés e uma água com gás, comia um pão de queijo e ia para a academia. Continuei com a dobradinha jump + algum funcional ou spinning + algum funcional diariamente.

Empolgada com a dieta low carb ia constantemente ao mercado para buscar vegetais frescos e as Casas Pedro comprar farinhas liberadas, etc e tal.

Vontade de fumar eu não senti. Primeiro porque estava com o selinho de 21mg. Segundo porque enchi meus dias com novas atividades. Cozinhar receitas diferenciadas foi uma delas. 

Gastei boa parte do meu tempo nesse período pesquisando receitas low carb, comprando ingredientes e experimentando receitinhas. Foi uma diversão. Em outro post vou falar exclusivamente sobre a dieta que fiz.

Fiquei explosiva, chata, irritada, nervosa, chorosa, como se estivesse numa TPM permanente. Uma hora queria uma coisa e cinco minutos depois não queria mais. 

As noites de terror eram de puro desespero, muita choradeira, olhos ardendo, vontade de gritar. Mas estava feliz por estar conseguindo manter a dieta, por não ter comido um docinho sequer, por estar malhando, enfim, por estar ¨cuidando de mim¨, da minha casa, da minha alimentação.

Todas as pessoas que pararam de fumar fazendo uso de medicamentos alopáticos -  como a Bupropiona – relatam que não passaram por esse sufoco, todavia optei por: usar selinho de nicotina, tomar floral, tomar homeopatia, meditar, fazer atividade física diária.

Uma das coisas que percebi durante a segunda semana foi que é extremamente importante criar uma nova rotina para que a nossa mente (e nosso cérebro) se sinta menos à deriva. Criar pequenos rituais, mesmo.  Por exemplo, cuidar da pele todos os dias ao acordar, caminhar todos os dias no mesmo horário, comer nos horários de sempre, etc.

O fato de estar me sentindo "no controle do meu peso" e do meu corpo, de não ter "jacado" nenhum dia sequer desde que parei de fumar me alegrava e encorajava -  se estava sendo possível nas primeiras semanas, que são as mais tenebrosas, seria mole manter nos próximos meses, tudo daria certo, eu ia parar de fumar, não engordar e ensinar o caminho das pedras para as pessoas que desejam parar de fumar mas tem medo de engordar.

Só que o tempo me ensinou que as coisas não eram bem assim...

monicamontone 


imagem: google
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