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21.11.17

balanço geral após um ano se fumar

Sim, eu ganhei uns bons quilinhos depois que parei de fumar. Mas será que foi por conta (somente) da retirada das substâncias químicas?

Afinal, nesse meio tempo eu saí de uma dieta ultra restritiva, tive depressão, crises ansiosas, insônia  e estresse (que sabemos, aumenta o cortisol), crises de pânico.

Foram muitos os momentos em que me frustrei, pois não cometi excessos na alimentação e continuei minhas atividades físicas mesmo na fase da depressão.

Pesquisando bastante sobre o tema, encontrei algumas boas respostas para o ganho de peso que acomete 4 de cada 5 ex-fumantes:

1. O metabolismo fica mais lento e passa a queimar menos calorias que antes -  portanto a alimentação de antes, mesmo sendo saudável, não é “queimada” como antes;

2. Uma bactéria que só é encontrada no intestino de pessoas obesas passa a viver no intestino do ex-fumante por tempo;

3. Aumento das porções (repetir o prato) e aumento de ingestão de doces;

Meu desafio, agora, após um ano sem fumar, é não odiar meu corpo. Éagradecer por ele ter atravessado essa jornada comigo, ter sobrevivido à depressão e às crises ansiosas, não ter se viciado no Rivotril e, claro, ter permitido que eu abandonasse a nicotina.

Meu desafio, agora, é olhar com carinho para a bulimia quemanifestei na adolescência -  e que hoje me gera não um Transtorno Alimentar, mas um comer transtornado -  e descobrir o que ela tem a ensinar sobre mim.

É me amar pelo que sou e não apenas porque gosto da imagem refletida no espelho; é me amar pelo que faço, acredito, penso, realizo e não somente pela minha beleza.

Meu desafio, agora, é aceitar que posso não ser perfeita em tudo, mas posso ser perfeitamente banana em tudo que faço; é me perdoar pelos meus erros e ser legal comigo como sou com os outros.

E por fim, perder os quilinhos adquiridos, rarará, porém sem restrições malucas, de forma equilibrada, consciente, comendo intuitivamente.

Ah, claaaaaaro, o principal: me manter firme no propósito de não fumar.

Abaixo uma foto do meu corpo possível, tirada semana passada, num dia de sol no Rio de Janeiro, a caminho da praia.

Como vocês podem perceber, o ganho de peso não foi assustador como algumas garotas acham que pode acontecer se abandonarem o cigarro. 

É chatinho? É chatinho! Minhas mini-saias não estão passando no bumbum, meu rosto está mais redondo e isso me irrita, mas... Hoje em dia ninguém gosta de engordar, mesmo quem não tem Transtorno Alimentar ou alimentação transtornada, todavia não é o fim do mundo e (quero crer!) é perfeitamente contornável. 

No mais, bens meus, estarei fora do Rio por uns dias e até retornar vou manter ativo apenas o Instagram do Parei de fumar e não engordei

Tenho postado todos os dias dicas e reflexões por lá e vou manter o mesmo ritmo durante a viagem, portanto, se você ainda não segue, chegue mais.

Ah, antes que eu me esqueça, o link diário de uma abstinência está bastante completo e conta com toda a minha saga para vencer o cigarro mês a mês, além de boas dicas enjoy.


Au revoir.

monicamontone


meu corpo possível: 12 meses sem fumar, 8kg a mais

das incoerências

Oh, Lord!

Como é que pode caber tanta incoerência num único ser? Por que eu sou tão doida assim?

Como é que consigo achar certas damas curves e plus lindíssimas, como é que faço a campanha ##lindadodia no meu Instagram, mas toda segunda-feira quero quebrar a casa inteira por me sentir mal dentro de um corpo que ingeriu "alimentos proibidos" no final de semana? .

Não tenho começado dietas às segundas-feiras, mas tenho odiado minhas coxas e o peso da minha bunda com todas as minhas forças; tenho me culpado por ter "comido errado" no final de semana e "não estar compensando com malhação dobrada". .

Honestamente não sei o que é pior: se não "fazer nada" para emagrecer e ficar sentindo culpa ou comer pouquíssimo e super limpo como antes, correndo o risco de adoecer. .

Tenho pensado bastante sobre isso e, pensando bem, talvez eu não esteja sendo incoerente, talvez (com certeza!) eu seja apenas MUITO mais dura e severa comigo do que com os outros. .

Taí, quem sabe meu desafio para encontrar um caminho do meio nessa questão alimentação x corpo seja esse: ser tão bacana comigo como sou com os outros. .

Será que consigo me deixar em paz um dia? 

 monicamontone 


sobre recaída

Foram seis tentativas fracassadas de parar de fumar antes de conseguir. 

Mas será que as tentativas anteriores foram, mesmo, fracassadas? 

Claro que não! Foram elas que construíram minha conquista de agora. 

Eis meus ciclos de recaída:

1. Depois de um ou dois meses sem fumar eu acreditava que estava no controle da situação e que podia perfeitamente fumar "somente quando bebia". 

Isso nunca dava certo! Em menos de uma semana já estava comprando maço - viciados de qualquer tipo de droga devem entender que não podem dar uma tragadinha ou um golinho.

2. Qualquer ganho de peso me levava à nocaute, bastava um short ficar apertado para eu ter uma crise de choro e decidir pensar no cigarro depois. .

Ou seja? Os dois fatores me levavam de volta ao vício tinham a mesma raiz: necessidade de controle e incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. .

Portanto eu sabia que para deixar de fumar eu teria que (obrigatoriamente) olhar para essas questões. .
 Além de querer parar de fumar dessa vez EU QUIS me libertar da necessidade de controle e quis investigar a minha incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. 

E tome terapia! Mas não tem jeito, vencer vícios é enfrentar monstros.

Outras lições de recaídas passadas: que yoga ameniza ansiedade, que não se deve dar um mísero trago usando selo ou chiclete de nicotina, que parar "na louca" sem planejamento nem sempre funciona, que o quarto mês é o mais difícil de todos, que é preciso tirar folga ou férias nas primeiras semanas, que chás ajudam na hora da fissura, que no início o humor fica pior que TPM , que insônia e falta de concentração fazem parte do pacote, que atividade física é fundamental para regular o humor e que sim, infelizmente rola uma engordadinha contornável.

O mais importante que aprendi? A não desistir! Quando recaímos morremos de vergonha das pessoas que nos apoiaram, nos sentimos um lixo, um fracasso. .

No entanto É PRECISO ENTENDER que parar de fumar é um PROCESSO e que recair faz parte. O lance é tentar de novo e de novo e de novo. .

Todas as vezes que recaí tive vergonha, mas me perdoei e segui em frente na certeza de que tentaria novamente no futuro.

Recaiu? Dê tempo ao tempo e tente outra vez!

monicamontone 



imagem: google

a decisão de parar de fumar

Mas Mônica, por que você parou de fumar se você gostava tanto?! .

Para o meu espanto ouvi essa pergunta de fumantes e ex-fumantes várias vezes. .

Gente! Para! Parar de fumar não é o mesmo que cortar o glúten para dar uma enxugadinha ou parar de tomar café para não estragar o clareamento do dente. .

Não é o mesmo que fazer uma escova progressiva ou colocar unhas postiças. .

Parar de fumar não é o mesmo que escolher fazer mechas no cabelo ou não, usar um look minimalista ou rocker. .

Parar de fumar não é uma questão estética que podemos ou não experimentar. Fumar mata! .

No Brasil, "segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de mulheres possuem o vício de fumar, sendo que o cigarro é responsável pela morte de 40% das mulheres brasileiras com menos de 65 anos". (Jornal O Cruzeiro) .

E morrer não necessariamente tem a ver com um ataque fulminante do coração, meu povo: ficar inválido sobre uma cama, totalmente dependente de alguém e sentindo dores é uma possibilidade bastante real para quem fuma há anos e sequer pensa em parar. .

Quase ninguém conta com uma doença debilitante decorrente do tabagismo.

Bem na verdade quando somos fumantes cagamos e andamos para essas estatísticas, achamos que elas não vão nos alcançar. Mas quem é que pode garantir? .

Por que eu parei de fumar? Adoraria dizer que foi por conscientização disso tudo, mas não foi. Os motivos reais foram 2: .

1) o cigarro não combinava com meu estilo de vida há tempos; 2) necessidade de libertação de todas as amarras. Ou seja, foi um movimento interno. .

Você que ainda fuma: já parou para se perguntar por que ainda se mantém ligado a essa muleta? 

monicamontone 





imagem google

por que parar de fumar engorda


Finalmente um profissional que não fica apenas no blábláblá de que "o paladar e o olfato melhoram e a pessoa passa a comer mais depois que abandona o cigarro"; finalmente o famoso "quem para de fumar desconta a ansiedade na comida" deixou de imperar.

Ok, essas duas explicações são procedentes, porém o principal fator para o ganho de peso ao deixar o cigarro é outro: o metabolismo desacelera.

Palavras do médico Ciro Kirchenchtjn:

"Quando pessoa fuma ela aumenta o monóxido de carbono e isso aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial (o que não é bom); aumenta a adrenalina no sangue e isso aumenta o metabolismo (aumentando o metabolismo a pessoa queima mais). Se a pessoa para de fumar ela diminui sua adrenalina, sua necessidade calórica diminui então SE ELA MANTIVER SUA DIETA ELA VAI ENGORDAR". Assista ao vídeo abaixo.

Eu não passei a comer diferente depois que parei de fumar, não passei a beliscar o dia todo, não me joguei nos doces, continuei minhas atividades físicas. .

Então de onde estavam vindo aqueles quilinhos? Da dieta DE SEMPRE - e quando digo dieta, aqui, estou querendo dizer modelo alimentar seguido.

Obrigada doutor Ciro Kirchenchtjn por esclarecer. 

E agora, José? O que a gente faz com essa informação? Abandona o projeto da alimentação intuitiva e parte para um pequena restrição e/ou controle de calorias? .

E agora, José, que no meu caso a retirada da nicotina + restrição alimentar levou à depressão? .


monicamontone 



quero parar de fumar, e agora?

Como já disse outras vezes por aqui, estou na minha sétima tentativa de abandonar o cigarro.

Aprendi muita coisa em cada recaída e credito meu sucesso de agora a duas coisas:

1. Ao que cada recaída me ensinou (vou falar sobre isso em outra postagem)

2. Ao desejo de ser a melhor versão de mim.

Pela primeira vez eu não quis apenas parar de fumar por este ou aquele motivo. Eu quis me tornar uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, mais madura, mais segura, mais real, mais saudável, livre de qualquer vício ou amarras e o cigarro, definitivamente, não combinava com a nova versão que eu queria ser. .

Evidentemente eu não imaginava que a busca por essa nova Mônica fosse me trazer tanto sofrimento, mas todo crescimento envolve uma certa parcela de dor, não é mesmo? .

Enquanto eu quis parar porque "era o certo a fazer", "era o melhor para a minha saúde", "era o melhor para a minha pele e dentes", eu não consegui. .

Todo fumante carrega consigo um alter-ego de rebeldia e fazer algo "porque é o que deve ser feito" não é compatível com esse alter-ego, tampouco o convence e aí mesmo é que ele junta forças com outras instâncias do nosso ser para impedir "que nos tornemos uns bundões". .

É preciso que haja um querer SINCERO e PROFUNDO de crescimento pessoal para se abandonar qualquer tipo de vício. .

Somente quando queremos profundamente nos tornar a melhor versão de nós mesmos é que juntamos energia, força e argumentos sólidos para amansar nosso alter-ego e demais instâncias do ser que desejam a manutenção do vício.

Quer parar de fumar SINCERAMENTE?

Comece se perguntando o motivo real e inicie um planejamento.

Vá se aproximando da ideia primeiro! Tente imaginar como seria a vida sem cigarro e, principalmente, tente se lembrar quando, onde, como e por que exatamente começou a fumar.

Você sabe qual emoção te levou para o cigarro?

Necessidade de aceitação? Fuga? Timidez? Autoafirmação? Solidão? Essa emoção ainda hoje está presente? .

Tire dez minutos do seu dia para sentar, respirar, se conectar com suas emoções e REPENSAR sua relação com o cigarro desde os primórdios, o que ele simboliza HOJE para você.

E boa sorte! 

monicamontone 


imagem: google

11.11.17

os malefícios do tabagismo na gravidez

Oh-Yeah, eu fui gerada na mais pura nicotina. Naquela época não tinha Internet, tampouco se falava tanto dos malefícios do cigarro.

Podia-se fumar em locais fechados (inclusive elevadores e aviões), havia propaganda de cigarro na TV e os pais costumavam pedir para que os filhos fossem comprar cigarros para eles na padaria.

Ou seja, não era  indicado fumar durante a gestação mas também "não era" imprescindível como hoje os médicos apontam e as pessoas ao redor cobram.

Mamãe fumou minha gestação e amamentação inteira, bem como nas gestações das minhas irmãs. Ao redor, papai e vovô também fumavam.

Resultado? Duas filhas alérgicas e com problemas pulmonares (asma e bronquite) e uma filha tabagista: eu. 

Papai fumou por mais de 40 anos, teve um problema seríssimo de estômago e parou. Mamãe fumou por mais de 40 anos, teve um enfarte e parou. Vovô fumou por mais de 60 anos, teve um câncer de pulmão decorrente do cigarro, parou, mas depois voltou e morreu na sequência.

E eu, bem, eu fumei por mais de 20 anos, parei e voltei várias vezes, mas agora espero ter conseguido definitivamente (estou há 12 meses sem fumar).

Felizmente não tenho (tampouco espero ter!) nenhum problema de saúde.

Mesmo com todos os exemplos negativos ao redor eu simplesmente não conseguia parar. Foi quando eu desejei intimamente me libertar de todas as amarras de minha vida que o cigarro entrou na dança.

Não há pesquisas que apontem que o vício possa ser hereditário ou influenciado pelo consumo da mãe tabagista, mas caso a criança tenha predisposição a adicção (meu caso!) ter o exemplo negativo dentro de casa infelizmente colabora.

Segundo a revista Crescer 87% das fumantes que engravidam não conseguem deixar o vício e 94% retornam a ele seis meses depois de dar a luz por conta do peso. Uma pena, né? 

Outros dados: 

"Os filhos de mães que fumam, geralmente, são mais enfermos. As principais doenças que atingem estas crianças são as infecciosas de repetição, como rinite, bronquite, asma ou qualquer outra doença pulmonar, além de morte súbita infantil", afirma Clóvis Eduardo Tadel Gomes, pneumologista do Hospital Sabará, localizado em São Paulo.

Outro dado da OMS informa que o leite de mães fumantes possui três vezes mais substâncias prejudiciais do que o sangue delas. fonte 

Portanto, evitar fumar na gravidez (e depois de dar a luz) continua sendo o caminho mais indicado para para as mamães. 


monicamontone



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5.11.17

a importância de criar novos rituais ao parar de fumar

Criamos rituais para quase tudo o que fazemos e esse comportamento automático (e muitas vezes inconsciente) tem a função de gerar códigos para que nossa mente entenda o que desejamos fazer.

O ritual de acordar, por exemplo, cada um tem o seu, mas caso acordemos atrasados para um compromisso e deixemos de cumprir alguma etapa do "ritual acordar" sentimos que o dia demora a engatar, ocorre uma sensação de dispersão e atordoamento, não é mesmo?

Fumantes pesados (como fui) costumam incluir um ou dois cigarros no meio do ritual de despertar. E fazem isso por anos a fio.
 
Como acordar então, sem parte do ritual? Como fazer a nossa mente entender que acordamos? 

Criando um novo ritual! 

No começo a mente vai chiar, não vai entender bem o comando e só de pirraça vai ofertar atordoamento e dispersão aos baldes, mas com tempo tudo se ajeita - li outro dia que a nossa mente precisa de 21 dias para criar um novo hábito. 

Eu, que sempre fumava ao acordar -  e enquanto fumava checava emails e redes sociais - passei a usar esse tempo da manhã para cuidar da pele do rosto e me alongar. Sempre achei o máximo as garotas disciplinadas que lavam o rosto com sabão neutro em movimentos circulares, depois passam tônico, protetor solar e bbcrem logo pela manhã.  Pois bem, me tornei uma delas! 

Outra mudança? 

Mudei por um tempo de Café. Sempre amei ler e escrever em Cafés e quase todos os dias eu ia para o "meu escritório, um bistrô charmoso com mesas ao ar livre e liberado para o fumo. Porém, percebi que bastava me sentar na "minha cadeira" para uma ansiedade tremenda me queimar no peito. Parei de frequentar o "meu escritório" por um tempo e acabei descobrindo lugares ótimos nas redondezas. 

Portanto, fica a dica: fumava sempre que sentava no canto x do sofá? Não sente no canto x; fumava antes de dormir? Crie um hábito que só fará antes de dormir (que tal chá?).

Detecte todos os rituais que fazia com o cigarro e coloque um novo (e mais saudável) hábito no lugar dos que puder. 

Se faz necessário a criação de uma nova rotina quando paramos de fumar, não tem jeito. A boa notícia é que depois de alguns meses conseguimos retomar alguns prazeres antigos, mas sem ansiedade - eu, por exemplo, voltei a frequentar meu escritório e já não fico mais agitada quando me sento "na minha" cadeira. Viva!


monicamontone


foto: minha nova mesa de trabalho. 
antes tinha cigarro e cinzeiro cheio, agora tem chá e chiclete sem açúcar

ondas de terror: ansiedade generalizada

Ao longo de minha vida tive algumas poucas crises de pânico. Em geral, elas seguiam a mesma cartilha de sintomas: falta de ar, sensação de perda de controle das emoções e dos pensamentos, dor no peito, falta de força nas mãos, formigamento nos lábios e nos braços, medo de morrer, medo de ter um enfarte, medo de ter um derrame, medo de ficar louca, medo,medo, medo. 

No entanto, elas sempre aconteceram em épocas bastante distintas e nunca se repetiram no mesmo período, por este motivo não posso dizer que tenho/tive Síndrome do Pânico -  as crises que tive caracterizam-se como "episódio de pânico" e/ou "crise ansiosa generalizada".

O último episódio de pânico que tive aconteceu um mês antes de eu parar de fumar e um dia antes da estreia de um monólogo que escrevi e apresentei num encontro literário - quando a apresentação acabou nem eu mesma acreditava que tinha conseguido, pois na noite anterior tinha aberto uma crise de pânico e ido parar no hospital.

Foi no fim do terceiro mês sem cigarro para o quarto mês (mais ou menos a mesma época em que parei de fazer reposição de nicotina ) que tive pela primeira vez o que chamei de “onda de terror”. 

Eu não estava tendo uma crise de pânico, pois não achava que ia morrer, tampouco estava com qualquer desconforto físico, mas de repente, sem qualquer motivo, comecei a chorar no meio da madrugada e a pensar milhões de desgraças (que meus familiares iam morrer, que eu ficar sem trabalho e seria despejada do meu apartamento, que meu namorado ia morrer, etc, etc, etc). 

Meu namorado ficou tentando (sem sucesso) me acalmar até o dia amanhecer. Não adiantava ele me dizer que todos da minha família estavam bem de saúde, eu tinha uma certeza absoluta de que alguém morreria. Não adiantava ele me mostrar as boas perspectivas profissionais do ano, eu tinha a mais plena certeza que tudo daria errado e eu ficaria sem dinheiro algum e assim por diante.

O tempo foi passando e a insônia foi avançando. Quanto menos eu dormia, mais tempo eu tinha para vivenciar “ondas de terror” e pouco a pouco elas foram me engolindo: passei a evitar assuntos, pessoas e lugares que pudessem me deixar ansiosa por este ou aquele motivo; passei a adiar decisões, porque qualquer ansiedade mínima -  inclusive por coisas boas – podia ativar uma “onda de terror” em mim.

Foram quase cinco meses de ondas de terror. No início elas duravam mais de uma hora e podiam se repetir durante o dia. Depois foram perdendo a força, aparecendo duas ou três vezes por semana, até que para minha total alegria e gratidão desapareceram completamente.

Mais tarde, pesquisando sobre transtornos ansiosos, descobri que “as tais ondas de terror” eram muito semelhantes aos sintomas de TAG (transtorno de ansiedade generalizada):

O transtorno da ansiedade generalizada (TAG), segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle, que perdura por seis meses no mínimo e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

É importante registrar também que, nesses casos, o nível de ansiedade é desproporcional aos acontecimentos geradores do transtorno, causa muito sofrimento e interfere na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional dos pacientes.

Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Além dos já citados (inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular) existem outras queixas que podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, náuseas, aperto no peito, dores musculares. (Drauzio Varela

O diagnóstico de TAG só pode ser fechado após seis meses de sintomas manifestados, por este motivo não recebi tal diagnóstico.

Geralmente os médicos indicam Fluoxetina X Rivotril para o tratamento de ansiedade generalizada, porém, após escutar inúmeros depoimentos sobre estes medicamentos resolvi optar por tratamentos alternativos: terapia, homeopatia, acupuntura e meditação -  mas não consegui escapar completamente do Rivotril, precisei adminstrá-lo em alguns momentos para a minha total insatisfação  -  falei sobre isso aqui

Escolhi um caminho mais longo para enfrentar minhas ondas de terror, foi bastante sofrido, mas consegui contorná-las. Não teria conseguido sem a terapia! A terapia me ajudou a identificar os gatilhos emocionais das minhas crises e a freá-las antes que iniciassem. 

Hoje, quando olho para trás e me lembro de todo o terror que vivi, do medo (sem qualquer conexão com a realidade) avassalador que experimentei, da sensação de estar presa num túnel sem saída, nem acredito que passou. Foram muitos os momentos em que pensei em morrer. 

Se isso tudo teve a ver com a falta do cigarro? Sim e não. 

Acredito que a retirada da nicotina (que funciona como antidepressivo) deflagrou um quadro de depressão (e crise existencial) que já existia - diversos estudos apontam que fumantes em geral têm propensão à depressão, porém o quadro é mascarado pelo consumo abusivo de nicotina. 

Mas passou! Assim como chegou, passou. Há meses deixei de vivenciar as tais ondas de terror. Passou! Foi como uma febre que dá e passa. Ufa.

monicamontone

Falando nisso

Fiz diversas pesquisas sobre TAG quando me identifiquei com alguns dos sintomas. Encontrei muitos sites, blogs e meninas falando sobre o transtorno no YouTube -  garotas que passaram mais de um ano nesse sofrimento e que hoje, com ajuda profissional, conseguiram retomar suas vidas. Indico o vídeo abaixo “Vivendo com Transtorno de Ansiedade Generalizada” para quem se identificou:

 imagem: google


marque uma data para o último cigarro

Foram seis tentativas de parar de fumar. Somente na sétima (aparentemente) consegui.

Das coisas diferentes que fiz nessa tentativa bem sucedida foi marcar um dia próximo (me dei 30 dias) para parar conforme indicam os especialistas.

Muitos são os que escolhem datas festivas para a despedida bastonete nicotinoso ( aniversário, natal, reveillon, lua de mel, etc), mas isso é um erro, pois dificilmente conseguimos ficar longe de um drink nessas ocasiões e beber é um super gatilho para o cigarro.

Além disso, ninguém merece irritação, mau humor e ansiedade bem no dia do aniversário ou na noite de reveillon, né?

Seja legal com você! Escolha uma data neutra, de preferência num final de semana (ou feriado prolongado; férias), pois você vai ficar sem concentração para trabalhar nos primeiros dias e com a paciência abaixo de zero.

Se possível tire férias com esse intuito: atravessar a abstinência.

Enquanto a data escolhida para parar não chegar vá se aproximando de assuntos relacionados a sua escolha: leituras sobre tabagismo, pesquisas sobre qualidade de vida e alimentação saudável, enfim, vá construindo mentalmente o que deseja realizar.

E boa sorte!

Sobre o meu plano de guerra para deixar o cigarro falei no texto Parar de fumar requer planejamento


monicamontone 

imagem: google

1.11.17

aprenda a diferenciar emoções de necessidades fisiológicas

 Depois de UM ANO sem cigarro -  vejam bem, estou dizendo UM ANO, 12 meses, 365 dias - aprendi a identificar o que era fome, sono, tristeza e não julgar TUDO o que sentia como medo, raiva, irritação e frustração.

Quando somos bebê nossas mães (e a família) nos ensinam essas pequenas lições e criam rotinas de alimentação e sono para que condicionemos hora de comer, hora de dormir e assim por diante. Às vezes esse processo de aprendizagem leva anos.

Quando (re) nascemos depois de um vício somos tão virgens para isso tudo quanto uma criança que
acabou de chegar ao mundo! Com a diferença de que ninguém nos ensina a reconhecer nada e que, ao contrário dos anjinhos, temos uma bagagem emocional que muitas vezes esta lotada de culpas e pequenas vergonhas - o que complica ainda mais as coisas.

Ontem, para o meu total espanto, comecei a ficar MUITO irritada com a reforma do vizinho do andar de cima e de repente parei e me perguntei:

- Esse barulho está aí quase todo dia, por que HOJE, AGORA, está me irritando mais do que o normal?

Olhei no relógio e vi que passava das 17h e eu não tinha comido nada desde o almoço: eu estava com fome.

Fiz um lanche de tapioca + ovo cozido + tomate + manjericão e a irritação passou. Continuei trabalhando normalmente como se o baticum do vizinho nem existisse e depois fui para academia.
UM ANO! DEMOREI UM ANO para COMEÇAR a detectar minhas emoções e necessidades fisiológicas sem o cigarro.

Se eu ainda fosse fumante, o que eu faria quando a barulheira da reforma do vizinho começasse e me deixasse irritada? Acenderia um cigarro imediatamente! O cigarro não faria o barulho desaparecer, tampouco resolveria a minha irritação, mas me manteria distraída por alguns minutos, me faria engolir fumaça no lugar de apenas frustração; provavelmente tapearia a minha fome (completamente natural e saudável para o horário).

Foram mais de 20 anos dando para o meu corpo, minha mente, minhas emoções, meus hormônios e meu cérebro gotas extras de dopamina (sempre que tragamos ativamos regiões de recompensa no cérebro), portanto é mais do que natural que esse conjunto de fatores que "sou eu" ficasse desafinado como uma sinfonia de crianças iniciantes e sem maestro por um tempo.

Se você está parando de fumar e ainda não consegue entender por que TUDO está mais irritante que o normal, comece já a treinar sua percepção!

Assim que a raiva máster-modo-on aparecer, questione-se: que horas são? Há quanto tempo comi?
Estou com sono? Dormi quantas horas essa noite? Isso é mesmo tão importante assim? O que estou sentindo exatamente é raiva, medo, sentimento de injustiça, carência, solidão? No caso das meninas, vale perguntar "estou na TPM"?

Enfim, vá treinando, vá se questionando que uma hora você vai conseguir ler suas necessidades e vai passar a atendê-las com mais facilidade e menos sofrimento.


monicamontone


imagem: google 

31.10.17

a origem do projeto #pareidefumarenãoengordei

Quando será que eu vou entender de uma vez por todas que as siglas do meu nome não querem dizer Mulher Maravilha e sim Mônica Montone?

Tenho a estranha mania, desde criança, de achar que posso tudo - inclusive desafiar a ciência -  e quando a vida me prova o contrário capoto a cem quilômetros por hora. Sobrevivo, renasço das cinzas a cada acidente, mas confesso que depois de crescida não tenho visto muita graça nesses rodopios e que tenho me cobrado um cadinho mais de sensatez.

Minha última capotagem foi acreditar que seria possível parar de fumar e não engordar. Bastava ter disciplina, foco, fé, determinação e todas essas coisas que a gente lê por aí. Bastava fazer substituições inteligentes, beber muita água, comer cenoura em palitos na hora da compulsão etc e tal.

Consegui não engordar durante os quatro primeiros meses sem cigarro, mas nos outros cinco que seguiram (fase em que me encontro/ 9 meses sem cigarro) muita coisa mudou. Tive depressão, crises ansiosas, crises de pânico. Engordei 8kg - na verdade 5kg, pois emagreci 3kg antes de parar de fumar -  em cinco meses e passei a repensar minha relação com meu corpo, com a comida e com a fase saudável que estava querendo iniciar ao optar por deixar o cigarro depois de mais de 20 anos de fumaça.

Comecei a montar este blog no início da minha jornada, tomei nota de muitas sensações e crises que tive para compartilhar a experiência e só não publiquei antes porque tive receio de recaídas (já parei e voltei inúmeras vezes) e medo de não dar conta da proposta inicial: parar de fumar e não engordar.

Achei melhor esperar. E tanta coisa aconteceu de lá pra cá. Fiz tantas pesquisas sobre tabagismo e alimentação; passei por tantas aflições, tantas pequenas mortes e tanta superação. Aprendi tanta coisa, tanta, tanta, tanta, que senti uma baita vontade de partilhar esse conhecimento e de contar como foi o meu processo e senti, também, que 9 meses era uma data bonita para dar início a essa jornada: o tempo em que se forma uma vida.

Quer parar de fumar e está com medo de engordar? Vem comigo que eu te explico no caminho.

monicamontone

Nota: texto publicado aqui aos 9 meses sem cigarro



imagem: google 

a falsa rebeldia do vício

Até quando a ideia de rebeldia e liberdade será associada ao péssimo hábito de fumar?

Ok, as propagandas foram proibidas na TV, mas indústria da moda e do cinema ainda aposta nesse  savoir-faire".

Quantos anos deve ter a criança linda da foto abaixo que tem como mensagem subliminar "quebre as regras, seja livre, faça do seu jeito"?

A criança da primeira foto eu não sei, mas a da segunda foto (com a mesma carinha redondinha infantil) eu sei: 16 anos.

Sim, aos 16 anos eu me sentia rebelde, quebrando padrões e livre somente porque fumava.

Mal sabia eu que passaria por seis tentativas frustradas de parar de fumar e que nesta última (espero que derradeira!) iria enfrentar (quase vinte anos depois) um quadro de depressão devido ao processo de abstinência.

Que poder demoníaco é esse que as grandes máfias das grandes indústrias têm de nos convencer de que aquilo que nos aprisiona é o que liberta?

Nada, absolutamente nada que gere dependência pode ser sinônimo de liberdade.

Você sabia que a idade média dos iniciantes no tabagismo caiu de 16 para 13 anos e que o cigarro atrai cada vez mais mulheres? Não é à toa que o número de mortes por câncer de pulmão cresceu 122% entre elas. (fonte)

Então é isso! Se você quiser parar de fumar você VAI TER QUE desenrolar longas conversas consigo mesmo para convencer-se de que não existe rebeldia alguma no ato de fumar – não se esqueça de que você passou (e ainda passa) ANOS sendo bombardeado pela ideia contrária; você terá que conversar MUITO com o adolescente que foi para convencê-lo de que você cresceu, aprendeu coisas interessantes sobre liberdade e não quer mais a prisão do vício.


Fácil não é, mas é possível e vale a pena. 

monicamontone


imagem: google


eu, com 16 anos me achando A rebelde 

apenas 3% das pessoas que tentam parar de fumar têm êxito

Taí uma estatística que quero continuar fazendo parte com orgulho: a dos 3% que conseguem parar de fumar.

Ah, e fazer terapia com certeza aumentou minha chance de sucesso não apenas em 20%, mas em 200%.

Comemoro 1 ano sem cigarro absolutamente grata a todas as pessoas que me ajudaram nesse processo, de acupunturistas, terapeuta, professora de Pilates e homeopata a influenciadoras digitais como Mirian Bottan, pai, namorado, mãe, amigos, irmãos. A tropa foi de elite! #gratidão

Entende-se o esforço. Deixar de fumar é um desafio que poucos conseguem vencer. Segundo um estudo publicado pela revista New Scientist, 85% dos que param voltam a dar suas baforadas depois de um ano. Alguns recaem antes. Só 3% conseguem, de fato, abandonar o vício. Quem procura ajuda médica, toma remédio e faz terapia aumenta sua chance de sucesso para 20%. O Brasil é um dos recordistas em motivação para largar o cigarro. Um estudo feito pela psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, mostra que 81% dos fumantes brasileiros querem parar. É um porcentual só comparável ao dos suecos, com 85%. Mas o índice de tentativas frustradas entre os brasileiros é igualmente alto: cada um já tentou parar cinco vezes, em média - sem sucesso. Difícil é, mas vale a pena. O tabaco causa 50 tipos de doença. As mortes anuais em virtude de seu uso chegam a 5 milhões no mundo, 200 mil no Brasil.

fonte 

imagem: google 

30.10.17

5 meses sem fumar: depressão, carta (quase) suicida e mudança para SP


 Numa madrugada insone e completamente relutante a administrar o Rivotril (falei sobre, aqui) e/ou qualquer medicamento antidepressivo (por medo de me tornar dependente e por  preconceito) comecei a pensar seriamente que morrer seria um grande alívio.

Quanto mais minha terapia avançava, mais eu fazia contato com minhas impotências e frustrações;  quanto mais a abstinência do cigarro avançava, mais eu me sentia deprimida e mais crises ansiosas eu tinha. 

Enfim, tornei-me uma bomba-atômica ambulante, um coquetel molotov de frustração, medo e sentimento de fracasso - vale lembrar que passei por uma Transição Capilar traumática antes de parar de fumar e que talvez tenha sido naquele período que comecei a esboçar os primeiros indícios de depressão, mas fiz vistas grossas. 

Pois bem, após cinco meses sem fumar já não conseguia mais achar que "meu feito" (vencer um vicio) era algo grandioso e louvável, pelo contrário, olhava para o trapo de ser humano que tinha me tornado e me perguntava: "foi para isso que parei de fumar, para virar esse fiapo fracassado que além de não conseguir trabalhar gasta mais do que tem? Que teve que tomar tarja preta e apesar de estar avançado na casa dos trinta e muitos encontra-se totalmente perdido"?

Eu, justo eu que sempre fui uma criatura alegre e solar, brincalhona e apaixonada pela vida, passei a sentir uma tristeza profunda, tão profunda que me fez sentir saudades de mim e me levou a escrever uma carta (quase)  suicida para o meu pai e namorado. 

Eis abaixo alguns trechos da carta -  se fosse um conto vagabundo poderia se chamar "Auto-retrato de uma artista quando jovem":

Como seria bom se eu morresse agora. Mas ao mesmo tempo em que penso isso sinto culpa por pensar assim.

Já não sei mais se foi a retirada do cigarro que ativou essa bomba em mim. A única coisa que sei é que dei para abominar absolutamente tudo o que me cerca e que passei a sentir verdadeiro asco pela vida que construí até aqui.

Sinto nojo, repulsa de qualquer coisa que tenha relação com arte. Tenho convivido com poucos amigos por pura educação. Olho as possibilidades profissionais que tenho (e nem são ruins, são até auspiciosas) e abomino todas elas. Tomei ódio da escrita, tomei ódio da Internet, tomei ódio da literatura, tomei ódio da música e do palco. Repulsa sincera e verdadeira. Nojo absoluto.

Como viver diante desse cenário? Onde tudo o que eu acreditava ruiu?

Como prover meu sustento? Trabalhar no quê se as únicas coisas que aparentemente sei fazer têm me causado repulsa, nojo e terror? Se desejo morrer sempre que penso no futuro?

Fiquei achando que tudo isso podia ser efeito de uma depressão proveniente da abstinência, mas daqui a pouco completo 5 meses sem fumar e me pergunto: será mesmo que isso tudo tem a ver com falta de nicotina?

Verdadeiramente falando eu tenho sentido em alguns momentos uma alteração cerebral muito estranha e um medo muito grande de ficar louca. 

É uma sensação muito pungente de terror, desgraça, coisas ruins, catástrofes futuras.

Tenho momentos do dia de desligamento disso tudo. Geralmente quando vou para a academia, acupuntura ou pratico escapismo lendo revistas em cafés.

Todos os dias eu penso em morrer. E penso porque estou desolada com meu presente e aterrorizada com meu futuro.

Mas não pretendo me matar (tenho medo das consequências espirituais).

Nunca me senti tão devastada, desorientada, desiludida, apavorada e imensamente triste.

Tenho tentado me ajudar, tenho seguido as orientações dos médicos (hoje mesmo tomei o tal do Rivotril), mas...

Sinto-me uma perdedora, uma looser, um fracasso absoluto.

É por isso, por isso tudo que estou quieta. Não tenho assunto, estou repetitiva, monocórdica, com impulsos negativos. É por isso que ando preferindo nem falar ao telefone ou sair para jantar.

Tô com medo, muito medo de ter aberto um surto qualquer e de não conseguir recobrar minhas crenças, sonhos, trabalhos, lucidez. Retomar a fé.

É muito, muito triste para mim, que sempre amei viver, ter essa sensação diária de não querer viver mais por conta de uma vergonha avassaladora por ter me tornado uma looser.

Vou tentar dormir. ver se a merda do Rivotril faz efeito.

Desculpe-me por esse relato. Se possível não me julgue, nem me abandone.

 ***

Após ler a minha carta meu pai mandou uma passagem para SP e me levou para a sua casa. Meu querido pai cuidou carinhosamente de mim por quase três meses com toda generosidade e afeto. Sentir sua presença protetora nesse período foi fundamental e essencial para que eu vencesse todo esse processo de dor, desespero e luto. 


O peso na balança continuava ok, oscilando apenas 1,5g depois de algum final de semana ou período menstrual. Eu não estava mais fazendo a dieta Low-Carb com afinco, mas continuava fazendo uma dieta restritiva e continuava treinando todo dia.

monicamontone


imagem: google 

mulheres engordam mais que homens quando param de fumar

Se não for para lutar sempre, dar tudo de si*, a gente nem nasce mulher, né?

 'O vício é mais químico nos homens e pende para o psicológico nas mulheres', diz Jaqueline Issa, que fez um estudo acompanhando 100 fumantes durante três anos. Além de usar o cigarro como bengala emocional, a mulher teme engordar. No grupo estudado, as ex-fumantes ganharam, em média, 7 quilos. O mesmo não acontece com os homens porque ele não trocam o cigarro por comida.

'A mulher é naturalmente ansiosa e, com as variações hormonais, sofre os sintomas da crise de abstinência por mais tempo. Por isso o número de recaídas é maior entre elas', diz. Novas pesquisas apontam também para diferentes graus de vulnerabilidade - o que explica o comportamento dos fumantes ocasionais, que dão suas tragadinhas sem maiores conseqüências. 

Os cientistas descobriram que há um grupo de pessoas que possui um gene chamado CYP2A6, que age na metabolização da nicotina. Quem possui o tal gene sofre mais os efeitos da abstinência. Quem nasce sem ele, ou com o gene defeituoso, sente-se 'saturado' com pouca quantidade de nicotina, por isso tem menor chance de se tornar dependente. 

fonte 

O meu gene CYP2A6 deve ter vindo reforçado, triplicado, oh lord. 

Odeio fazer parte dessa estatística maldita dos sete quilos, mas se até Gisele Bundchen engordou 6,5kg e engrossou esse caldo só me resta como mortal manter a calma, continuar comendo saudável e praticando atividade física diária. 

imagem: google 

conheça todas as etapas da síndrome de abstinência

Compartilho com vocês um artigo que achei interessante sobre as fases da abstinência, escrito por João Alexandre Rodrigues. Ele fala basicamente sobre álcool, maconha e cocaína, no entanto não vejo diferença no sofrimento psico-químico do viciado de uma ou outra droga e após um ano sem cigarro posso dizer que experimentei na pele muitas das coisas que ele cita. Falei sobre abstinência e o sentimento de solidão, aqui.

Fases de recuperação através da abstinência -  drogas 


Ao longo dos anos tenho observado indivíduos dependentes de substâncias psico activas / adictivas, lícitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas que são admitidos em tratamento, quer seja em regime residencial de internamento ou através das consultas tradicionais presenciais (terapia individual), e ao mesmo tempo, também acompanho individuos que permanecem abstinentes, como parte do seu programa de recuperação duradoura, a que apelido de mudança de estilo de vida (M.E.V.) através de princípios espirituais - não religioso, sem dogmas e divindades - que promovem o conhecimento interior das suas emoções, auto-conceito, competências e talentos, e uma conexão emocional com os outros e o mundo a sua volta (integração activa na sociedade).

Após a admissão em tratamento, em regime residencial de internamento,  é iniciada a primeira fase ( crucial ) - interrupção do consumo de substâncias psicoactivas (auto-medicação de drogas, incluindo o álcool) geradoras de problemas e consequências negativas, ex. perda do controlo dos seus comportamentos, problemas de saúde e familiares, legais e profissionais. Para alguém dependente de drogas, incluindo o álcool, este “passo” é realmente assustador.

A síndrome da Abstinência (Ressaca - dor/sofrimento físico e psicológico) dura aproximadamente entre 15 a 30 dias, cada caso um caso. Hoje em dia, o sofrimento é mitigado por outras drogas lícitas, receitadas por médicos, que permitem ao indivíduo o desmame gradual das substâncias psicoactivas/adictivas até ficar abstinente - “limpo”.

Existem porém casos excepcionais de indivíduos que por um conjunto de razões/sintomas clínicos necessitam de recursos extra e mais prolongados (medicação - monitorizada pelo medico) a fim de permanecerem compensados e estáveis de forma a conseguirem assimilar e aderir ao programa de tratamento. Muitos destes casos, podem estar relacionados com as consequências da dependência das drogas (ex. neuroquímica do cérebro).

 Fase Sindroma de Abstinência (Ressaca) 0 – 15 dias de abstinência

Alguns sintomas físicos e psicológicos : Cansaço, vómitos, vontade em usar drogas, incluindo o álcool (nesta fase, conheci indivíduos que ingeriram “ aftershave ” e álcool puro), pesadelos, suores frios, insónia, irritabilidade, deprimido, angustia e ansiedade, alterações extremas do humor, redução do apetite, dificuldade no raciocínio, na concentração e memória, dores de cabeça, perda do controle dos seus comportamentos (impulsos), atitude negativa e baixa resistência física á dor,
Nota : Observei indivíduos, em tratamento, descompensados psicologicamente, que apresentaram alguns destes sintomas, sem que o seu problema estivesse relacionado com drogas (ex. comportamento compulsivo ao sexo).

 Fase da “Lua-de-mel” 16 - 45 dias de abstinência

Alguns Sintomas : “Andar na lua”, euforia, super-confiante - “ Está tudo bem…Sinto bem ”, Conseguiu ultrapassar a ressaca - sinonimo de dor e sofrimento vs. alivio. Demasiado optimista, negação e ambivalência, o aidcto interrompeu a compulsividade associado aos consumos, e nesta fase pensa que agora já consegue consumir drogas ou álcool de uma forma controlada, conhece outras pessoas que têm o desejo de parar de usar drogas, aprende que a adicção às substâncias psicoactivas é uma doença.

Fase “Barreira”/”Obstáculo” 46 - 120 dias de abstinência

Alguns Sintomas : depressivo, isolamento, ideações suicidas, ansiedade, negação, assumir pequenos compromissos para a mudança de comportamentos, recuperação física estável, confronto com a realidade e consequências negativas da adicção,  flashbacks , novas amizades, surgem as duvidas e receios (reservas/negociação) quanto a manter-se abstinente de drogas incluindo o álcool e os canabinoides (haxixe e a erva) - “ Afinal, até não fazem mal a ninguém… ”.

 Desejo ou comportamento impulsivo para voltar a consumir drogas, incluindo o álcool e cocaína, reaprender a gostar de si próprio, apatia e aborrecimento, frustração e desapontado consigo (ex. vergonha e sentimento de culpa), irritabilidade e intolerância, perigo de recaída e abandonar o programa de tratamento/recuperação contra a opinião da família e profissionais, baixa auto-estima, confusão e pessimismo, raiva e ressentimento, vulnerabilidade emocionalmente, reconhecimento das responsabilidades, procura de “recompensas” e em agradar às outras pessoas.

Desonestidade, reaprende a relacionar-se em grupo/comunidade - interagir com os seus pares, desinteresse, disfunção sexual ou desenvolver relações românticas e/ou sexuais como forma de se alienar da sua realidade ( acting-out [i]), adquire a capacidade de raciocinar com clareza, restabelecer relacionamentos saudáveis e com limites, os medos do futuro “desconhecido” são menos intensos, inicia a esperança de uma vida saudável, refeições regulares, hábitos de sono saudáveis “ recompensador ”

 Adaptação vs. Ambivalência 121 a 180 dias / 4 a 6 meses de abstinência

Comportamentos mais Comuns : Retorna a situações de alto risco, redução da percepção do perigo de deslize - reduz os comportamentos que promovem a abstinência/recuperação.

Área cognitiva : Redução da frequência e intensidade nos pensamentos e vontades de usar (ex. cocaína). Pensamento positivo e realista. Desenvolvimento de novos interesses. Questiona: “ Afinal, o que é a Adicção?"

Sintomas emocionais : Redução da depressão (tristeza), da ansiedade e da irritabilidade todavia continua aborrecido e tendência para o isolamento.

Relacionamentos Afectivos e Românticos : Os problemas antigos da relação re-emergem. Envolvimento em relacionamentos disfuncionais (sem limites saudáveis ou valores -  acting out  e recaídas). Resiste ao apoio/ajuda a resolver os problemas na relação.

Fase da Reabilitação 180 dias (6 meses abstinência)

Comportamentos mais Comuns : Surgimento de comportamentos impulsivos – excesso de trabalho, ganhar dinheiro (ostentação, insegurança emocional, aprovação social ou familiar), sexo (ex. prostituição, masturbação, pornografia) relações românticas disfuncionais (dependência emocional/Codependência), gastar dinheiro acima do orçamento mensal, jogo (ex, casinos, internet), alimentação (ex. ingestão compulsiva de alimentos, voracidade – “comer em cima dos sentimentos desconfortáveis” ansiedade e raiva), deslizes (usar álcool ou canabinoides - haxixe e erva).

Área Cognitiva : Questiona a necessidade de monitorização e apoio para a sua abstinência a longo-prazo. Novos ideais / valores emergem.

Sintomas emocionais : Conflito entre os princípios de recuperação vs. necessidade das relações ex. “Vive e deixar viver”, definir limites saudáveis, largar o controle e entregar.

Fase da Consolidação - “Arrumar o sótão” - Aplicação dos princpios de Recuperação  –  M.E.V .)  1º ano até ao 5º ano de abstinência

Nesta fase decisiva, o indivíduo “arruma o sótão” consolida os seus comportamentos/princípios, adquiridos à através da Abstinência/recuperação (MEV), a uma forma de estar na família, na comunidade e na sociedade - cidadão activo e consciente da sociedade. Identifica factores de risco e factores de protecção. Assuem o compromisso de monitorizar os comportamentos de risco e os comportamentos de proteção. Contraria o estigma imposto pela sociedade “Uma vez drogado ou alcoólico; drogado e alcoólico para sempre.” Integração activa na sociedade. Em alguns casos, alguns individuos estão disponiveis para ajudar outras pessoas com o mesmo problema de dependencias
Recaídas ocasionais (períodos de abuso de substância adictivas) após o inicio/primeiro ano de abstinência. Estes episódios fazem parte integrante deste processo de aprendizagem e desenvolvimento individual.

Confiança, auto-estima, a inter-ajuda, a honestidade são “ferramentas” básicas no dia-a-dia.
Aprende o que é a Adicção. Esperança num futuro “normal”.

A doença da adicção às substâncias adictivas (auto-medicação), está controlada, através da abstinência duradoura.

 Fase da Recuperação (M.E.V.) 5º ano de abstinência até à “Eternidade”

Adopção de princípios espirituais, não religiosos sem dogmas e divindades, ajudando outros através de um novo modo de vida a iniciarem a sua jornada de recuperação (Grupos de Ajuda Mutua).

Viver segundo princípios espirituais, não religioso sem dogmas e divindades - Perdoar, renovar a Fé num Poder superior -  seja   Ele,   Ela e/ouCoisa ,  não castigador e não idolatrado pelos humanos,  “peregrinação” - proposito e sentido - na busca de novos valores, crenças e decisões baseados na aceitação, na unidade (Nós vs Eu), na tolerância, solidariedade, na gratidão, na auto-realização, dar e receber, confiança e honestidade.

Surge um novo modo de vida, transparente e íntegro, sem segredos " tóxicos ", a um nível único e sublime que alguma vez existiu e pensou possível viver. Alguns sonhos tornam-se realidade.
“Mais será revelado” e Recuperar é que esta a dar.

Nota : Algumas destas fases de recuperação adoptam-se a outros comportamentos adictivos. Gostaria de salientar que alguns indivíduos em recuperação de substâncias adictivas, lícitas, incluindo o alcool e as ilícitas, desenvolvem paralelamente, outros tipos de comportamento compulsivo (jogo patológico, dependência emocional nas relações, sexo, compras, distúrbios alimentares, actividade compulsiva no trabalho, etc.). Três areas a permanecer atento em recuperação - sexo, comida e dinheiro.


 [i]  Acting Out  – termo utilizado para descrever comportamentos impulsivos/disfuncionais com base nas emoções e em crenças aprendidas ao longo da vida - “familiares”. Os individuos agem com base na gratificação imediata, no imediatismo, não pensam, agem. Este mecanismo pode ser inconsciente para o individuo assim boicotar os comportamentos sãos associados à qualidade de vida (recuperação).

fonte 

 imagem: google 
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