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21.11.17

balanço geral após um ano se fumar

Sim, eu ganhei uns bons quilinhos depois que parei de fumar. Mas será que foi por conta (somente) da retirada das substâncias químicas?

Afinal, nesse meio tempo eu saí de uma dieta ultra restritiva, tive depressão, crises ansiosas, insônia  e estresse (que sabemos, aumenta o cortisol), crises de pânico.

Foram muitos os momentos em que me frustrei, pois não cometi excessos na alimentação e continuei minhas atividades físicas mesmo na fase da depressão.

Pesquisando bastante sobre o tema, encontrei algumas boas respostas para o ganho de peso que acomete 4 de cada 5 ex-fumantes:

1. O metabolismo fica mais lento e passa a queimar menos calorias que antes -  portanto a alimentação de antes, mesmo sendo saudável, não é “queimada” como antes;

2. Uma bactéria que só é encontrada no intestino de pessoas obesas passa a viver no intestino do ex-fumante por tempo;

3. Aumento das porções (repetir o prato) e aumento de ingestão de doces;

Meu desafio, agora, após um ano sem fumar, é não odiar meu corpo. Éagradecer por ele ter atravessado essa jornada comigo, ter sobrevivido à depressão e às crises ansiosas, não ter se viciado no Rivotril e, claro, ter permitido que eu abandonasse a nicotina.

Meu desafio, agora, é olhar com carinho para a bulimia quemanifestei na adolescência -  e que hoje me gera não um Transtorno Alimentar, mas um comer transtornado -  e descobrir o que ela tem a ensinar sobre mim.

É me amar pelo que sou e não apenas porque gosto da imagem refletida no espelho; é me amar pelo que faço, acredito, penso, realizo e não somente pela minha beleza.

Meu desafio, agora, é aceitar que posso não ser perfeita em tudo, mas posso ser perfeitamente banana em tudo que faço; é me perdoar pelos meus erros e ser legal comigo como sou com os outros.

E por fim, perder os quilinhos adquiridos, rarará, porém sem restrições malucas, de forma equilibrada, consciente, comendo intuitivamente.

Ah, claaaaaaro, o principal: me manter firme no propósito de não fumar.

Abaixo uma foto do meu corpo possível, tirada semana passada, num dia de sol no Rio de Janeiro, a caminho da praia.

Como vocês podem perceber, o ganho de peso não foi assustador como algumas garotas acham que pode acontecer se abandonarem o cigarro. 

É chatinho? É chatinho! Minhas mini-saias não estão passando no bumbum, meu rosto está mais redondo e isso me irrita, mas... Hoje em dia ninguém gosta de engordar, mesmo quem não tem Transtorno Alimentar ou alimentação transtornada, todavia não é o fim do mundo e (quero crer!) é perfeitamente contornável. 

No mais, bens meus, estarei fora do Rio por uns dias e até retornar vou manter ativo apenas o Instagram do Parei de fumar e não engordei

Tenho postado todos os dias dicas e reflexões por lá e vou manter o mesmo ritmo durante a viagem, portanto, se você ainda não segue, chegue mais.

Ah, antes que eu me esqueça, o link diário de uma abstinência está bastante completo e conta com toda a minha saga para vencer o cigarro mês a mês, além de boas dicas enjoy.


Au revoir.

monicamontone


meu corpo possível: 12 meses sem fumar, 8kg a mais

das incoerências

Oh, Lord!

Como é que pode caber tanta incoerência num único ser? Por que eu sou tão doida assim?

Como é que consigo achar certas damas curves e plus lindíssimas, como é que faço a campanha ##lindadodia no meu Instagram, mas toda segunda-feira quero quebrar a casa inteira por me sentir mal dentro de um corpo que ingeriu "alimentos proibidos" no final de semana? .

Não tenho começado dietas às segundas-feiras, mas tenho odiado minhas coxas e o peso da minha bunda com todas as minhas forças; tenho me culpado por ter "comido errado" no final de semana e "não estar compensando com malhação dobrada". .

Honestamente não sei o que é pior: se não "fazer nada" para emagrecer e ficar sentindo culpa ou comer pouquíssimo e super limpo como antes, correndo o risco de adoecer. .

Tenho pensado bastante sobre isso e, pensando bem, talvez eu não esteja sendo incoerente, talvez (com certeza!) eu seja apenas MUITO mais dura e severa comigo do que com os outros. .

Taí, quem sabe meu desafio para encontrar um caminho do meio nessa questão alimentação x corpo seja esse: ser tão bacana comigo como sou com os outros. .

Será que consigo me deixar em paz um dia? 

 monicamontone 


sobre recaída

Foram seis tentativas fracassadas de parar de fumar antes de conseguir. 

Mas será que as tentativas anteriores foram, mesmo, fracassadas? 

Claro que não! Foram elas que construíram minha conquista de agora. 

Eis meus ciclos de recaída:

1. Depois de um ou dois meses sem fumar eu acreditava que estava no controle da situação e que podia perfeitamente fumar "somente quando bebia". 

Isso nunca dava certo! Em menos de uma semana já estava comprando maço - viciados de qualquer tipo de droga devem entender que não podem dar uma tragadinha ou um golinho.

2. Qualquer ganho de peso me levava à nocaute, bastava um short ficar apertado para eu ter uma crise de choro e decidir pensar no cigarro depois. .

Ou seja? Os dois fatores me levavam de volta ao vício tinham a mesma raiz: necessidade de controle e incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. .

Portanto eu sabia que para deixar de fumar eu teria que (obrigatoriamente) olhar para essas questões. .
 Além de querer parar de fumar dessa vez EU QUIS me libertar da necessidade de controle e quis investigar a minha incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. 

E tome terapia! Mas não tem jeito, vencer vícios é enfrentar monstros.

Outras lições de recaídas passadas: que yoga ameniza ansiedade, que não se deve dar um mísero trago usando selo ou chiclete de nicotina, que parar "na louca" sem planejamento nem sempre funciona, que o quarto mês é o mais difícil de todos, que é preciso tirar folga ou férias nas primeiras semanas, que chás ajudam na hora da fissura, que no início o humor fica pior que TPM , que insônia e falta de concentração fazem parte do pacote, que atividade física é fundamental para regular o humor e que sim, infelizmente rola uma engordadinha contornável.

O mais importante que aprendi? A não desistir! Quando recaímos morremos de vergonha das pessoas que nos apoiaram, nos sentimos um lixo, um fracasso. .

No entanto É PRECISO ENTENDER que parar de fumar é um PROCESSO e que recair faz parte. O lance é tentar de novo e de novo e de novo. .

Todas as vezes que recaí tive vergonha, mas me perdoei e segui em frente na certeza de que tentaria novamente no futuro.

Recaiu? Dê tempo ao tempo e tente outra vez!

monicamontone 



imagem: google

competitividade feminina imaginária


Estou sentada à mesa de um Café com um body branco sem costas e um short esportivo rosa. Apesar do dia chuvoso faz calor no Rio. .

O Café, na verdade, é uma padaria de luxo onde se come os melhores croissants da cidade, mas como os comi ontem, hoje passo vontade e bebo apenas um chá. .

Uma garota (gordinha) se senta ao meu lado com o namorado. Eles notam a minha presença. A garota que tinha chegado sorridente agora está emburrada comendo seus croissants sem dirigir uma única palavra ao namorado. Sim, o namorado olhou para mim algumas vezes. 

A garota engole seus croissants com manteiga e olha para mim aparentemente com raiva. 

Mal sabe ela que acordei odiando com todas as minhas forças o tamanho das minhas coxas e que me chamei de porca hoje em frente ao espelho somente porque esse final de semana fiz uma farra gastronômica.

Mal sabe ela que fiquei olhando uma garota magérrima - e toda descolada, com look rocker -  que estava no local, pouco antes dela chegar, e que pensei "tenho um vestido parecido, mas não tô entrando nele porque estou imensa". 

Como sou mais magra do que a namorada do idiota que mesmo acompanhado olha para outras mulheres ela deve achar que minha vida é perfeita. 

Ela deve estar sentindo culpa por estar comendo carboidrato enquanto eu bebo chá. Ela deve achar que eu sou mais magra do que ela porque não como croissant. Ela deve achar que o idiota ao seu lado olha para outras mulheres porque "ela é uma porca que come carboidrato". 

Até quando vamos estragar os nossos rolês por conta de competitividade imaginária e suposições delirantes acerca da vida alheia? 

O ciúme do boy é ciúme dele, de fato, ou medo de que ele considere alguém melhor? 

Até quando vamos achar que a beleza de outra mulher é uma ameaça para nós? 

E por fim, até quando vamos permitir que comportamentos desrespeitosos e deselegantes como o do rapaz funcionem como ratificação de menos valia? 

monicamontone 


imagem: google

a decisão de parar de fumar

Mas Mônica, por que você parou de fumar se você gostava tanto?! .

Para o meu espanto ouvi essa pergunta de fumantes e ex-fumantes várias vezes. .

Gente! Para! Parar de fumar não é o mesmo que cortar o glúten para dar uma enxugadinha ou parar de tomar café para não estragar o clareamento do dente. .

Não é o mesmo que fazer uma escova progressiva ou colocar unhas postiças. .

Parar de fumar não é o mesmo que escolher fazer mechas no cabelo ou não, usar um look minimalista ou rocker. .

Parar de fumar não é uma questão estética que podemos ou não experimentar. Fumar mata! .

No Brasil, "segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de mulheres possuem o vício de fumar, sendo que o cigarro é responsável pela morte de 40% das mulheres brasileiras com menos de 65 anos". (Jornal O Cruzeiro) .

E morrer não necessariamente tem a ver com um ataque fulminante do coração, meu povo: ficar inválido sobre uma cama, totalmente dependente de alguém e sentindo dores é uma possibilidade bastante real para quem fuma há anos e sequer pensa em parar. .

Quase ninguém conta com uma doença debilitante decorrente do tabagismo.

Bem na verdade quando somos fumantes cagamos e andamos para essas estatísticas, achamos que elas não vão nos alcançar. Mas quem é que pode garantir? .

Por que eu parei de fumar? Adoraria dizer que foi por conscientização disso tudo, mas não foi. Os motivos reais foram 2: .

1) o cigarro não combinava com meu estilo de vida há tempos; 2) necessidade de libertação de todas as amarras. Ou seja, foi um movimento interno. .

Você que ainda fuma: já parou para se perguntar por que ainda se mantém ligado a essa muleta? 

monicamontone 





imagem google

sobre blogueiras e musas fitness

Um dia vou entender por que nós, humanóides, temos a necessidade insana de anular, neutralizar, desmerecer, julgar e criticar quem está do lado oposto ao nosso (leia: quem pensa e age diferente). .

A Psicologia dá conta de que esse comportamento tem a ver com a sensação de ameaça que "o diferente" desperta. Ou seja, seria uma necessidade inconsciente de autopreservação e autoafirmação. 

Mas gente, peraê! Não é porque decidimos repensar nosso comportamento alimentar e nos demos conta de que A NOSSA relação com a comida não estava saudável, por exemplo, que TODA E QUALQUER pessoa que faça dieta seja idiota; que toda pessoa dita fitness seja doente emocionalmente.

O que temos a ver com o Whey alheio? O que temos a ver com o pão de farinha de coco de João? Ou com a necessidade de Maria de correr 10km por dia ? .

Nem todo mundo que controla alimentação e faz atividade física diária tem dificuldade de autoaceitação e/ou sofre de algum transtorno alimentar, meu povo. 

Quem tem que saber se a alimentação e os treinos do coleguinha ao lado podem estar trazendo prejuízo para a saúde física e emocional dele é ele, ora bolas. 

Tenho visto alguns perfis sobre Comportamento Alimentar super agressivos, que ridicularizam os adeptos do mundo fit chamando-nos, por exemplo, de lunáticos. 

Como podemos achar o-cúmulo-do-absurdo falarem mal da Rihanna porque ela engordou e super natural criticar os músculos, a paranoia, o photoshop e a magreza das musas fitness? .

Alôu! Trata-se da mesma coisa: invasão de privacidade, deselegância, falta de educação, julgamento e preconceito. .

Deixa as mina. Deixa os fitness. Deixa as plus. Deixa as curvy. Deixa nóis. Deixa o povo todo em paz. .

O que o outro faz com o seu corpo e sua saúde não é problema nosso, nem mesmo quando este outro faz campanhas duvidosas sobre alimentação e acaba promovendo a ortorexia: basta não seguir. .

Basta não seguir e militar pelo que acredita ser o melhor e mais bacana. Não é preciso ofender ninguém. .

Lembre-se: sua relação ruim com a comida não vai se resolver se você chamar de "ridículo" ou "lunático" quem não come carboidrato e corre todos os dias. 

monicamontone

 imagem: sara shakeel

body positivity


Mas gata, eu não tô entendendo! Você é magra, tá reclamando de quê? 

E por que diabos está falando sem parar de body positivity no seu Instagram?

Outra coisa, você é ovo-lacto-vegetariana, come super saudável, nem costuma jacar.

Tá, você teve uma passagem breve por um quadro de bulimia na adolescência, mas não chegou a desenvolver o transtorno.

Não tô entendendo sua question. 

Well, vamos lá:

Yes, sou magra, mas engordei 8 quilos nesse um ano sem fumar.

Para além da questão estética, eu me sinto mais cansada do que antes nas atividades aeróbicas e minhas roupas de outrora têm me deixado parecendo uma linguiça de tão arrochada que fico nelas. .

Ok, não desenvolvi o transtorno alimentar, mas não tenho uma relação 100% saudável com a comida - sinto culpa quando como doce e me cobro nunca sair do peso. .

O body positivity, bem, a proposta me parece encantadora, uma vez que vivemos em guerra com nosso corpo (quando não é o peso é o cabelo, quando não é o cabelo é o dente, o nariz, o tamanho do peito, etc) e se faz urgente praticarmos a autoaceitação. 

Portanto creio que "positividade corporal" é o que todos nós precisamos: olhar com mais amor e carinho para essa máquina incrível que nos leva de cá pra lá todos os dias.  Basta uma gripe forte ou uma perna quebrada para percebermos como DE FATO ter saúde é o que realmente importa.

Penso que temos que aprender a (re)treinar a nossa mente para o amor à diversidade estética, para a beleza além dos limites e dos padrões - somente assim vamos parar de guerrear com nossos corpos e com o julgamento desnecessário ao corpo alheio. .

Question: até quando a insatisfação com a nossa imagem vai dar dinheiro para a "indústria da beleza"? 

Quanto a ser ovo-lacto-vegetariana e comer suuuuuper saudável e não "jacar"... rá rá rá.

Sim, como super bem, não abro mão de legumes, hortaliças, frutas e grãos, amo saladas bem temperadas e sopinhas, mas sou LOUCA por batata frita, bolinha de queijo, pastel de queijo de feira, macarrão, coca-zero, brigadeiro, saquê e champanhe. Eu apenas não como nenhum tipo de carne, mas o resto? Tamuaí na atividade.

Se ainda não entendeu, tranquilo! Nem eu me entendo às vezes.

monicamontone


imagem: google

por que parar de fumar engorda


Finalmente um profissional que não fica apenas no blábláblá de que "o paladar e o olfato melhoram e a pessoa passa a comer mais depois que abandona o cigarro"; finalmente o famoso "quem para de fumar desconta a ansiedade na comida" deixou de imperar.

Ok, essas duas explicações são procedentes, porém o principal fator para o ganho de peso ao deixar o cigarro é outro: o metabolismo desacelera.

Palavras do médico Ciro Kirchenchtjn:

"Quando pessoa fuma ela aumenta o monóxido de carbono e isso aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial (o que não é bom); aumenta a adrenalina no sangue e isso aumenta o metabolismo (aumentando o metabolismo a pessoa queima mais). Se a pessoa para de fumar ela diminui sua adrenalina, sua necessidade calórica diminui então SE ELA MANTIVER SUA DIETA ELA VAI ENGORDAR". Assista ao vídeo abaixo.

Eu não passei a comer diferente depois que parei de fumar, não passei a beliscar o dia todo, não me joguei nos doces, continuei minhas atividades físicas. .

Então de onde estavam vindo aqueles quilinhos? Da dieta DE SEMPRE - e quando digo dieta, aqui, estou querendo dizer modelo alimentar seguido.

Obrigada doutor Ciro Kirchenchtjn por esclarecer. 

E agora, José? O que a gente faz com essa informação? Abandona o projeto da alimentação intuitiva e parte para um pequena restrição e/ou controle de calorias? .

E agora, José, que no meu caso a retirada da nicotina + restrição alimentar levou à depressão? .


monicamontone 



quero parar de fumar, e agora?

Como já disse outras vezes por aqui, estou na minha sétima tentativa de abandonar o cigarro.

Aprendi muita coisa em cada recaída e credito meu sucesso de agora a duas coisas:

1. Ao que cada recaída me ensinou (vou falar sobre isso em outra postagem)

2. Ao desejo de ser a melhor versão de mim.

Pela primeira vez eu não quis apenas parar de fumar por este ou aquele motivo. Eu quis me tornar uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, mais madura, mais segura, mais real, mais saudável, livre de qualquer vício ou amarras e o cigarro, definitivamente, não combinava com a nova versão que eu queria ser. .

Evidentemente eu não imaginava que a busca por essa nova Mônica fosse me trazer tanto sofrimento, mas todo crescimento envolve uma certa parcela de dor, não é mesmo? .

Enquanto eu quis parar porque "era o certo a fazer", "era o melhor para a minha saúde", "era o melhor para a minha pele e dentes", eu não consegui. .

Todo fumante carrega consigo um alter-ego de rebeldia e fazer algo "porque é o que deve ser feito" não é compatível com esse alter-ego, tampouco o convence e aí mesmo é que ele junta forças com outras instâncias do nosso ser para impedir "que nos tornemos uns bundões". .

É preciso que haja um querer SINCERO e PROFUNDO de crescimento pessoal para se abandonar qualquer tipo de vício. .

Somente quando queremos profundamente nos tornar a melhor versão de nós mesmos é que juntamos energia, força e argumentos sólidos para amansar nosso alter-ego e demais instâncias do ser que desejam a manutenção do vício.

Quer parar de fumar SINCERAMENTE?

Comece se perguntando o motivo real e inicie um planejamento.

Vá se aproximando da ideia primeiro! Tente imaginar como seria a vida sem cigarro e, principalmente, tente se lembrar quando, onde, como e por que exatamente começou a fumar.

Você sabe qual emoção te levou para o cigarro?

Necessidade de aceitação? Fuga? Timidez? Autoafirmação? Solidão? Essa emoção ainda hoje está presente? .

Tire dez minutos do seu dia para sentar, respirar, se conectar com suas emoções e REPENSAR sua relação com o cigarro desde os primórdios, o que ele simboliza HOJE para você.

E boa sorte! 

monicamontone 


imagem: google

trident rosa: melhor amigo da fissura

O melhor amigo do ex-fumante (e de quem sofre de compulsão por doce) é o Trident rosa de tutti-frutt. .

E não, caro amigo e cara amiga leitora, não se trata de colocar um chicletinho na boca e ficar mascando educadamente. .

Para que o chicletinho rosa aplaque "o desespero da boca" proveniente de um aperto no peito e de uma vontade absurda de gritar é preciso mascar um pacotinho inteiro em poucos minutos. .

Na fase mais aguda da abstinência eu colocava um chiclete na boca, chupava todo o docinho em três ou quatro mastigadas, abria um novo e colocava o anterior no papel da goma recém aberta agindo assim até acabar o pacotinho com cinco unidades. .

Cheguei a baixar três pacotinhos de uma só vez  em diversas situações ( escrevendo, lendo, falando ao telefone, vendo TV, etc). .

Ainda continuo atacando as gominhas rosas e sem açúcar, porém com menos frequência e em menor quantidade. .

Diferentemente dos chicletes de hortelã, o Trident de tutti-frutt não incomoda na boca e é super docinho, o que ajuda a aplacar um cadinho a vontade de doce. .

Experimente.

monicamontone


os benefícios da banana

"Onde eu estava com a cabeça para deixar de comer, POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE o alimento que mais amo no mundo: banana? .

Sempre fui louca por banana e antes de iniciar uma dieta restritiva e ficar obcecada como fiquei, comia o fruto quase que diariamente sem qualquer problema (e sem engordar). .

Para pessoas com perfil compulsivo, dietas que restringem o consumo deste ou daquele grupo alimentar podem ser um perigo: a compulsão pode ser deslocada para a obsessão de alcançar cada vez mais os melhores resultados levando com isso à restrições severas (meu caso!).

Ao ser questionada se não prefere o corpo de quando tinha transtorno alimentar a linda Mirian Bottan  -  uma das primeiras a falar franca e abertamente sobre Transtornos Alimentares nas Redes Sociais -  costuma responder que prefere a vida que tem hoje. 

Eu prefiro a vida que estou construindo agora, mas também prefiro meu corpo de antes de parar de fumar (8kg mais magro e mais enxuto). .

No entanto, poder comer uma banana amassada com mel e aveia não tem preço. 

Banana é vida! Banana é ótimo para regular o humor, excelente para quem deixa de fumar.

E nenhum alimento consumido de forma moderada engorda.

Creio que aos poucos vou reaprender a dosar minhas porções e que vou passar a comer somente quando sentir fome. Assim que isso acontecer eu naturalmente vou eliminar os quilinhos que ganhei nesse período de um ano, mas sem sofrimento ou paranóia. .

Sobre os benefícios da banana:

1. Regular o intestino, devendo-se consumir banana bem madura em casos de prisão de ventre e banana mais verde em casos de diarreia;

2. Diminuir o apetite, pois aumenta a saciedade e é rica em fibras;Evitar cãibras musculares, por ser rica em potássio e magnésio;

3. Reduz a pressão arterial, pois é rica em magnésio;

4. Melhorar o humor e ajudar a combater a depressão, pois contém triptofano, um aminoácido que participa da formação hormônios que melhoram o humor e ajudam a relaxar;

5. Fortalecer o sistema imunológico e prevenir doenças, por ser rica em vitamina C;

6. Melhorar o metabolismo do colesterol e dos carboidratos, por ser rica em manganês;


7. Ajudar a controlar o colesterol e prevenir câncer intestinal.

(fonte

monicamontone


imagem: google

5.11.17

um ano sem fumar x projeto parei de fumar e não engordei

Mas Mônica, peraí, tem duas coisas que não estão batendo nessa história toda:

1. Você conta aqui uma história de superação, porém de muito sofrimento, também, com crises ansiosas, depressão, etc. É assim que você pretende incentivar as pessoas a parar de fumar

2. Se você acabou tendo um ganho de peso (quem não te conhece nem percebe) por que manteve o nome “parei de fumar e não engordei”? Você engordou, ué!

Vamos lá. Em primeiro lugar o foco do projeto não é incentivar a interrupção do tabagismo. Se isso acontecer, claro que vou ficar feliz, mas sei que a decisão de parar de fumar é extremamente particular e está relacionada a uma série de questões emocionais. E sei, também, que cada pessoa é um universo e por isso enfrenta seus monstros a seu modo: meu processo de abstinência jamais será igual ao de outra pessoa, mas pode conter informações valiosas, que acabem ajudando de alguma maneira.

Quase ninguém para de fumar apenas para ganhar saúde economizar uns trocados. Em geral, as pessoas param porque tiveram um problema de saúde sério e não tiveram escolha; porque não eram viciadas e enjoaram ou porque se encontram numa fase de vida que clama por mudança (interna e externa). No meu caso, por exemplo, havia um desejo pungente de libertação - daí a necessidade de me libertar de todos os meus vícios (emocionais e materiais como o cigarro).

Quando eu era fumante dava de ombros para as estatísticas assombrosas de doenças provenientes do fumo. Saber que o cigarro mata aproximadamente 800 mil pessoas por ano só no Brasil não me dizia absolutamente nada. No entanto, todas as vezes em que tentei parar de fumar (foram seis antes desta) busquei desesperadamente um eco -  precisava saber que outras pessoas passaram pelos mesmos tormentos para acalmar minha alma em brasa.

E foi pensando exatamente nessas pessoas que estão com a alma em brasa, enfrentando os primeiros dias ou meses de abstinência, que criei o projeto #pareidefumarenãoengordei- teria sido um balsamo para mim, por exemplo, saber que o quarto mês é considerado o mais difícil de todos; que a depressão pode acontecer, etc, etc, etc.

Ou seja, minha ideia é oferecer ferramentas para que as pessoas que deixaram o vício se mantenham fortes em seu proposito. Mas é claro que se meu trabalho de formiguinha incentivar uma única pessoa que seja a largar o cigarro vou dar pulos de alegria.

Sobre o nome do projeto, bem, todas as vezes anteriores que parei de fumar fiz exatamente essa busca no Google: “parar de fumar e não engordar”, “parei de fumar e não engordei”. 

Infelizmente, a grande maioria de mulheres tabagista não deixa o vício por medo de engordar. 

Quem sabe repensando comigo essa questão, aprendendo a entendê-la melhor e de maneira mais aprofundada, esse medo acabe e ceda lugar à coragem?

Portanto a ideia do #pareidefumarenãoengordei é oferecer ferramentas de pesquisa para quem atravessa a fase de abstinência (ou deseja parar de fumar) e propor uma nova reflexão acerca da nossa autoimagem e do nosso medo de engordar.

No meu caso, descobri nesse um ano sem fumar que não foi possível parar de fumar e não engordar, mas que o ganho de peso que tive não foi avassalador e que posso perdê-lo, contorna-lo.

Compreendi que o corpo demora um tempo para metabolizar todas as mudanças e que a tendência é emagrecer naturalmente e sem grandes esforços depois de um ano -  foi o que aconteceu por exemplo com as belas Juliana Paes, Gisele Bundchen e Jeniffer Aniston.  Gisele chegou a engordar quase sete quilos!

O que tem me interessado no momento em relação a essa questão é entender por que nos maltratamos tanto quando o assunto é o nosso corpo e nossa autoimagem? 

monicamontone



foto: um ano sem fumar, 7 kg a mais e sorrisão de quem conseguiu! 

11 meses sem fumar: recobrando a autoestima perdida


Logo no primeiro mês sem fumar tive a ideia de criar o projeto #pareidefumarenãoengordei, porém não conseguia sentar para escrever uma linha sequer. A concentração nos primeiros meses sem cigarro realmente fica zoada.

Todavia, fui anotando pautas, guardando links de pesquisas, fazendo rascunho de alguns possíveis textos.

Só consegui montar o blog do projeto com nove meses sem fumar. Antes desse período, devido a todas as reviravoltas que passei (depressão, crises ansiosas, viagens, etc) não foi impossível. Mas apesar de criar a página, não me senti confortável para divulga-la.

Continuei sua construção de maneira silenciosa, sem exigir nada de mim: escrevia quando e se tivesse vontade.

E o tempo foi passando. E eu fui recobrando cada vez mais a minha rotina e a minha vida. Depois dos 10 meses sem fumar, escrever, por exemplo, já não era tão difícil. As crises ansiosas cessaram. A depressão começou a se despedir.

Com 11 meses sem fumar eu retomei o sentimento de importância e orgulho pelo meu feito! Sentimento este que no pico da depressão desapareceu por completo.

Vislumbrar a aproximação dos 12 meses, do grande feito “UM ANO sem fumar, sem recair, sem tragar nada”, me trouxe uma alegria sincera e restaurou a minha fé e autoestima.

Sim, eu engordei. Cheguei a engordar 8 kg ao longo dessa jornada -  o que me frustra bastante (falei sobre, aqui). Mas quer saber? Estou orgulhosa de mim!

A garota mais cheinha da foto abaixo foi a mesma que venceu dezenas de crises de ansiedade generalizada, que buscou todas as ferramentas possíveis e imagináveis para lidar com sua abstinência e depressão sem fugir do que ela acreditava, que aprendeu a pedir e a aceitar ajuda, que venceu um vício terrível em que 97% das pessoas que tentam fracassam.

Sim, a garota do da foto está mais cheinha, no entanto o que são uns quilos a mais perto da paz que ela finalmente vem recobrando depois de tudo que ela enfrentou? 


monicamontone







foto tirada com 11 meses sem fumar e 7kg a mais 

o dia em que eu chorei por causa de um boomerang

Se o Instagram e o Facebook não existissem eu teria chorado após me sentir (vir) gorda no Boomerang?

A resposta sociocultural eu não sei, mas a minha pessoal não tenho dúvida: não.

Acordei num dia de good hair, ô glória! Com os cabelos anelados ao modo e gosto da chefe: volume e textura no ponto. 

Coloquei um vestido rosa vibrante, passei um batom vermelho e amei a imagem que vi no espelho.

Comi uma salada de frutas + um chá de limão com gengibre de café da manhã e depois fui conhecer o comércio local. Acabei comprando um biquíni nude de veludo molhado maravilhoso. Enquanto experimentava, uma senhorinha que entrava na loja disparou "ficou lindo em você porque seu corpo é ótimo". Oba, quem é que não não gosta de um elogio gratuito, né?

Almocei uma super salada com tapioca e ovos mexidos, escrevi um texto interessante - sobre nossa relação com o ganho de peso alheio - e me senti extremamente satisfeita comigo e com o mundinho ao meu redor.

A paisagem tropical-cinza tinha uma contradição pungente. "Gosto de praia com céu cinza, gosto mesmo".

Eu estava na companhia do meu grande amor, o cabelo havia amanhecido bom e eu tinha parido um texto lúcido e bem escrito.  O que mais eu poderia querer? A comida estava boa, a música também. O cenário perfeito. 

Teve até comprinha do biquíni (ô coisa boa) naquele dia. Mas de repente...

De repente não mais que de repente eu tive a brilhante ideia de fazer um Boomerang. Mais que isso, resolvi postar um Boomerang no Instagram. 

Quatro vizualiações e duas curtidas depois, printei  e... Cabum! A bomba explodiu.

Que barriga era aquela? Fiquei completamente transtornada, irritada, mal humorada, grosseira. 

Corri para olhar a foto que tirei usando o mesmo vestido só que na época em que ainda fazia reposição de nicotina. A diferença era gritante, berrante.

Tirei o Boomerang do ar. Abri o berreiro.

E o Boomerang era tão divertido! Era a lembrança de um dia tão bom!..

Só parei de chorar depois que sentei para escrever esse texto.  Só parei de chorar quando me dei conta de que meu dia estava ótimo e que eu estava me sentindo linda antes do maldito Boomerang.

Foram quase 40 minutos de negociação com a minha mente adoecida para que ela não estragasse meu dia por completo, para que ela percebesse que eu estava feliz e tendo um dia ótimo apesar da barriga estar maior que o normal, apesar de estar atravessando um momento que quase todos experimentam ao deixar de fumar  e que cedo ou trade ia retomar "a forma original".

Pergunta que não quer calar: nos incomodamos com o nosso peso (corpo) ou nos incomodamos com o peso do olhar (crítica/julgamento) do outro? 

Sim, porque antes de postar o Boomerang meu dia estava pleníssimo. Ou sou a única a experimentar esse tipo de doidice? 

E quem será esse outro, afinal, uma vez que as pessoas que me cercam estão me achando linda do jeito que eu estou e me amam do jeito que eu sou? Se as pessoas que me amam estão vibrando com minha conquista de ter parado de fumar sem atentar para os efeitos colaterais disso?

Por que associo sem querer quilos a mais com afeto de menos?

texto escrito no celular, na praia do Francês/junho

monicamontone 









print do Boomerang que me fez chorar (é muita loucura, não?)

8 meses sem fumar: encarando o medo de engordar

Entre o sétimo e o oitavo mês sem cigarro eu deixei a casa do meu em SP e voltei para o Rio. Ainda não me sentia apta a retomar minha vida por completo. As crises ansiosas tinham dado um descanso, estavam cada vez mais espaçadas, mas uma leve depressão ainda latejava em mim.

Estava desesperançada, sem entusiasmo, empurrando os dias com a barriga. Estar novamente na minha rotina depois de quase 3 meses queria dizer, entre outras coisas, cuidar da casa, da minha alimentação, das minhas contas, dos meus contratos de trabalho, etc, etc, etc e eu definitivamente não me sentia preparada para nada disso.

Um desanimo total me pregava à cama. Naquela altura eu já tinha conseguido voltar a ler e passava os dias na cama ora lendo, ora pesquisando coisas na Internet, ora chorando, sentindo pena de mim, sem saber que rumo tomar. Só não deixava de ir à academia. 

Para que eu não regredisse na melhora quando regressei, meu namorado tirou uns dias de folga e me levou para um dos lugares que mais amo nessa vida: Visconde de Mauá. Sou uma mocinha urbana apaixonada pelos grandes centros, mas não vivo muito tempo sem o cheiro de terra, banho de cachoeira, som de grilo e passarinho.

Passamos dias de lua de mel deliciosos por lá, andei descalça sobre a grama fresca, peguei fruta no pé; cozinhamos, namoramos, rimos, andamos a cavalo. Mas nada disso impediu que eu não tivesse uma crise ansiosa fortíssima no meio de uma madrugada - encafifei que minha mãe ia morrer e chorava sem parar, só sosseguei quando liguei para a pobre no meio da madrugada, depois de andar uns bons metros para conseguir sinal no celular. Oh, lord.

Felizmente, aquela foi única crise em dez dias. Fiquei feliz em constatar que as crises estavam indo embora.Ufa, era a glória. 

De Mauá fomos para Alagoas e passamos um bom tempo por lá. Mas se as crises ansiosas estavam começando a dar no pé, se a depressão começava a evaporar, as paranoias relacionadas ao ganho de peso (estava com 6 kg acima do peso inicial) chegaram com força total. 

Odiava meu corpo com 6 kg mais com todas as minhas forças e às vezes chorava em frente ao espelho quando ia me arrumar para sair. Sentia-me horrorosa e pior, sem cabeça e energia alguma para começar algum modelo alimentar restritivo que me levasse a perda de peso. Nunca, desde os meus 17 anos, eu tinha perdido tanto o controle sobre o meu peso e aquilo me assustava enormemente. 

Foi então que compreendi que não poderia mais fugir do meu transtorno alimentar -  que migrou da bulimia ( na adolescência) para uma quase ortorexia (fase adulta). 

Por quê? Por que simplesmente eu não conseguia me parabenizar pelo feito incrível de ter parado fumar

Por que eu tinha sempre que inventar uma forma de me punir? O que meu corpo tinha a ver com aquilo tudo?

monicamontone

foto tirada em Alagoas. foto que me fez chorar litros por conta do tamanho das minhas coxas.


a importância de criar novos rituais ao parar de fumar

Criamos rituais para quase tudo o que fazemos e esse comportamento automático (e muitas vezes inconsciente) tem a função de gerar códigos para que nossa mente entenda o que desejamos fazer.

O ritual de acordar, por exemplo, cada um tem o seu, mas caso acordemos atrasados para um compromisso e deixemos de cumprir alguma etapa do "ritual acordar" sentimos que o dia demora a engatar, ocorre uma sensação de dispersão e atordoamento, não é mesmo?

Fumantes pesados (como fui) costumam incluir um ou dois cigarros no meio do ritual de despertar. E fazem isso por anos a fio.
 
Como acordar então, sem parte do ritual? Como fazer a nossa mente entender que acordamos? 

Criando um novo ritual! 

No começo a mente vai chiar, não vai entender bem o comando e só de pirraça vai ofertar atordoamento e dispersão aos baldes, mas com tempo tudo se ajeita - li outro dia que a nossa mente precisa de 21 dias para criar um novo hábito. 

Eu, que sempre fumava ao acordar -  e enquanto fumava checava emails e redes sociais - passei a usar esse tempo da manhã para cuidar da pele do rosto e me alongar. Sempre achei o máximo as garotas disciplinadas que lavam o rosto com sabão neutro em movimentos circulares, depois passam tônico, protetor solar e bbcrem logo pela manhã.  Pois bem, me tornei uma delas! 

Outra mudança? 

Mudei por um tempo de Café. Sempre amei ler e escrever em Cafés e quase todos os dias eu ia para o "meu escritório, um bistrô charmoso com mesas ao ar livre e liberado para o fumo. Porém, percebi que bastava me sentar na "minha cadeira" para uma ansiedade tremenda me queimar no peito. Parei de frequentar o "meu escritório" por um tempo e acabei descobrindo lugares ótimos nas redondezas. 

Portanto, fica a dica: fumava sempre que sentava no canto x do sofá? Não sente no canto x; fumava antes de dormir? Crie um hábito que só fará antes de dormir (que tal chá?).

Detecte todos os rituais que fazia com o cigarro e coloque um novo (e mais saudável) hábito no lugar dos que puder. 

Se faz necessário a criação de uma nova rotina quando paramos de fumar, não tem jeito. A boa notícia é que depois de alguns meses conseguimos retomar alguns prazeres antigos, mas sem ansiedade - eu, por exemplo, voltei a frequentar meu escritório e já não fico mais agitada quando me sento "na minha" cadeira. Viva!


monicamontone


foto: minha nova mesa de trabalho. 
antes tinha cigarro e cinzeiro cheio, agora tem chá e chiclete sem açúcar

ondas de terror: ansiedade generalizada

Ao longo de minha vida tive algumas poucas crises de pânico. Em geral, elas seguiam a mesma cartilha de sintomas: falta de ar, sensação de perda de controle das emoções e dos pensamentos, dor no peito, falta de força nas mãos, formigamento nos lábios e nos braços, medo de morrer, medo de ter um enfarte, medo de ter um derrame, medo de ficar louca, medo,medo, medo. 

No entanto, elas sempre aconteceram em épocas bastante distintas e nunca se repetiram no mesmo período, por este motivo não posso dizer que tenho/tive Síndrome do Pânico -  as crises que tive caracterizam-se como "episódio de pânico" e/ou "crise ansiosa generalizada".

O último episódio de pânico que tive aconteceu um mês antes de eu parar de fumar e um dia antes da estreia de um monólogo que escrevi e apresentei num encontro literário - quando a apresentação acabou nem eu mesma acreditava que tinha conseguido, pois na noite anterior tinha aberto uma crise de pânico e ido parar no hospital.

Foi no fim do terceiro mês sem cigarro para o quarto mês (mais ou menos a mesma época em que parei de fazer reposição de nicotina ) que tive pela primeira vez o que chamei de “onda de terror”. 

Eu não estava tendo uma crise de pânico, pois não achava que ia morrer, tampouco estava com qualquer desconforto físico, mas de repente, sem qualquer motivo, comecei a chorar no meio da madrugada e a pensar milhões de desgraças (que meus familiares iam morrer, que eu ficar sem trabalho e seria despejada do meu apartamento, que meu namorado ia morrer, etc, etc, etc). 

Meu namorado ficou tentando (sem sucesso) me acalmar até o dia amanhecer. Não adiantava ele me dizer que todos da minha família estavam bem de saúde, eu tinha uma certeza absoluta de que alguém morreria. Não adiantava ele me mostrar as boas perspectivas profissionais do ano, eu tinha a mais plena certeza que tudo daria errado e eu ficaria sem dinheiro algum e assim por diante.

O tempo foi passando e a insônia foi avançando. Quanto menos eu dormia, mais tempo eu tinha para vivenciar “ondas de terror” e pouco a pouco elas foram me engolindo: passei a evitar assuntos, pessoas e lugares que pudessem me deixar ansiosa por este ou aquele motivo; passei a adiar decisões, porque qualquer ansiedade mínima -  inclusive por coisas boas – podia ativar uma “onda de terror” em mim.

Foram quase cinco meses de ondas de terror. No início elas duravam mais de uma hora e podiam se repetir durante o dia. Depois foram perdendo a força, aparecendo duas ou três vezes por semana, até que para minha total alegria e gratidão desapareceram completamente.

Mais tarde, pesquisando sobre transtornos ansiosos, descobri que “as tais ondas de terror” eram muito semelhantes aos sintomas de TAG (transtorno de ansiedade generalizada):

O transtorno da ansiedade generalizada (TAG), segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle, que perdura por seis meses no mínimo e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

É importante registrar também que, nesses casos, o nível de ansiedade é desproporcional aos acontecimentos geradores do transtorno, causa muito sofrimento e interfere na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional dos pacientes.

Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Além dos já citados (inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular) existem outras queixas que podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, náuseas, aperto no peito, dores musculares. (Drauzio Varela

O diagnóstico de TAG só pode ser fechado após seis meses de sintomas manifestados, por este motivo não recebi tal diagnóstico.

Geralmente os médicos indicam Fluoxetina X Rivotril para o tratamento de ansiedade generalizada, porém, após escutar inúmeros depoimentos sobre estes medicamentos resolvi optar por tratamentos alternativos: terapia, homeopatia, acupuntura e meditação -  mas não consegui escapar completamente do Rivotril, precisei adminstrá-lo em alguns momentos para a minha total insatisfação  -  falei sobre isso aqui

Escolhi um caminho mais longo para enfrentar minhas ondas de terror, foi bastante sofrido, mas consegui contorná-las. Não teria conseguido sem a terapia! A terapia me ajudou a identificar os gatilhos emocionais das minhas crises e a freá-las antes que iniciassem. 

Hoje, quando olho para trás e me lembro de todo o terror que vivi, do medo (sem qualquer conexão com a realidade) avassalador que experimentei, da sensação de estar presa num túnel sem saída, nem acredito que passou. Foram muitos os momentos em que pensei em morrer. 

Se isso tudo teve a ver com a falta do cigarro? Sim e não. 

Acredito que a retirada da nicotina (que funciona como antidepressivo) deflagrou um quadro de depressão (e crise existencial) que já existia - diversos estudos apontam que fumantes em geral têm propensão à depressão, porém o quadro é mascarado pelo consumo abusivo de nicotina. 

Mas passou! Assim como chegou, passou. Há meses deixei de vivenciar as tais ondas de terror. Passou! Foi como uma febre que dá e passa. Ufa.

monicamontone

Falando nisso

Fiz diversas pesquisas sobre TAG quando me identifiquei com alguns dos sintomas. Encontrei muitos sites, blogs e meninas falando sobre o transtorno no YouTube -  garotas que passaram mais de um ano nesse sofrimento e que hoje, com ajuda profissional, conseguiram retomar suas vidas. Indico o vídeo abaixo “Vivendo com Transtorno de Ansiedade Generalizada” para quem se identificou:

 imagem: google


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