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24.8.17

por que será que temos tanto medo de engordar?

“Você está louca, simplesmente louca. Não é possível que você tenha engordado 8kg, que tenha passado de 59kg para 67kg e agora esteja com 66kg. Isso só pode ser coisa da sua cabeça. Onde você anda se pesando? Você não está exagerando? Juro, não dá para perceber, relaxe”!

Eis o que escuto toda vez em que comento sobre meu processo de abstinência e ganho de peso recorrente.

Gente, para! Eu sei me vestir (thank, God!) e estava de fato bem magrinha quando comecei o processo -  aliás, eu emagreci três quilos antes de parar justamente para tentar contrabalancear as coisas nessa fase que eu por experiência própria já sabia que poderia ter (teria!) esse efeito colateral. 

Sei me vestir bem e sei buscar meus melhores ângulos para as fotos como qualquer pessoa que gosta de tirar fotos. Tenho muitas fotos bagaceiras onde muitas coisas sobram (e dobram) que me deixam irritada, já cheguei a chorar vendo algumas delas e fico puta da vida comigo quando "desperdiço" algumas sessões de terapia para falar disso, “uma coisa tão idiota”. 

Mas será que é idiota, mesmo?

Será que é só o peso, só o corpo, só vaidade? 

O que será que o medo de engordar ao parar de fumar oculta? Medo de não ser aceito? Medo de não ser amado?

O interessante é que os vícios sempre carregam consigo uma dose cavalar de compulsão e que toda compulsão, todo excesso, esconde uma falta (geralmente de afeto e atenção na infância).

Será que engordar ao deixar de fumar não seria uma forma inconsciente de tentar esconder alguma falta que a fumaça não esconde (ou preenche) mais? Ou esses questionamentos são apenas psicanálise de botequim? 

Eu preciso é largar a mão de ser besta e aceitar minhas faltas, meus excessos, minhas futilidades, meus medos.

Por que diabos eu não posso ter medo de engordar se vivo numa sociedade que espera que todas as mulheres sejam magras? Por que tenho que ser bem resolvida quanto a isso?

Sim, vou levar esse assunto para a minha terapia até descobrir o que ele esconde, do que tenho medo de fato, o que preciso curar e perdoar dentro de mim.

E sim, vou continuar usando roupas que me favorecem e buscando os melhores ângulos para as fotos, por que não? 

monicamontone

falando nisso


Sobre essa coisa de usar roupas que valorizam... Meniiiiiinas, please, usem roupas do tamanho de vocês! Não tenham medo do número da etiqueta. Vocês vão parecer muito maiores do que realmente são se estiverem arrochadas em calças dois números menores que os seus. Quem também falou sobre o uso de roupas com numeração correta foi a corajosa Fani Pacheco, que engordou 18kg e depois de sentir muita pena de si resolveu resignificar sua relação com o corpo e montar um canal no Youtube para falar sobre esses tabus: ganho de peso, gordofobia e transtorno alimentar. Vale a pena se despir dos preconceitos -  tá, a moça é ex-bbb, e daí? – e conferir. 



julho, sete meses sem fumar 


23.8.17

síndrome de abstinência: como funciona e quanto tempo dura

 É curioso o fato de que quase todos os especialistas afirmem que a nicotina é mais difícil de ser vencida do que a cocaína, mas, apesar disso, tendem a tratar a abstinência do cigarro como se fosse mais leve ou menos importante que as demais. Nunca entendi essa contradição muito bem. O texto abaixo, por exemplo, retirado do site Saúde Melhor, fala de drogas em geral, porém não cita o cigarro. Reconheci muitos dos sintomas que enfrentei e enfrento dentro desses nove meses sem cigarro em que me encontro. Se os especialistas afirmam que a nicotina é mais difícil de vencer que a cocaína, tomo a liberdade de colocar ambas no mesmo saco: drogas que produzem abstinência física e emocional. Se você está abstêmio dos bastonetes nicotinosos leia e tire suas próprias conclusões. 

monicamontone

A abstinência ocorre porque o cérebro funciona como uma mola quando se trata de vício. Drogas e álcool são depressores do cérebro que empurram para baixo o lado bom da coisa. Eles suprimem a produção do seu cérebro de neurotransmissores como a noradrenalina. 

Quando você para de usar drogas ou álcool é como tirar o peso, e seu cérebro tem um rebote, produzindo uma onda de adrenalina que faz os sintomas de abstinência.

Cada droga é diferente. Algumas drogas produzem abstinência significativa física (álcool, opiáceos e tranquilizantes). Algumas drogas produzem pouca abstinência física, mas uma mais emocional (cocaína, maconha e ecstasy). 

O padrão de cada pessoa na abstinência física também é diferente. Você pode experimentar pouco a retirada física. Mas isso não significa que você não é viciado, em vez disso você pode experimentar uma mais emocional.

Abaixo estão duas listas de sintomas de abstinência. A primeira lista é os sintomas de abstinência emocionais produzidas por todas as drogas. Você pode experimentá-los se você tem sintomas de abstinência física ou não. A segunda lista é os sintomas físicos de abstinência que ocorrem geralmente com álcool, opiáceos e tranquilizantes.

SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA EMOCIONAIS

Ansiedade;
Inquietação;
Irritabilidade;
Insônia;
Dores de cabeça;
Falta de concentração;
Depressão;
Isolamento social.

SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA FÍSICA

Sudorese;
Coração acelerado;
Taquicardia;
Tensão muscular;
Aperto no peito;
Dificuldade em respirar;
Tremores;
Náuseas, vômitos ou diarréia.

SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA PERIGOSOS

Álcool e tranquilizantes produzem a abstinência física mais perigosa. De repente, parar de álcool ou tranquilizantes pode levar a convulsões, derrames ou ataques cardíacos em pacientes de alto risco. A desintoxicação sob supervisão médica pode minimizar os sintomas de abstinência e reduzir o risco de complicações perigosas. Alguns dos sintomas perigosos de abstinência de álcool e tranquilizantes são:

Convulsões graves;
Ataques cardíacos
Derrames ou infartes;
Alucinações;
Delirium tremens (DTs).

Abstinência de opiáceos, como a heroína, são extremamente desconfortáveis, mas não perigosas, a menos que eles sejam misturados com outras drogas. A abstinência de heroína não produz convulsões, ataques cardíacos, derrames ou delirium tremens.

ABSTINÊNCIA PÓS-AGUDA  

A primeira fase da abstinência é a fase aguda, que geralmente dura algumas semanas. A segunda etapa é a fase pós-aguda. Os sintomas de abstinência pós-aguda mais comuns são:

Mudanças de humor;
Ansiedade;
Irritabilidade;
Cansaço;
Energia variável;
Baixa entusiasmo;
Concentração variável;
Sono perturbado.

Esta fase se sente como uma montanha-russa de sintomas. No início, os sintomas vão mudar minuto a minuto e de uma hora para outra. Mais tarde, quando você recuperar mais eles vão desaparecer por algumas semanas ou meses, só para voltar novamente. Como você continuar a recuperar os bons trechos vai durar mais e mais. Mas os maus períodos de abstinência pós-aguda pode ser tão intensos e durar apenas um pouco tempo.

Cada episódio de abstinência pós-aguda geralmente dura poucos dias. Uma vez que você está em recuperação por um tempo, você vai descobrir que cada episódio geralmente dura por alguns dias. Não há gatilho óbvio para a maioria dos episódios. Você vai acordar um dia sentindo-se irritado e ter um baixo consumo de energia. Se você aguentar por apenas alguns dias, ele vai levantar tão rapidamente como começou. Depois de um tempo você vai desenvolver a confiança de que você pode passar disso tudo, porque você vai saber que cada episódio é por tempo limitado.

A ABSTINÊNCIA PÓS-AGUDA GERALMENTE DURA 2 ANOS.  Esta é uma das coisas mais importantes que você precisa lembrar. Se você está pronto para o desafio. Mas se você acha que a abstinência pós-aguda vai durar apenas alguns meses, então você vai ser pego de surpresa, e quando você está desapontado que você tem mais chances de recaída.

COMO CONVIVER COM A ABSTINÊNCIA?

Seja paciente. Você não pode apressar a recuperação. Mas você pode passar por isso um dia de cada vez. Se você se ressente ou tenta intimidar o seu caminho através dela, você irá tornar-se exausto. E quando você está exausto você vai pensar em usar para escapar.

Sintomas de abstinência pós-agudos são um sinal de que seu cérebro está se recuperando. Portanto, não corra deles. Mas lembre-se, mesmo depois de um ano, isto ainda é apenas metade do caminho.

Vá com o fluxo. Os sintomas de abstinência são desconfortáveis. Mas quanto mais você se ressente-lhes o pior eles parecem. Você vai ter muitos bons dias ao longo dos próximos dois anos. Aprecie-os. Você também vai ter muitos dias ruins. Nesses dias, não tente fazer demais. Cuide de si mesmo, foque em sua recuperação, e você vai passar por isso.

Pratique o auto-cuidado. Dê-se muitas pequenas pausas ao longo dos próximos dois anos. Diga a si mesmo “o que eu estou fazendo é o suficiente”. Seja bom para si mesmo. Isso é o que a maioria dos viciados não pode fazer, e é isso que você deve aprender na recuperação. A recuperação é o oposto do vício.

Às vezes, você vai ter pouca energia ou entusiasmo por nada. Entenda isso. Dê-se permissão para se concentrar em sua recuperação.

Você vai passar semanas sem sintomas de abstinência, e então um dia você vai acordar e sua abstinência vai bater em você como uma tonelada de tijolos. Você vai ter dormido mal. Você vai ficar de mau humor. Sua energia estará baixa. E se você não estiver preparado para isso, se você acha que a abstinência dura apenas alguns meses, ou se você acha que você vai ser diferente e não vai ser tão ruim para você, então você vai seja pego desprevenido. Mas se você sabe o que esperar, você pode fazer isso.

Ser capaz de relaxar irá ajudá-lo através desta fase. Quando você está tenso, você tende a se debruçar sobre os seus sintomas e torná-los pior. Quando você está relaxado, é mais fácil para não ser pego nelas. Você não está tão desencadeado por seus sintomas, o que significa que você é menos provável de recaída.

Lembre-se, a cada recaída, não importa quão pequena, desfaz os ganhos de seu cérebro fez durante a recuperação. Sem abstinência tudo vai desmoronar. Com a abstinência tudo é possível.

RECUPERAÇÃO E RECAÍDA: ESTRATÉGIA E PREVENÇÃO

Existem duas fases: aguda, que geralmente dura no máximo algumas semanas. Durante este estágio, você pode experimentar sintomas de abstinência física. Mas todas as drogas é diferente, e cada pessoa é diferente.

A segunda etapa, síndrome de abstinência pós aguda. Durante esta fase você vai ter menos sintomas físicos, mas os sintomas mais emocionais e psicológicos de abstinência.

Abstinência pós-aguda ocorre porque a química do cérebro está gradualmente voltando ao normal. Como seu cérebro melhora os níveis de suas substâncias químicas do cérebro flutuar ao se aproximar do novo equilíbrio causando sintomas de abstinência pós-agudos.

A maioria das pessoas sente alguns sintomas de abstinência pós-agudos. Considerando que, na fase aguda de retirada de cada pessoa é diferente, na abstinência pós-aguda a maioria das pessoas têm os mesmos sintomas.


O jeito certo de lidar com isso? Muita ajuda profissional, o apoio e suporte de familiares e amigos e tudo mais que você puder. Afaste-se das más influências, sejam eles companheiros, companheiras, amigos ou amigas. Afaste-se de ambientes que não sejam saudáveis. Assim, você garante que sua abstinência não terá sido em vão e você se recupere, para a felicidade de todos.


imagem: google 

química cerebral explica por que o fumante se sente triste ao deixar o vício


Um dos sintomas mais comuns de quem para de fumar é a sensação de tristeza, uma leve depressão. Isso acontece porque ao pararem bruscamente de consumir cigarros, o cérebro começa a liberar uma proteína responsável por essa sensação.

A descoberta foi realizada por uma pesquisa do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH, na sigla em inglês), do Canadá, divulgada nessa semana no Archives of General Psychiatry.

Segundo o cientista Jeffrey Meyer, autor do estudo, o abandono do cigarro, entre aqueles que acendem um atrás do outro, leva ao aumento de proteínas do cérebro relacionada à alteração de humor, chamadas monoaminas cerebrais (MAO-A, na linguagem médica).

Ao analisarem o cérebro de 48 pessoas, divididas em grupos de fumantes e não fumantes, a equipe liderada por Meyer descobriu que os níveis de MAO-A em regiões do cérebro que controlam o humor aumentou 25% após o então fumante ter deixado de dar as baforadas por oito horas. Esses níveis eram muito mais elevados do que o apontado no outro grupo.

A proteína MAO-A age como “comedora” de substâncias químicas no cérebro, como a serotonina, que criam a sensação de bem estar. Quando os níveis da proteína são muito elevados, como o que ocorre quando o fumante exclui o cigarro da sua vida, significa que esse processo de remoção está bastante ativo, fazendo com que as pessoas se sintam tristes.

Todos os 48 participantes preencheram questionários e os fumantes com os níveis mais altos de MAO-A também eram os que mais sentiam tristeza.

Compreender a tristeza durante a abstinência do cigarro é importante porque essa sensação torna difícil para as pessoas pararem de fumar, especialmente nos primeiros dias. Além disso, o tabagismo pesado está muito associado com a depressão clínica.



imagem: google 

20.8.17

noites de terror na segunda semana sem cigarro


Combati as primeiras 72h sem cigarro com faxina e arrumação da casa ininterrupta como narro aqui. A primeira semana passou sem grande sufoco. Já a segunda...

Com aproximadamente 10 dias sem fumar eu, que sempre dormi tarde e sempre gostei disso, fui acometida por uma insônia demoníaca. Sim, porque amar a madrugada e usá-la para trabalhar, escrever e criar é uma coisa, outra bem diferente é estar exausto emocionalmente, querer dormir e não conseguir; não ter concentração para assistir a um único mísero filme, ver o dia amanhecendo e sentir vontade de chorar de cansaço como acontece na insônia. 

O que fazer com noites imensas, gigantes e gordas se meu emocional e minha concentração estavam totalmente embotados? 

Ler? Nem pensar, a dispersão era imensa. Assistir a um filme? A agitação não me deixava parar quieta por uma hora e meia. Responder mensagens? Nunca! Paciência zero para os dramas dos amigos e muita irritação para tratar de trabalho. Dançar? É, dançar funcionou algumas noites, mas nem toda noite eu estava disposta a fazer a Beyoncé na frente do espelho. Cuidar da beleza? Sim, ajudou um dia ou outro, mas nem sempre nosso cabelo precisa de hidratação e nossa pele de máscara de argila.

Well, well, well, a segunda semana sem cigarro inaugurou em minha vida a tragicomédia chamada “noites de terror”. Eu tinha tempo de sobra para fazer o que quisesse durante a madrugada e capacidade emocional zero, vontade zero para realizar e produzir o que quer que fosse. E tome culpa, e tome aflição, e tome tédio, e tome ansiedade, e tome vontade de tomar uma poção mágica e dormir por vários meses seguidos.

Durante o dia eu seguia a mesma rotina: eu acordava, cuidava da pele com afinco para usar o tempo que antes eu usaria fumando um cigarro na janela, fazia o suco anti-cigarro, depois me arrumava, passava um batom vermelho e descia para o café para folhear revistas (porque ler tava difícil, não tinha concentração) e fazer ligações pessoais e de trabalho -  lembrando que eu tinha deixado todo o meu trabalho pronto, textos e relatórios escritos para apenas enviar aos chefinhos e parceiros. 

Pois bem, tomava dois cafés e uma água com gás, comia um pão de queijo e ia para a academia. Continuei com a dobradinha jump + algum funcional ou spinning + algum funcional diariamente.

Empolgada com a dieta low carb ia constantemente ao mercado para buscar vegetais frescos e as Casas Pedro comprar farinhas liberadas, etc e tal.

Vontade de fumar eu não senti. Primeiro porque estava com o selinho de 21mg. Segundo porque enchi meus dias com novas atividades. Cozinhar receitas diferenciadas foi uma delas. 

Gastei boa parte do meu tempo nesse período pesquisando receitas low carb, comprando ingredientes e experimentando receitinhas. Foi uma diversão. Em outro post vou falar exclusivamente sobre a dieta que fiz.

Fiquei explosiva, chata, irritada, nervosa, chorosa, como se estivesse numa TPM permanente. Uma hora queria uma coisa e cinco minutos depois não queria mais. 

As noites de terror eram de puro desespero, muita choradeira, olhos ardendo, vontade de gritar. Mas estava feliz por estar conseguindo manter a dieta, por não ter comido um docinho sequer, por estar malhando, enfim, por estar ¨cuidando de mim¨, da minha casa, da minha alimentação.

Todas as pessoas que pararam de fumar fazendo uso de medicamentos alopáticos -  como a Bupropiona – relatam que não passaram por esse sufoco, todavia optei por: usar selinho de nicotina, tomar floral, tomar homeopatia, meditar, fazer atividade física diária.

Uma das coisas que percebi durante a segunda semana foi que é extremamente importante criar uma nova rotina para que a nossa mente (e nosso cérebro) se sinta menos à deriva. Criar pequenos rituais, mesmo.  Por exemplo, cuidar da pele todos os dias ao acordar, caminhar todos os dias no mesmo horário, comer nos horários de sempre, etc.

O fato de estar me sentindo "no controle do meu peso" e do meu corpo, de não ter "jacado" nenhum dia sequer desde que parei de fumar me alegrava e encorajava -  se estava sendo possível nas primeiras semanas, que são as mais tenebrosas, seria mole manter nos próximos meses, tudo daria certo, eu ia parar de fumar, não engordar e ensinar o caminho das pedras para as pessoas que desejam parar de fumar mas tem medo de engordar.

Só que o tempo me ensinou que as coisas não eram bem assim...

monicamontone 


imagem: google
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