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21.11.17

balanço geral após um ano se fumar

Sim, eu ganhei uns bons quilinhos depois que parei de fumar. Mas será que foi por conta (somente) da retirada das substâncias químicas?

Afinal, nesse meio tempo eu saí de uma dieta ultra restritiva, tive depressão, crises ansiosas, insônia  e estresse (que sabemos, aumenta o cortisol), crises de pânico.

Foram muitos os momentos em que me frustrei, pois não cometi excessos na alimentação e continuei minhas atividades físicas mesmo na fase da depressão.

Pesquisando bastante sobre o tema, encontrei algumas boas respostas para o ganho de peso que acomete 4 de cada 5 ex-fumantes:

1. O metabolismo fica mais lento e passa a queimar menos calorias que antes -  portanto a alimentação de antes, mesmo sendo saudável, não é “queimada” como antes;

2. Uma bactéria que só é encontrada no intestino de pessoas obesas passa a viver no intestino do ex-fumante por tempo;

3. Aumento das porções (repetir o prato) e aumento de ingestão de doces;

Meu desafio, agora, após um ano sem fumar, é não odiar meu corpo. Éagradecer por ele ter atravessado essa jornada comigo, ter sobrevivido à depressão e às crises ansiosas, não ter se viciado no Rivotril e, claro, ter permitido que eu abandonasse a nicotina.

Meu desafio, agora, é olhar com carinho para a bulimia quemanifestei na adolescência -  e que hoje me gera não um Transtorno Alimentar, mas um comer transtornado -  e descobrir o que ela tem a ensinar sobre mim.

É me amar pelo que sou e não apenas porque gosto da imagem refletida no espelho; é me amar pelo que faço, acredito, penso, realizo e não somente pela minha beleza.

Meu desafio, agora, é aceitar que posso não ser perfeita em tudo, mas posso ser perfeitamente banana em tudo que faço; é me perdoar pelos meus erros e ser legal comigo como sou com os outros.

E por fim, perder os quilinhos adquiridos, rarará, porém sem restrições malucas, de forma equilibrada, consciente, comendo intuitivamente.

Ah, claaaaaaro, o principal: me manter firme no propósito de não fumar.

Abaixo uma foto do meu corpo possível, tirada semana passada, num dia de sol no Rio de Janeiro, a caminho da praia.

Como vocês podem perceber, o ganho de peso não foi assustador como algumas garotas acham que pode acontecer se abandonarem o cigarro. 

É chatinho? É chatinho! Minhas mini-saias não estão passando no bumbum, meu rosto está mais redondo e isso me irrita, mas... Hoje em dia ninguém gosta de engordar, mesmo quem não tem Transtorno Alimentar ou alimentação transtornada, todavia não é o fim do mundo e (quero crer!) é perfeitamente contornável. 

No mais, bens meus, estarei fora do Rio por uns dias e até retornar vou manter ativo apenas o Instagram do Parei de fumar e não engordei

Tenho postado todos os dias dicas e reflexões por lá e vou manter o mesmo ritmo durante a viagem, portanto, se você ainda não segue, chegue mais.

Ah, antes que eu me esqueça, o link diário de uma abstinência está bastante completo e conta com toda a minha saga para vencer o cigarro mês a mês, além de boas dicas enjoy.


Au revoir.

monicamontone


meu corpo possível: 12 meses sem fumar, 8kg a mais

sobre recaída

Foram seis tentativas fracassadas de parar de fumar antes de conseguir. 

Mas será que as tentativas anteriores foram, mesmo, fracassadas? 

Claro que não! Foram elas que construíram minha conquista de agora. 

Eis meus ciclos de recaída:

1. Depois de um ou dois meses sem fumar eu acreditava que estava no controle da situação e que podia perfeitamente fumar "somente quando bebia". 

Isso nunca dava certo! Em menos de uma semana já estava comprando maço - viciados de qualquer tipo de droga devem entender que não podem dar uma tragadinha ou um golinho.

2. Qualquer ganho de peso me levava à nocaute, bastava um short ficar apertado para eu ter uma crise de choro e decidir pensar no cigarro depois. .

Ou seja? Os dois fatores me levavam de volta ao vício tinham a mesma raiz: necessidade de controle e incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. .

Portanto eu sabia que para deixar de fumar eu teria que (obrigatoriamente) olhar para essas questões. .
 Além de querer parar de fumar dessa vez EU QUIS me libertar da necessidade de controle e quis investigar a minha incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. 

E tome terapia! Mas não tem jeito, vencer vícios é enfrentar monstros.

Outras lições de recaídas passadas: que yoga ameniza ansiedade, que não se deve dar um mísero trago usando selo ou chiclete de nicotina, que parar "na louca" sem planejamento nem sempre funciona, que o quarto mês é o mais difícil de todos, que é preciso tirar folga ou férias nas primeiras semanas, que chás ajudam na hora da fissura, que no início o humor fica pior que TPM , que insônia e falta de concentração fazem parte do pacote, que atividade física é fundamental para regular o humor e que sim, infelizmente rola uma engordadinha contornável.

O mais importante que aprendi? A não desistir! Quando recaímos morremos de vergonha das pessoas que nos apoiaram, nos sentimos um lixo, um fracasso. .

No entanto É PRECISO ENTENDER que parar de fumar é um PROCESSO e que recair faz parte. O lance é tentar de novo e de novo e de novo. .

Todas as vezes que recaí tive vergonha, mas me perdoei e segui em frente na certeza de que tentaria novamente no futuro.

Recaiu? Dê tempo ao tempo e tente outra vez!

monicamontone 



imagem: google

competitividade feminina imaginária


Estou sentada à mesa de um Café com um body branco sem costas e um short esportivo rosa. Apesar do dia chuvoso faz calor no Rio. .

O Café, na verdade, é uma padaria de luxo onde se come os melhores croissants da cidade, mas como os comi ontem, hoje passo vontade e bebo apenas um chá. .

Uma garota (gordinha) se senta ao meu lado com o namorado. Eles notam a minha presença. A garota que tinha chegado sorridente agora está emburrada comendo seus croissants sem dirigir uma única palavra ao namorado. Sim, o namorado olhou para mim algumas vezes. 

A garota engole seus croissants com manteiga e olha para mim aparentemente com raiva. 

Mal sabe ela que acordei odiando com todas as minhas forças o tamanho das minhas coxas e que me chamei de porca hoje em frente ao espelho somente porque esse final de semana fiz uma farra gastronômica.

Mal sabe ela que fiquei olhando uma garota magérrima - e toda descolada, com look rocker -  que estava no local, pouco antes dela chegar, e que pensei "tenho um vestido parecido, mas não tô entrando nele porque estou imensa". 

Como sou mais magra do que a namorada do idiota que mesmo acompanhado olha para outras mulheres ela deve achar que minha vida é perfeita. 

Ela deve estar sentindo culpa por estar comendo carboidrato enquanto eu bebo chá. Ela deve achar que eu sou mais magra do que ela porque não como croissant. Ela deve achar que o idiota ao seu lado olha para outras mulheres porque "ela é uma porca que come carboidrato". 

Até quando vamos estragar os nossos rolês por conta de competitividade imaginária e suposições delirantes acerca da vida alheia? 

O ciúme do boy é ciúme dele, de fato, ou medo de que ele considere alguém melhor? 

Até quando vamos achar que a beleza de outra mulher é uma ameaça para nós? 

E por fim, até quando vamos permitir que comportamentos desrespeitosos e deselegantes como o do rapaz funcionem como ratificação de menos valia? 

monicamontone 


imagem: google

a decisão de parar de fumar

Mas Mônica, por que você parou de fumar se você gostava tanto?! .

Para o meu espanto ouvi essa pergunta de fumantes e ex-fumantes várias vezes. .

Gente! Para! Parar de fumar não é o mesmo que cortar o glúten para dar uma enxugadinha ou parar de tomar café para não estragar o clareamento do dente. .

Não é o mesmo que fazer uma escova progressiva ou colocar unhas postiças. .

Parar de fumar não é o mesmo que escolher fazer mechas no cabelo ou não, usar um look minimalista ou rocker. .

Parar de fumar não é uma questão estética que podemos ou não experimentar. Fumar mata! .

No Brasil, "segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de mulheres possuem o vício de fumar, sendo que o cigarro é responsável pela morte de 40% das mulheres brasileiras com menos de 65 anos". (Jornal O Cruzeiro) .

E morrer não necessariamente tem a ver com um ataque fulminante do coração, meu povo: ficar inválido sobre uma cama, totalmente dependente de alguém e sentindo dores é uma possibilidade bastante real para quem fuma há anos e sequer pensa em parar. .

Quase ninguém conta com uma doença debilitante decorrente do tabagismo.

Bem na verdade quando somos fumantes cagamos e andamos para essas estatísticas, achamos que elas não vão nos alcançar. Mas quem é que pode garantir? .

Por que eu parei de fumar? Adoraria dizer que foi por conscientização disso tudo, mas não foi. Os motivos reais foram 2: .

1) o cigarro não combinava com meu estilo de vida há tempos; 2) necessidade de libertação de todas as amarras. Ou seja, foi um movimento interno. .

Você que ainda fuma: já parou para se perguntar por que ainda se mantém ligado a essa muleta? 

monicamontone 





imagem google

por que parar de fumar engorda


Finalmente um profissional que não fica apenas no blábláblá de que "o paladar e o olfato melhoram e a pessoa passa a comer mais depois que abandona o cigarro"; finalmente o famoso "quem para de fumar desconta a ansiedade na comida" deixou de imperar.

Ok, essas duas explicações são procedentes, porém o principal fator para o ganho de peso ao deixar o cigarro é outro: o metabolismo desacelera.

Palavras do médico Ciro Kirchenchtjn:

"Quando pessoa fuma ela aumenta o monóxido de carbono e isso aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial (o que não é bom); aumenta a adrenalina no sangue e isso aumenta o metabolismo (aumentando o metabolismo a pessoa queima mais). Se a pessoa para de fumar ela diminui sua adrenalina, sua necessidade calórica diminui então SE ELA MANTIVER SUA DIETA ELA VAI ENGORDAR". Assista ao vídeo abaixo.

Eu não passei a comer diferente depois que parei de fumar, não passei a beliscar o dia todo, não me joguei nos doces, continuei minhas atividades físicas. .

Então de onde estavam vindo aqueles quilinhos? Da dieta DE SEMPRE - e quando digo dieta, aqui, estou querendo dizer modelo alimentar seguido.

Obrigada doutor Ciro Kirchenchtjn por esclarecer. 

E agora, José? O que a gente faz com essa informação? Abandona o projeto da alimentação intuitiva e parte para um pequena restrição e/ou controle de calorias? .

E agora, José, que no meu caso a retirada da nicotina + restrição alimentar levou à depressão? .


monicamontone 



quero parar de fumar, e agora?

Como já disse outras vezes por aqui, estou na minha sétima tentativa de abandonar o cigarro.

Aprendi muita coisa em cada recaída e credito meu sucesso de agora a duas coisas:

1. Ao que cada recaída me ensinou (vou falar sobre isso em outra postagem)

2. Ao desejo de ser a melhor versão de mim.

Pela primeira vez eu não quis apenas parar de fumar por este ou aquele motivo. Eu quis me tornar uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, mais madura, mais segura, mais real, mais saudável, livre de qualquer vício ou amarras e o cigarro, definitivamente, não combinava com a nova versão que eu queria ser. .

Evidentemente eu não imaginava que a busca por essa nova Mônica fosse me trazer tanto sofrimento, mas todo crescimento envolve uma certa parcela de dor, não é mesmo? .

Enquanto eu quis parar porque "era o certo a fazer", "era o melhor para a minha saúde", "era o melhor para a minha pele e dentes", eu não consegui. .

Todo fumante carrega consigo um alter-ego de rebeldia e fazer algo "porque é o que deve ser feito" não é compatível com esse alter-ego, tampouco o convence e aí mesmo é que ele junta forças com outras instâncias do nosso ser para impedir "que nos tornemos uns bundões". .

É preciso que haja um querer SINCERO e PROFUNDO de crescimento pessoal para se abandonar qualquer tipo de vício. .

Somente quando queremos profundamente nos tornar a melhor versão de nós mesmos é que juntamos energia, força e argumentos sólidos para amansar nosso alter-ego e demais instâncias do ser que desejam a manutenção do vício.

Quer parar de fumar SINCERAMENTE?

Comece se perguntando o motivo real e inicie um planejamento.

Vá se aproximando da ideia primeiro! Tente imaginar como seria a vida sem cigarro e, principalmente, tente se lembrar quando, onde, como e por que exatamente começou a fumar.

Você sabe qual emoção te levou para o cigarro?

Necessidade de aceitação? Fuga? Timidez? Autoafirmação? Solidão? Essa emoção ainda hoje está presente? .

Tire dez minutos do seu dia para sentar, respirar, se conectar com suas emoções e REPENSAR sua relação com o cigarro desde os primórdios, o que ele simboliza HOJE para você.

E boa sorte! 

monicamontone 


imagem: google

5.11.17

o dia em que eu chorei por causa de um boomerang

Se o Instagram e o Facebook não existissem eu teria chorado após me sentir (vir) gorda no Boomerang?

A resposta sociocultural eu não sei, mas a minha pessoal não tenho dúvida: não.

Acordei num dia de good hair, ô glória! Com os cabelos anelados ao modo e gosto da chefe: volume e textura no ponto. 

Coloquei um vestido rosa vibrante, passei um batom vermelho e amei a imagem que vi no espelho.

Comi uma salada de frutas + um chá de limão com gengibre de café da manhã e depois fui conhecer o comércio local. Acabei comprando um biquíni nude de veludo molhado maravilhoso. Enquanto experimentava, uma senhorinha que entrava na loja disparou "ficou lindo em você porque seu corpo é ótimo". Oba, quem é que não não gosta de um elogio gratuito, né?

Almocei uma super salada com tapioca e ovos mexidos, escrevi um texto interessante - sobre nossa relação com o ganho de peso alheio - e me senti extremamente satisfeita comigo e com o mundinho ao meu redor.

A paisagem tropical-cinza tinha uma contradição pungente. "Gosto de praia com céu cinza, gosto mesmo".

Eu estava na companhia do meu grande amor, o cabelo havia amanhecido bom e eu tinha parido um texto lúcido e bem escrito.  O que mais eu poderia querer? A comida estava boa, a música também. O cenário perfeito. 

Teve até comprinha do biquíni (ô coisa boa) naquele dia. Mas de repente...

De repente não mais que de repente eu tive a brilhante ideia de fazer um Boomerang. Mais que isso, resolvi postar um Boomerang no Instagram. 

Quatro vizualiações e duas curtidas depois, printei  e... Cabum! A bomba explodiu.

Que barriga era aquela? Fiquei completamente transtornada, irritada, mal humorada, grosseira. 

Corri para olhar a foto que tirei usando o mesmo vestido só que na época em que ainda fazia reposição de nicotina. A diferença era gritante, berrante.

Tirei o Boomerang do ar. Abri o berreiro.

E o Boomerang era tão divertido! Era a lembrança de um dia tão bom!..

Só parei de chorar depois que sentei para escrever esse texto.  Só parei de chorar quando me dei conta de que meu dia estava ótimo e que eu estava me sentindo linda antes do maldito Boomerang.

Foram quase 40 minutos de negociação com a minha mente adoecida para que ela não estragasse meu dia por completo, para que ela percebesse que eu estava feliz e tendo um dia ótimo apesar da barriga estar maior que o normal, apesar de estar atravessando um momento que quase todos experimentam ao deixar de fumar  e que cedo ou trade ia retomar "a forma original".

Pergunta que não quer calar: nos incomodamos com o nosso peso (corpo) ou nos incomodamos com o peso do olhar (crítica/julgamento) do outro? 

Sim, porque antes de postar o Boomerang meu dia estava pleníssimo. Ou sou a única a experimentar esse tipo de doidice? 

E quem será esse outro, afinal, uma vez que as pessoas que me cercam estão me achando linda do jeito que eu estou e me amam do jeito que eu sou? Se as pessoas que me amam estão vibrando com minha conquista de ter parado de fumar sem atentar para os efeitos colaterais disso?

Por que associo sem querer quilos a mais com afeto de menos?

texto escrito no celular, na praia do Francês/junho

monicamontone 









print do Boomerang que me fez chorar (é muita loucura, não?)

30.10.17

conheça todas as etapas da síndrome de abstinência

Compartilho com vocês um artigo que achei interessante sobre as fases da abstinência, escrito por João Alexandre Rodrigues. Ele fala basicamente sobre álcool, maconha e cocaína, no entanto não vejo diferença no sofrimento psico-químico do viciado de uma ou outra droga e após um ano sem cigarro posso dizer que experimentei na pele muitas das coisas que ele cita. Falei sobre abstinência e o sentimento de solidão, aqui.

Fases de recuperação através da abstinência -  drogas 


Ao longo dos anos tenho observado indivíduos dependentes de substâncias psico activas / adictivas, lícitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas que são admitidos em tratamento, quer seja em regime residencial de internamento ou através das consultas tradicionais presenciais (terapia individual), e ao mesmo tempo, também acompanho individuos que permanecem abstinentes, como parte do seu programa de recuperação duradoura, a que apelido de mudança de estilo de vida (M.E.V.) através de princípios espirituais - não religioso, sem dogmas e divindades - que promovem o conhecimento interior das suas emoções, auto-conceito, competências e talentos, e uma conexão emocional com os outros e o mundo a sua volta (integração activa na sociedade).

Após a admissão em tratamento, em regime residencial de internamento,  é iniciada a primeira fase ( crucial ) - interrupção do consumo de substâncias psicoactivas (auto-medicação de drogas, incluindo o álcool) geradoras de problemas e consequências negativas, ex. perda do controlo dos seus comportamentos, problemas de saúde e familiares, legais e profissionais. Para alguém dependente de drogas, incluindo o álcool, este “passo” é realmente assustador.

A síndrome da Abstinência (Ressaca - dor/sofrimento físico e psicológico) dura aproximadamente entre 15 a 30 dias, cada caso um caso. Hoje em dia, o sofrimento é mitigado por outras drogas lícitas, receitadas por médicos, que permitem ao indivíduo o desmame gradual das substâncias psicoactivas/adictivas até ficar abstinente - “limpo”.

Existem porém casos excepcionais de indivíduos que por um conjunto de razões/sintomas clínicos necessitam de recursos extra e mais prolongados (medicação - monitorizada pelo medico) a fim de permanecerem compensados e estáveis de forma a conseguirem assimilar e aderir ao programa de tratamento. Muitos destes casos, podem estar relacionados com as consequências da dependência das drogas (ex. neuroquímica do cérebro).

 Fase Sindroma de Abstinência (Ressaca) 0 – 15 dias de abstinência

Alguns sintomas físicos e psicológicos : Cansaço, vómitos, vontade em usar drogas, incluindo o álcool (nesta fase, conheci indivíduos que ingeriram “ aftershave ” e álcool puro), pesadelos, suores frios, insónia, irritabilidade, deprimido, angustia e ansiedade, alterações extremas do humor, redução do apetite, dificuldade no raciocínio, na concentração e memória, dores de cabeça, perda do controle dos seus comportamentos (impulsos), atitude negativa e baixa resistência física á dor,
Nota : Observei indivíduos, em tratamento, descompensados psicologicamente, que apresentaram alguns destes sintomas, sem que o seu problema estivesse relacionado com drogas (ex. comportamento compulsivo ao sexo).

 Fase da “Lua-de-mel” 16 - 45 dias de abstinência

Alguns Sintomas : “Andar na lua”, euforia, super-confiante - “ Está tudo bem…Sinto bem ”, Conseguiu ultrapassar a ressaca - sinonimo de dor e sofrimento vs. alivio. Demasiado optimista, negação e ambivalência, o aidcto interrompeu a compulsividade associado aos consumos, e nesta fase pensa que agora já consegue consumir drogas ou álcool de uma forma controlada, conhece outras pessoas que têm o desejo de parar de usar drogas, aprende que a adicção às substâncias psicoactivas é uma doença.

Fase “Barreira”/”Obstáculo” 46 - 120 dias de abstinência

Alguns Sintomas : depressivo, isolamento, ideações suicidas, ansiedade, negação, assumir pequenos compromissos para a mudança de comportamentos, recuperação física estável, confronto com a realidade e consequências negativas da adicção,  flashbacks , novas amizades, surgem as duvidas e receios (reservas/negociação) quanto a manter-se abstinente de drogas incluindo o álcool e os canabinoides (haxixe e a erva) - “ Afinal, até não fazem mal a ninguém… ”.

 Desejo ou comportamento impulsivo para voltar a consumir drogas, incluindo o álcool e cocaína, reaprender a gostar de si próprio, apatia e aborrecimento, frustração e desapontado consigo (ex. vergonha e sentimento de culpa), irritabilidade e intolerância, perigo de recaída e abandonar o programa de tratamento/recuperação contra a opinião da família e profissionais, baixa auto-estima, confusão e pessimismo, raiva e ressentimento, vulnerabilidade emocionalmente, reconhecimento das responsabilidades, procura de “recompensas” e em agradar às outras pessoas.

Desonestidade, reaprende a relacionar-se em grupo/comunidade - interagir com os seus pares, desinteresse, disfunção sexual ou desenvolver relações românticas e/ou sexuais como forma de se alienar da sua realidade ( acting-out [i]), adquire a capacidade de raciocinar com clareza, restabelecer relacionamentos saudáveis e com limites, os medos do futuro “desconhecido” são menos intensos, inicia a esperança de uma vida saudável, refeições regulares, hábitos de sono saudáveis “ recompensador ”

 Adaptação vs. Ambivalência 121 a 180 dias / 4 a 6 meses de abstinência

Comportamentos mais Comuns : Retorna a situações de alto risco, redução da percepção do perigo de deslize - reduz os comportamentos que promovem a abstinência/recuperação.

Área cognitiva : Redução da frequência e intensidade nos pensamentos e vontades de usar (ex. cocaína). Pensamento positivo e realista. Desenvolvimento de novos interesses. Questiona: “ Afinal, o que é a Adicção?"

Sintomas emocionais : Redução da depressão (tristeza), da ansiedade e da irritabilidade todavia continua aborrecido e tendência para o isolamento.

Relacionamentos Afectivos e Românticos : Os problemas antigos da relação re-emergem. Envolvimento em relacionamentos disfuncionais (sem limites saudáveis ou valores -  acting out  e recaídas). Resiste ao apoio/ajuda a resolver os problemas na relação.

Fase da Reabilitação 180 dias (6 meses abstinência)

Comportamentos mais Comuns : Surgimento de comportamentos impulsivos – excesso de trabalho, ganhar dinheiro (ostentação, insegurança emocional, aprovação social ou familiar), sexo (ex. prostituição, masturbação, pornografia) relações românticas disfuncionais (dependência emocional/Codependência), gastar dinheiro acima do orçamento mensal, jogo (ex, casinos, internet), alimentação (ex. ingestão compulsiva de alimentos, voracidade – “comer em cima dos sentimentos desconfortáveis” ansiedade e raiva), deslizes (usar álcool ou canabinoides - haxixe e erva).

Área Cognitiva : Questiona a necessidade de monitorização e apoio para a sua abstinência a longo-prazo. Novos ideais / valores emergem.

Sintomas emocionais : Conflito entre os princípios de recuperação vs. necessidade das relações ex. “Vive e deixar viver”, definir limites saudáveis, largar o controle e entregar.

Fase da Consolidação - “Arrumar o sótão” - Aplicação dos princpios de Recuperação  –  M.E.V .)  1º ano até ao 5º ano de abstinência

Nesta fase decisiva, o indivíduo “arruma o sótão” consolida os seus comportamentos/princípios, adquiridos à através da Abstinência/recuperação (MEV), a uma forma de estar na família, na comunidade e na sociedade - cidadão activo e consciente da sociedade. Identifica factores de risco e factores de protecção. Assuem o compromisso de monitorizar os comportamentos de risco e os comportamentos de proteção. Contraria o estigma imposto pela sociedade “Uma vez drogado ou alcoólico; drogado e alcoólico para sempre.” Integração activa na sociedade. Em alguns casos, alguns individuos estão disponiveis para ajudar outras pessoas com o mesmo problema de dependencias
Recaídas ocasionais (períodos de abuso de substância adictivas) após o inicio/primeiro ano de abstinência. Estes episódios fazem parte integrante deste processo de aprendizagem e desenvolvimento individual.

Confiança, auto-estima, a inter-ajuda, a honestidade são “ferramentas” básicas no dia-a-dia.
Aprende o que é a Adicção. Esperança num futuro “normal”.

A doença da adicção às substâncias adictivas (auto-medicação), está controlada, através da abstinência duradoura.

 Fase da Recuperação (M.E.V.) 5º ano de abstinência até à “Eternidade”

Adopção de princípios espirituais, não religiosos sem dogmas e divindades, ajudando outros através de um novo modo de vida a iniciarem a sua jornada de recuperação (Grupos de Ajuda Mutua).

Viver segundo princípios espirituais, não religioso sem dogmas e divindades - Perdoar, renovar a Fé num Poder superior -  seja   Ele,   Ela e/ouCoisa ,  não castigador e não idolatrado pelos humanos,  “peregrinação” - proposito e sentido - na busca de novos valores, crenças e decisões baseados na aceitação, na unidade (Nós vs Eu), na tolerância, solidariedade, na gratidão, na auto-realização, dar e receber, confiança e honestidade.

Surge um novo modo de vida, transparente e íntegro, sem segredos " tóxicos ", a um nível único e sublime que alguma vez existiu e pensou possível viver. Alguns sonhos tornam-se realidade.
“Mais será revelado” e Recuperar é que esta a dar.

Nota : Algumas destas fases de recuperação adoptam-se a outros comportamentos adictivos. Gostaria de salientar que alguns indivíduos em recuperação de substâncias adictivas, lícitas, incluindo o alcool e as ilícitas, desenvolvem paralelamente, outros tipos de comportamento compulsivo (jogo patológico, dependência emocional nas relações, sexo, compras, distúrbios alimentares, actividade compulsiva no trabalho, etc.). Três areas a permanecer atento em recuperação - sexo, comida e dinheiro.


 [i]  Acting Out  – termo utilizado para descrever comportamentos impulsivos/disfuncionais com base nas emoções e em crenças aprendidas ao longo da vida - “familiares”. Os individuos agem com base na gratificação imediata, no imediatismo, não pensam, agem. Este mecanismo pode ser inconsciente para o individuo assim boicotar os comportamentos sãos associados à qualidade de vida (recuperação).

fonte 

 imagem: google 

sim, eu engordei e me frustro por isso

O problema é que quando eu fumava eu tinha uma “aparência” de vida saudável, mas estava longe de ser totalmente saudável. Meu café da manhã, por exemplo, se resumia a coca-zero muito gelada + dois cigarros + uma cápsula de alcachofra pra combater o enjoo e boca amarga de tantos cigarros fumados na madrugada anterior.

Além disso, fazia apenas duas boas refeições (com muita salada, legumes e grãos integrais, ok) ao dia e só.

O restante do dia era a base de coca-zero e cigarro. Simplesmente não tinha fome. Era capaz de passar 10 horas em jejum sem me dar conta. Não forçava a restrição, simplesmente não tinha fome e não me lembrava de comer.

Às vezes eu também trocava o jantar por um baldão de pipoca. Evitava pães e massas (refinados ou integrais), não comia doce (só chocolate na TPM às vezes) e ingeria bebida alcoólica só em ocasiões especiais.

Não comia fruta (tinha pavor à fruta), não bebia água e minhas atividades físicas se resumiam a caminhadas, pedaladas na praia e às vezes yoga. E fumava, fumava feito uma caipora, quase dois maços inteiros por dia. 

Eu não fazia tudo isso para me manter com 59/60kg, meu peso de sempre, mas porque essa era minha rotina, essas eram minhas necessidades.

Sempre que uma amiga dormia em casa e ficava assombrada na manhã seguinte com meu "café da manhã" e eu apenas ria e dizia: nunca tive fome pela manhã.

Como as coisas estão, hoje?

Continuo não tomando café da manhã, para o desespero dos nutricionistas, mas o que posso fazer se não tenho fome de manhã? Ao menos agora eu bebo água em jejum e não coca-zero e às vezes até arrisco um suco verde ou um mamão papaia com aveia.

Meu almoço continua saudável como sempre, meu jantar também. Mas passei de duas refeições para quatro ou cinco. Além de almoçar e jantar eu tenho comido generosas porções de frutas, mingau de aveia, banana com aveia e mel, tapioca com ovos mexidos, pipoca de panela, pão de queijo de frigideira (ovo, tapioca e requeijão batidos), chips de batata doce feito em casa.

Tudo saudável? Tudo saudável! Mas minhas porções dobraram, triplicaram, daí o meu ganho de peso. Óbvio! Ninguém engorda do vento.

Treino cinco dias por semana e aos finais de semana caminho no calçadão da praia. Não tenho comido doce, tenho bebido bem socialmente e somente nos finais de semana, continuo sem comer pães e massas e tenho feito atividade física diariamente (cardio + funcional).

Ou seja? Sinto MUITA frustração quando subo na balança e vejo que engordei 7kg.

Uma vida REALMENTE saudável (com atividade física regular, sem açúcar, baixo consumo de carboidratos refinados/processados, ingestão de frutas, 4 porções/refeições diárias, ingestão de água e chás, redução de refrigerante light) me levou a 7kg a mais na balança. Por mais que eu saiba que estou mais saudável essa matemática simplesmente não fecha na minha cabeça, a de que saúde = ganho de peso. 

Minha pele está mais bonita? Está! Estou com cara de gente saudável (porque realmente estou mais saudável)? Estou! Porém estou totalmente frustrada. Sei que não devia, que essa questão toda tem a ver com padrões pré-estabelecidos etc e tal, mas estou sendo honesta!

Não são dois ou três quilinhos, são sete!!!! Embora todos digam "não dá nem para perceber" eu percebo, minhas roupas percebem! Já pulei do 38/40 para o 42, já tive que soltar penses de calças; saias e vestidos justos que sempre amei continuam servindo, mas marcam coisas que não quero mostrar. É frustrante não caber nas próprias roupas, é frustrante perceber que a saia que ficava linda agora te deixa parecendo uma linguiça embalada à vácuo. 

Eu não preciso de reeducação alimentar, eu já como muito bem! Sou ovo-lacto-vegetariana e não como frituras, doces e carboidratos refinados quase nunca. Sempre AMEI saladas, legumes, grãos, chás -  o que alguns consideram "fazer dieta" para mim sempre foi minha alimentação normal.

Exercito-me duas horas por dia, estou longe de ser sedentária.

Qual seria a prescrição para mim? Dieta da luz? Virar rata de academia e passar 5h por dia treinando obsessivamente? 

Realmente, não sei. Realmente é MUITO frustrante.

Por ora o que vou (tentar) fazer é diminuir o tamanho das porções e beber ainda mais água e chá. Vamos ver se funciona.

Nota: escrevi esse texto dia 01/08/2017, ou seja, há quase três meses e de lá pra cá engordei 1kg. Para quem passou um mês fora de casa devido a uma viagem de trabalho achei ok. A segunda boa notícia é que por mais que eu me frustre com essa mudança indesejada no meu corpo no fundo eu sei que ela não é tão comprometedora assim e estou conseguindo lidar com essa questão com menos sofrimento. O motivo de estar sofrendo menos? Conto em outro post. 

monicamontone




fotos do final de semana passado/ 11 meses sem fumar/  67kg

23.8.17

parar de fumar: não basta ter apenas força de vontade

Hoje encontrei uma amiga que tem 80 anos e está sendo coagida a parar de fumar por conta de uma tosse que não melhora. Trata-se de uma mulher incrível, totalmente libertária e a frente do seu tempo, que tive o prazer de conhecer no meu escritório (leia: café que frequento).

Como a grande maioria das pessoas, H* acredita que parar de fumar é uma questão de força de vontade. Não é! Fiquei tentando convencê-la de que essa história de força de vontade é uma grande lenda urbana, uma fábula moderna mal contada.

É claro que é preciso ter o desejo de parar; que a pessoa tem que querer parar e, é claro, também, que ela deve ter força para resistir aos momentos mais agudos de desespero e abstinência.

No entanto, tenho para mim que a tal força de vontade representa apenas 20% do processo, sendo os outros 80% metade químico/fisiológico e metade psicológico-comportamental.

Somente quando aceitei que o vício era, sim, maior do que eu -  portanto maior que minha força de vontade -  consegui deixar o cigarro.

Foram seis tentativas frustradas. Seis tentativas onde subestimei o poder do vício, em que não dei a devida atenção ao processo e acabei recaindo.

Espero que a sétima tentativa seja a derradeira. Lá se vão nove meses.

Depois de ter enfrentado um quadro de depressão, crises ansiosas e síndrome do pânico, tudo o que consigo pensar sobre o cigarro é: "não vou passar por essa merda tooooda de novo nem fodendo".

Cada pessoa é um universo é cada corpo reage de uma forma diferente aos estímulos químicos. No meu caso (fumante por mais de 20 anos, ansiosa por natureza, compulsiva -  todo vício esconde uma compulsão) a retirada do cigarro demandou o desenvolvimento de uma nova rotina, a criação de "obsessões/compulsões" saudáveis, além de reforços como terapia, acupuntura, florais, yôga, meditação e homeopatia - sobre esses reforços vou falar separadamente, um a um, em outras postagens.

O que quero com este post é dizer para as pessoas que estão tentando parar de fumar e que não estão conseguindo que elas não devem se sentir um fracasso por isso - sentindo-se um fracasso aí mesmo é que não terão forças para iniciar essa jornada.

Sim, o cigarro é mais forte que você! Pessoas autossuficientes (como eu) tem verdadeira ojeriza desse fato, dessa constatação, mas enquanto isso não for aceito, nada feito, não haverá como parar de fumar. Ou seja, é preciso sobretudo humildade para parar de fumar.

Para quem é viciado de verdade (como eu) esse papo de "eu paro a hora que eu quiser" é pura enganação.

Admitir o problema é sempre o primeiro passo. Se você não conhece a força do seu inimigo como poderá lutar contra ele?


monicamontone

imagem: google 
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