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21.11.17

das incoerências

Oh, Lord!

Como é que pode caber tanta incoerência num único ser? Por que eu sou tão doida assim?

Como é que consigo achar certas damas curves e plus lindíssimas, como é que faço a campanha ##lindadodia no meu Instagram, mas toda segunda-feira quero quebrar a casa inteira por me sentir mal dentro de um corpo que ingeriu "alimentos proibidos" no final de semana? .

Não tenho começado dietas às segundas-feiras, mas tenho odiado minhas coxas e o peso da minha bunda com todas as minhas forças; tenho me culpado por ter "comido errado" no final de semana e "não estar compensando com malhação dobrada". .

Honestamente não sei o que é pior: se não "fazer nada" para emagrecer e ficar sentindo culpa ou comer pouquíssimo e super limpo como antes, correndo o risco de adoecer. .

Tenho pensado bastante sobre isso e, pensando bem, talvez eu não esteja sendo incoerente, talvez (com certeza!) eu seja apenas MUITO mais dura e severa comigo do que com os outros. .

Taí, quem sabe meu desafio para encontrar um caminho do meio nessa questão alimentação x corpo seja esse: ser tão bacana comigo como sou com os outros. .

Será que consigo me deixar em paz um dia? 

 monicamontone 


competitividade feminina imaginária


Estou sentada à mesa de um Café com um body branco sem costas e um short esportivo rosa. Apesar do dia chuvoso faz calor no Rio. .

O Café, na verdade, é uma padaria de luxo onde se come os melhores croissants da cidade, mas como os comi ontem, hoje passo vontade e bebo apenas um chá. .

Uma garota (gordinha) se senta ao meu lado com o namorado. Eles notam a minha presença. A garota que tinha chegado sorridente agora está emburrada comendo seus croissants sem dirigir uma única palavra ao namorado. Sim, o namorado olhou para mim algumas vezes. 

A garota engole seus croissants com manteiga e olha para mim aparentemente com raiva. 

Mal sabe ela que acordei odiando com todas as minhas forças o tamanho das minhas coxas e que me chamei de porca hoje em frente ao espelho somente porque esse final de semana fiz uma farra gastronômica.

Mal sabe ela que fiquei olhando uma garota magérrima - e toda descolada, com look rocker -  que estava no local, pouco antes dela chegar, e que pensei "tenho um vestido parecido, mas não tô entrando nele porque estou imensa". 

Como sou mais magra do que a namorada do idiota que mesmo acompanhado olha para outras mulheres ela deve achar que minha vida é perfeita. 

Ela deve estar sentindo culpa por estar comendo carboidrato enquanto eu bebo chá. Ela deve achar que eu sou mais magra do que ela porque não como croissant. Ela deve achar que o idiota ao seu lado olha para outras mulheres porque "ela é uma porca que come carboidrato". 

Até quando vamos estragar os nossos rolês por conta de competitividade imaginária e suposições delirantes acerca da vida alheia? 

O ciúme do boy é ciúme dele, de fato, ou medo de que ele considere alguém melhor? 

Até quando vamos achar que a beleza de outra mulher é uma ameaça para nós? 

E por fim, até quando vamos permitir que comportamentos desrespeitosos e deselegantes como o do rapaz funcionem como ratificação de menos valia? 

monicamontone 


imagem: google

body positivity


Mas gata, eu não tô entendendo! Você é magra, tá reclamando de quê? 

E por que diabos está falando sem parar de body positivity no seu Instagram?

Outra coisa, você é ovo-lacto-vegetariana, come super saudável, nem costuma jacar.

Tá, você teve uma passagem breve por um quadro de bulimia na adolescência, mas não chegou a desenvolver o transtorno.

Não tô entendendo sua question. 

Well, vamos lá:

Yes, sou magra, mas engordei 8 quilos nesse um ano sem fumar.

Para além da questão estética, eu me sinto mais cansada do que antes nas atividades aeróbicas e minhas roupas de outrora têm me deixado parecendo uma linguiça de tão arrochada que fico nelas. .

Ok, não desenvolvi o transtorno alimentar, mas não tenho uma relação 100% saudável com a comida - sinto culpa quando como doce e me cobro nunca sair do peso. .

O body positivity, bem, a proposta me parece encantadora, uma vez que vivemos em guerra com nosso corpo (quando não é o peso é o cabelo, quando não é o cabelo é o dente, o nariz, o tamanho do peito, etc) e se faz urgente praticarmos a autoaceitação. 

Portanto creio que "positividade corporal" é o que todos nós precisamos: olhar com mais amor e carinho para essa máquina incrível que nos leva de cá pra lá todos os dias.  Basta uma gripe forte ou uma perna quebrada para percebermos como DE FATO ter saúde é o que realmente importa.

Penso que temos que aprender a (re)treinar a nossa mente para o amor à diversidade estética, para a beleza além dos limites e dos padrões - somente assim vamos parar de guerrear com nossos corpos e com o julgamento desnecessário ao corpo alheio. .

Question: até quando a insatisfação com a nossa imagem vai dar dinheiro para a "indústria da beleza"? 

Quanto a ser ovo-lacto-vegetariana e comer suuuuuper saudável e não "jacar"... rá rá rá.

Sim, como super bem, não abro mão de legumes, hortaliças, frutas e grãos, amo saladas bem temperadas e sopinhas, mas sou LOUCA por batata frita, bolinha de queijo, pastel de queijo de feira, macarrão, coca-zero, brigadeiro, saquê e champanhe. Eu apenas não como nenhum tipo de carne, mas o resto? Tamuaí na atividade.

Se ainda não entendeu, tranquilo! Nem eu me entendo às vezes.

monicamontone


imagem: google
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