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15.11.18

dois anos sem fumar


Sim, eu continuo sem fumar.

Lá se vão DOIS ANOS sem esse veneno.

Muita coisa aconteceu de lá pra cá, inclusive um ganho de peso indesejado.

Venho falando sobre meu processo de abstinência no Instagram e mudei o nome do projeto para "Diário de uma abstinência'e depois para Dois cafés e uma água com gás   (nome do meu canal no YouTube) -  achei mais justo comigo e com vocês, uma vez que apesar de todos os meus esforços acabei ganhando peso.

Todos os dias rola uma postagem diferente por lá.

Os temas são variados:  tabagismo, abstinência, ganho de peso, autoaceitação, movimento body positive, dicas para parar de fumar, ansiedade, depressão, autoconhecimento, saúde emocional, alimentação saudável, dicas de livros, filmes e séries, dicas de beleza e afins.

Parar de fumar é difícil, dá trabalho, é chatinho, mas é possível e vale a pena. Eu precisei superar até um quadro de depressão com crises ansiosas, porém continuo dizendo: vale a pena.

Escolhi o Instagram para trocar experiências e informações diariamente com vocês por acreditar que atualmente é uma mídia mais direta, imediata e de fácil acesso.

Você não precisa ser cadastrado no aplicativo para ler o conteúdo, sabia? O perfil é aberto e pode ser lido do seu computador ou tablet, basta clicar aqui . Agora, se você tem conta, basta seguir e ativar as notificações para ficar por dentro de tudo que anda rolando no mundinho dessa ex-fumante.

Espero vocês por lá!

por ///. mônica montone


uma beijoca diretamente do meu insta 
e com cheirinho de baunilha // sem cigarro


21.11.17

das incoerências

Oh, Lord!

Como é que pode caber tanta incoerência num único ser? Por que eu sou tão doida assim?

Como é que consigo achar certas damas curves e plus lindíssimas, como é que faço a campanha ##lindadodia no meu Instagram, mas toda segunda-feira quero quebrar a casa inteira por me sentir mal dentro de um corpo que ingeriu "alimentos proibidos" no final de semana? .

Não tenho começado dietas às segundas-feiras, mas tenho odiado minhas coxas e o peso da minha bunda com todas as minhas forças; tenho me culpado por ter "comido errado" no final de semana e "não estar compensando com malhação dobrada". .

Honestamente não sei o que é pior: se não "fazer nada" para emagrecer e ficar sentindo culpa ou comer pouquíssimo e super limpo como antes, correndo o risco de adoecer. .

Tenho pensado bastante sobre isso e, pensando bem, talvez eu não esteja sendo incoerente, talvez (com certeza!) eu seja apenas MUITO mais dura e severa comigo do que com os outros. .

Taí, quem sabe meu desafio para encontrar um caminho do meio nessa questão alimentação x corpo seja esse: ser tão bacana comigo como sou com os outros. .

Será que consigo me deixar em paz um dia? 

 monicamontone 


sobre recaída

Foram seis tentativas fracassadas de parar de fumar antes de conseguir. 

Mas será que as tentativas anteriores foram, mesmo, fracassadas? 

Claro que não! Foram elas que construíram minha conquista de agora. 

Eis meus ciclos de recaída:

1. Depois de um ou dois meses sem fumar eu acreditava que estava no controle da situação e que podia perfeitamente fumar "somente quando bebia". 

Isso nunca dava certo! Em menos de uma semana já estava comprando maço - viciados de qualquer tipo de droga devem entender que não podem dar uma tragadinha ou um golinho.

2. Qualquer ganho de peso me levava à nocaute, bastava um short ficar apertado para eu ter uma crise de choro e decidir pensar no cigarro depois. .

Ou seja? Os dois fatores me levavam de volta ao vício tinham a mesma raiz: necessidade de controle e incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. .

Portanto eu sabia que para deixar de fumar eu teria que (obrigatoriamente) olhar para essas questões. .
 Além de querer parar de fumar dessa vez EU QUIS me libertar da necessidade de controle e quis investigar a minha incapacidade de lidar com o sentimento de impotência. 

E tome terapia! Mas não tem jeito, vencer vícios é enfrentar monstros.

Outras lições de recaídas passadas: que yoga ameniza ansiedade, que não se deve dar um mísero trago usando selo ou chiclete de nicotina, que parar "na louca" sem planejamento nem sempre funciona, que o quarto mês é o mais difícil de todos, que é preciso tirar folga ou férias nas primeiras semanas, que chás ajudam na hora da fissura, que no início o humor fica pior que TPM , que insônia e falta de concentração fazem parte do pacote, que atividade física é fundamental para regular o humor e que sim, infelizmente rola uma engordadinha contornável.

O mais importante que aprendi? A não desistir! Quando recaímos morremos de vergonha das pessoas que nos apoiaram, nos sentimos um lixo, um fracasso. .

No entanto É PRECISO ENTENDER que parar de fumar é um PROCESSO e que recair faz parte. O lance é tentar de novo e de novo e de novo. .

Todas as vezes que recaí tive vergonha, mas me perdoei e segui em frente na certeza de que tentaria novamente no futuro.

Recaiu? Dê tempo ao tempo e tente outra vez!

monicamontone 



imagem: google

a decisão de parar de fumar

Mas Mônica, por que você parou de fumar se você gostava tanto?! .

Para o meu espanto ouvi essa pergunta de fumantes e ex-fumantes várias vezes. .

Gente! Para! Parar de fumar não é o mesmo que cortar o glúten para dar uma enxugadinha ou parar de tomar café para não estragar o clareamento do dente. .

Não é o mesmo que fazer uma escova progressiva ou colocar unhas postiças. .

Parar de fumar não é o mesmo que escolher fazer mechas no cabelo ou não, usar um look minimalista ou rocker. .

Parar de fumar não é uma questão estética que podemos ou não experimentar. Fumar mata! .

No Brasil, "segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de mulheres possuem o vício de fumar, sendo que o cigarro é responsável pela morte de 40% das mulheres brasileiras com menos de 65 anos". (Jornal O Cruzeiro) .

E morrer não necessariamente tem a ver com um ataque fulminante do coração, meu povo: ficar inválido sobre uma cama, totalmente dependente de alguém e sentindo dores é uma possibilidade bastante real para quem fuma há anos e sequer pensa em parar. .

Quase ninguém conta com uma doença debilitante decorrente do tabagismo.

Bem na verdade quando somos fumantes cagamos e andamos para essas estatísticas, achamos que elas não vão nos alcançar. Mas quem é que pode garantir? .

Por que eu parei de fumar? Adoraria dizer que foi por conscientização disso tudo, mas não foi. Os motivos reais foram 2: .

1) o cigarro não combinava com meu estilo de vida há tempos; 2) necessidade de libertação de todas as amarras. Ou seja, foi um movimento interno. .

Você que ainda fuma: já parou para se perguntar por que ainda se mantém ligado a essa muleta? 

monicamontone 





imagem google

por que parar de fumar engorda


Finalmente um profissional que não fica apenas no blábláblá de que "o paladar e o olfato melhoram e a pessoa passa a comer mais depois que abandona o cigarro"; finalmente o famoso "quem para de fumar desconta a ansiedade na comida" deixou de imperar.

Ok, essas duas explicações são procedentes, porém o principal fator para o ganho de peso ao deixar o cigarro é outro: o metabolismo desacelera.

Palavras do médico Ciro Kirchenchtjn:

"Quando pessoa fuma ela aumenta o monóxido de carbono e isso aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial (o que não é bom); aumenta a adrenalina no sangue e isso aumenta o metabolismo (aumentando o metabolismo a pessoa queima mais). Se a pessoa para de fumar ela diminui sua adrenalina, sua necessidade calórica diminui então SE ELA MANTIVER SUA DIETA ELA VAI ENGORDAR". Assista ao vídeo abaixo.

Eu não passei a comer diferente depois que parei de fumar, não passei a beliscar o dia todo, não me joguei nos doces, continuei minhas atividades físicas. .

Então de onde estavam vindo aqueles quilinhos? Da dieta DE SEMPRE - e quando digo dieta, aqui, estou querendo dizer modelo alimentar seguido.

Obrigada doutor Ciro Kirchenchtjn por esclarecer. 

E agora, José? O que a gente faz com essa informação? Abandona o projeto da alimentação intuitiva e parte para um pequena restrição e/ou controle de calorias? .

E agora, José, que no meu caso a retirada da nicotina + restrição alimentar levou à depressão? .


monicamontone 



trident rosa: melhor amigo da fissura

O melhor amigo do ex-fumante (e de quem sofre de compulsão por doce) é o Trident rosa de tutti-frutt. .

E não, caro amigo e cara amiga leitora, não se trata de colocar um chicletinho na boca e ficar mascando educadamente. .

Para que o chicletinho rosa aplaque "o desespero da boca" proveniente de um aperto no peito e de uma vontade absurda de gritar é preciso mascar um pacotinho inteiro em poucos minutos. .

Na fase mais aguda da abstinência eu colocava um chiclete na boca, chupava todo o docinho em três ou quatro mastigadas, abria um novo e colocava o anterior no papel da goma recém aberta agindo assim até acabar o pacotinho com cinco unidades. .

Cheguei a baixar três pacotinhos de uma só vez  em diversas situações ( escrevendo, lendo, falando ao telefone, vendo TV, etc). .

Ainda continuo atacando as gominhas rosas e sem açúcar, porém com menos frequência e em menor quantidade. .

Diferentemente dos chicletes de hortelã, o Trident de tutti-frutt não incomoda na boca e é super docinho, o que ajuda a aplacar um cadinho a vontade de doce. .

Experimente.

monicamontone


ganho de peso X auto-repulsa

Preciso parar de me pesar. O medo de engordar ao parar de fumar me fez estabelecer uma nova rotina: me pesar toda segunda-feira -  desde a adolescência não fazia isso.

Ando sentindo culpa e auto-repulsa quando subo na balança e constato que não emagreci ainda os quilos adquiridos nessa fase sem cigarro.

Meu pensamento nesse tipo ocasião é sempre o mesmo: "vai, gata, continue comendo sobremesa e pão francês - essa semana eu simplesmente comi pão francês todos os dias - que você vai ver onde vai parar". 

Não quero (nem acho razoável) sofrer por conta do meu peso e do tamanho do meu quadril, mas também não quero perder o total controle sobre meu corpo e engordar a perder de vista.

Sim, eu quero o corpo que eu tinha quando fumava, mas sem restrições ou processos compensatórios absurdos.

Não porque eu ache que a beleza está no "padrão magreza" (vide minha campanha no Instagram #alindadodia), mas porque me sinto melhor mais leve, porque quero minhas roupas de volta e porque lamentavelmente programei a minha mente durante aaaaaaaaaaaanos para manter aquele peso de sempre.

Há alguns dias um pensamento bem assustador me tomou: "E se aquele corpo que adoro SÓ for possível com MUITAS restrições e processos compensatórios malucos como jejum e malhação excessiva"? 

Não quero mais me maltratar, mas também não sei lidar com esse corpo adquirido sem cigarro e sem restrições. 

Vou ter que aprender a ama-lo? Será que consigo? .

Por ora estou querendo acreditar (me iludir?) que fazendo um pequeno ajuste na alimentação - como diminuir o tamanho das porções e evitar bebida alcoólica e doces -  e mantendo os treinos moderados diários -  meu peso vai voltar para os trilhos. Será? 

Bom seria, mesmo, se isso não fosse uma questão para mim. Se minha emoção andasse de mãos dadas com a minha razão, mas elas brigam feito cão e gato: enquanto racionalmente acho as curvas alheias lindas e estudo sobre transtornos alimentares e autoaceitação, minha emoção me joga na lama por conta de um maldito número na balança. 

Eu me pergunto: até quando?




11.11.17

depressão e tabagismo

Eu estava em depressão quando deixei de fumar e não me dei conta. Nem mesmo o fato de eu ter duplicado o meu consumo acendeu essa luz para mim - está comprovado que a nicotina atua como antidepressivo. 

Por este motivo, passei por uma abstinência bastante sofrida

Stanton A. Glanzt, diretor do Centro para Pesquisa e Educação no Controle do Tabaco da Universidade da Califórnia, em São Francisco, concorda com a ideia de que pessoas depressivas que fumam possam estar se automedicando

Segundo pesquisas, pessoas a partir de 20 anos com depressão têm duas vezes mais chances de serem fumantes, como descobriram os pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

Dados extraídos da Pesquisa Nacional de Exames Médicos e Nutricionais levaram às seguintes observações:

Cerca de 43% dos adultos depressivos com 20 anos ou mais fumavam, em comparação a 22% dos não depressivos na mesma faixa etária.

Mulheres com depressão tinham proporções de fumantes semelhantes a homens com depressão, embora mulheres sem depressão fumassem menos do que os homens.

Com a piora do quadro depressivo, a porcentagem de adultos fumantes crescia.

Fumantes depressivos fumavam mais do que fumantes sem depressão.

Adultos que tinham depressão e eram fumantes tinham menos chances de largar o cigarro do que fumantes sem depressão.

"Todo mundo sabe que gente com depressão tem mais probabilidade de fumar", disse a pesquisadora Pratt, mas o que a surpreendeu, explica, foi a extensão dessa ocorrência constatada pelo estudo.

Entre mulheres de 20 a 39 anos, por exemplo, o estudo revela que 50% daquelas com depressão fumavamSaiba mais 

No meu caso o processo de abstinência foi mais difícil porque de fato eu estava mascarando uma depressão com o uso excessivo de nicotina. Falei sobre minha depressão, aqui

Depressão não é brincadeira e precisa de tratamento! Peça ajuda, procure um terapeuta.

monicamontone



arte: Sara Shakeel

viciado, eu?

"Viciado, eu? Não! Eu só fumo de farra, só fumo quando bebo, não sou viciado, paro quando eu quiser". "Eu fumo muito pouco e só fumo a noite, meu consumo é bem tranquilo". "Eu não fumo dentro se casa, então fumo pouquíssimo". "Um maço de cigarros para mim dura uma semana".

Cansei de ouvir frases como as de cima da boca de amigos meus. 

Detalhe: eu parei e tive recaída seis vezes. Cheguei a ficar 9 meses sem fumar uma época e voltei. Estou na sétima tentativa e agora parece ter dado certo: lá se vai 1 ano. 

Meus amigos que falam coisas iguais ou similares as que citei (e não se consideraram viciados) ou nunca ficaram sem fumar por mais de um mês ou nunca tentaram parar.

Assumir o problema é o primeiro passo para transforma-lo.

Segundo matéria publicada no El País estudos apontam que: o típico cigarrinho ocasional mata mais do que se esperava. É o que mostra um estudo sobre a saúde de quase 300.000 pessoas. Os indivíduos que fumam menos de um cigarro por dia têm 64% mais riscos de morte prematura que os não fumantes. Já entre os que consomem de um a 10 cigarros por dia, o risco é até 87% maior.

Bora repensar a relação com o cigarrinho do final de semana?  

monicamontone


imagem: google

transtorno de ansiedade generalizada

Sempre tive perfil ansioso. Sempre fui agitada, impaciente, apressada.

Mas nada disso quer dizer "transtorno de ansiedade". 

O que poucos sabem, na verdade, é que os transtornos ansiosos como a Síndrome do Pânico, o Transtorno de Ansiedade Generalizada e as Crises Ansiosas geralmente são sintomas de depressão.

É comum associarmos depressão à tristeza e embotamento afetivo, mas desordens ansiosas são outra forma da depressão se manifestar.

Na época mais aguda de minha abstinência cheguei a ter todos os sintomas listados na imagem abaixo + uma média de 4 crises ansiosas (fluxo de pensamementos catastróficos sem controle e sem qualquer conexão com a realidade).

Tratei com terapia, acupuntura, meditação, atividade física, homeopatia e floral (plano de guerra). Escolhi o caminho mais longo, não quis tomar remédio - embora saiba que às vezes é necessário.

Portanto, NÃO FIQUE SOFRENDO sozinho, em silêncio. Procure um terapeuta! 

Depressão quando não é tratada pode virar assunto sério! Procure ajuda! 

monicamontone




tapeando a vontade de tragar

Uma dica ÓTIMA para quem esta parando de fumar e sente falta da sensação de tragar: 

Colocar chá morno (ou água morna com limão) naqueles copinhos durinhos (ou garrafinhas) com canudinho durinho. 

O meu eu usei tanto nos primeiros meses que acabou quebrando. 

O ato de fumar envolve: 

1. Pegar o objeto (cigarro e isqueiro) e manusear 

2. Levar o objeto (cigarro) à boca e tragar (engolir fumaça) 

A bebida morna no copo (ou garrafinha) durinho, bem como o manuseio do canudinho enganam bem nossa mente condicionada - e se levantarmos o canudinho tirando-o da bebida podemos até "tragar" o vaporzinho que se forma no copo.

Eu adorava fazer isso com chá de lavanda (que é calmante). 

Às vezes nem bebia ou tragava o vaporzinho, ficava apenas "roendo" o canudinho. 

Hoje com um ano sem fumar já não preciso mais da minha "mamadeira" (como eu chamava meu copinho, hahaha), mas foi algo que me ajudou DEMAIS nos primeiros meses.


Experimente!  

monicamontone 

imagem: google

abstinência e desejo por chocolate

Não é de hoje que as pesquisas apontam que o chocolate tem efeito antidepressivo e pode ajudar a regular o humor.

Segundo matéria da BBC Brasil,  o chocolate possui substâncias encontradas em drogas como ópio (encefalina/alivia a dor e produz prazer), álcool (tetrahidro-beta-carbolinas/eleva os níveis de dopamina e serotonina), maconha (anandamida, conhecida como a "molécula da felicidade", atinge as mesmas estruturas cerebrais acionadas pelo THC), café (o cacau tem cafeína que é estimulante).

Gosto de chocolate, mas nunca fui chocolatra, sempre preferi salgado a doce.

Porém, depois que parei de fumar uma vontade INSANA de comer chocolate me invadia todos os dias no final da tarde - tipo o desespero por doce que bate na TPM e toda mulher conhece bem.

Nos primeiros 4 meses - que estava na dieta low-carb - não atendi às necessidades do meu corpo por medo de engordar - além de não comer um único bombom não estava comendo nem mesmo carboidratos naturais como frutas e leguminosas.

Não engordei naquele período, mas deprimi seriamente. Será que se eu tivesse respeitado o meu corpo e tivesse dado a ele 1 bombom ou 1 quadradinho de cacau 70% (ou uma sopinha de batata baroa)  eu teria aberto um quadro de depressão como abri?

Afinal, o corpo tem a sua sabedoria e se estava clamando por chocolate certamente era porque estava com defasagem de dopamina, serotonina e afins.

Quem para de fumar dificilmente consegue controlar o desejo por chocolate (e doces em geral) nos primeiros meses exatamente porque o cérebro está buscando uma compensação química. 

Minha dica para quem esta parando de fumar e tem medo de perder o controle da ingestão de doce e engordar?

Se permitir, mas com moderação. Comprar um bombom invés de uma barra; consumir antes de atividades físicas, evitar comer todos os dias (que tal dias alternados?), quando possível substituir por damasco e alfarroba (que possuem propriedades similares as do cacau), comer na rua e não fazer estoque em casa para evitar a compulsão.

Lembrando que: não existe alimento que engorda, o que existe é exagero, falta de equilíbrio e moderação. 

monicacamontone



os malefícios do tabagismo na gravidez

Oh-Yeah, eu fui gerada na mais pura nicotina. Naquela época não tinha Internet, tampouco se falava tanto dos malefícios do cigarro.

Podia-se fumar em locais fechados (inclusive elevadores e aviões), havia propaganda de cigarro na TV e os pais costumavam pedir para que os filhos fossem comprar cigarros para eles na padaria.

Ou seja, não era  indicado fumar durante a gestação mas também "não era" imprescindível como hoje os médicos apontam e as pessoas ao redor cobram.

Mamãe fumou minha gestação e amamentação inteira, bem como nas gestações das minhas irmãs. Ao redor, papai e vovô também fumavam.

Resultado? Duas filhas alérgicas e com problemas pulmonares (asma e bronquite) e uma filha tabagista: eu. 

Papai fumou por mais de 40 anos, teve um problema seríssimo de estômago e parou. Mamãe fumou por mais de 40 anos, teve um enfarte e parou. Vovô fumou por mais de 60 anos, teve um câncer de pulmão decorrente do cigarro, parou, mas depois voltou e morreu na sequência.

E eu, bem, eu fumei por mais de 20 anos, parei e voltei várias vezes, mas agora espero ter conseguido definitivamente (estou há 12 meses sem fumar).

Felizmente não tenho (tampouco espero ter!) nenhum problema de saúde.

Mesmo com todos os exemplos negativos ao redor eu simplesmente não conseguia parar. Foi quando eu desejei intimamente me libertar de todas as amarras de minha vida que o cigarro entrou na dança.

Não há pesquisas que apontem que o vício possa ser hereditário ou influenciado pelo consumo da mãe tabagista, mas caso a criança tenha predisposição a adicção (meu caso!) ter o exemplo negativo dentro de casa infelizmente colabora.

Segundo a revista Crescer 87% das fumantes que engravidam não conseguem deixar o vício e 94% retornam a ele seis meses depois de dar a luz por conta do peso. Uma pena, né? 

Outros dados: 

"Os filhos de mães que fumam, geralmente, são mais enfermos. As principais doenças que atingem estas crianças são as infecciosas de repetição, como rinite, bronquite, asma ou qualquer outra doença pulmonar, além de morte súbita infantil", afirma Clóvis Eduardo Tadel Gomes, pneumologista do Hospital Sabará, localizado em São Paulo.

Outro dado da OMS informa que o leite de mães fumantes possui três vezes mais substâncias prejudiciais do que o sangue delas. fonte 

Portanto, evitar fumar na gravidez (e depois de dar a luz) continua sendo o caminho mais indicado para para as mamães. 


monicamontone



imagem google

5.11.17

um ano sem fumar x projeto parei de fumar e não engordei

Mas Mônica, peraí, tem duas coisas que não estão batendo nessa história toda:

1. Você conta aqui uma história de superação, porém de muito sofrimento, também, com crises ansiosas, depressão, etc. É assim que você pretende incentivar as pessoas a parar de fumar

2. Se você acabou tendo um ganho de peso (quem não te conhece nem percebe) por que manteve o nome “parei de fumar e não engordei”? Você engordou, ué!

Vamos lá. Em primeiro lugar o foco do projeto não é incentivar a interrupção do tabagismo. Se isso acontecer, claro que vou ficar feliz, mas sei que a decisão de parar de fumar é extremamente particular e está relacionada a uma série de questões emocionais. E sei, também, que cada pessoa é um universo e por isso enfrenta seus monstros a seu modo: meu processo de abstinência jamais será igual ao de outra pessoa, mas pode conter informações valiosas, que acabem ajudando de alguma maneira.

Quase ninguém para de fumar apenas para ganhar saúde economizar uns trocados. Em geral, as pessoas param porque tiveram um problema de saúde sério e não tiveram escolha; porque não eram viciadas e enjoaram ou porque se encontram numa fase de vida que clama por mudança (interna e externa). No meu caso, por exemplo, havia um desejo pungente de libertação - daí a necessidade de me libertar de todos os meus vícios (emocionais e materiais como o cigarro).

Quando eu era fumante dava de ombros para as estatísticas assombrosas de doenças provenientes do fumo. Saber que o cigarro mata aproximadamente 800 mil pessoas por ano só no Brasil não me dizia absolutamente nada. No entanto, todas as vezes em que tentei parar de fumar (foram seis antes desta) busquei desesperadamente um eco -  precisava saber que outras pessoas passaram pelos mesmos tormentos para acalmar minha alma em brasa.

E foi pensando exatamente nessas pessoas que estão com a alma em brasa, enfrentando os primeiros dias ou meses de abstinência, que criei o projeto #pareidefumarenãoengordei- teria sido um balsamo para mim, por exemplo, saber que o quarto mês é considerado o mais difícil de todos; que a depressão pode acontecer, etc, etc, etc.

Ou seja, minha ideia é oferecer ferramentas para que as pessoas que deixaram o vício se mantenham fortes em seu proposito. Mas é claro que se meu trabalho de formiguinha incentivar uma única pessoa que seja a largar o cigarro vou dar pulos de alegria.

Sobre o nome do projeto, bem, todas as vezes anteriores que parei de fumar fiz exatamente essa busca no Google: “parar de fumar e não engordar”, “parei de fumar e não engordei”. 

Infelizmente, a grande maioria de mulheres tabagista não deixa o vício por medo de engordar. 

Quem sabe repensando comigo essa questão, aprendendo a entendê-la melhor e de maneira mais aprofundada, esse medo acabe e ceda lugar à coragem?

Portanto a ideia do #pareidefumarenãoengordei é oferecer ferramentas de pesquisa para quem atravessa a fase de abstinência (ou deseja parar de fumar) e propor uma nova reflexão acerca da nossa autoimagem e do nosso medo de engordar.

No meu caso, descobri nesse um ano sem fumar que não foi possível parar de fumar e não engordar, mas que o ganho de peso que tive não foi avassalador e que posso perdê-lo, contorna-lo.

Compreendi que o corpo demora um tempo para metabolizar todas as mudanças e que a tendência é emagrecer naturalmente e sem grandes esforços depois de um ano -  foi o que aconteceu por exemplo com as belas Juliana Paes, Gisele Bundchen e Jeniffer Aniston.  Gisele chegou a engordar quase sete quilos!

O que tem me interessado no momento em relação a essa questão é entender por que nos maltratamos tanto quando o assunto é o nosso corpo e nossa autoimagem? 

monicamontone



foto: um ano sem fumar, 7 kg a mais e sorrisão de quem conseguiu! 

11 meses sem fumar: recobrando a autoestima perdida


Logo no primeiro mês sem fumar tive a ideia de criar o projeto #pareidefumarenãoengordei, porém não conseguia sentar para escrever uma linha sequer. A concentração nos primeiros meses sem cigarro realmente fica zoada.

Todavia, fui anotando pautas, guardando links de pesquisas, fazendo rascunho de alguns possíveis textos.

Só consegui montar o blog do projeto com nove meses sem fumar. Antes desse período, devido a todas as reviravoltas que passei (depressão, crises ansiosas, viagens, etc) não foi impossível. Mas apesar de criar a página, não me senti confortável para divulga-la.

Continuei sua construção de maneira silenciosa, sem exigir nada de mim: escrevia quando e se tivesse vontade.

E o tempo foi passando. E eu fui recobrando cada vez mais a minha rotina e a minha vida. Depois dos 10 meses sem fumar, escrever, por exemplo, já não era tão difícil. As crises ansiosas cessaram. A depressão começou a se despedir.

Com 11 meses sem fumar eu retomei o sentimento de importância e orgulho pelo meu feito! Sentimento este que no pico da depressão desapareceu por completo.

Vislumbrar a aproximação dos 12 meses, do grande feito “UM ANO sem fumar, sem recair, sem tragar nada”, me trouxe uma alegria sincera e restaurou a minha fé e autoestima.

Sim, eu engordei. Cheguei a engordar 8 kg ao longo dessa jornada -  o que me frustra bastante (falei sobre, aqui). Mas quer saber? Estou orgulhosa de mim!

A garota mais cheinha da foto abaixo foi a mesma que venceu dezenas de crises de ansiedade generalizada, que buscou todas as ferramentas possíveis e imagináveis para lidar com sua abstinência e depressão sem fugir do que ela acreditava, que aprendeu a pedir e a aceitar ajuda, que venceu um vício terrível em que 97% das pessoas que tentam fracassam.

Sim, a garota do da foto está mais cheinha, no entanto o que são uns quilos a mais perto da paz que ela finalmente vem recobrando depois de tudo que ela enfrentou? 


monicamontone







foto tirada com 11 meses sem fumar e 7kg a mais 

a importância de criar novos rituais ao parar de fumar

Criamos rituais para quase tudo o que fazemos e esse comportamento automático (e muitas vezes inconsciente) tem a função de gerar códigos para que nossa mente entenda o que desejamos fazer.

O ritual de acordar, por exemplo, cada um tem o seu, mas caso acordemos atrasados para um compromisso e deixemos de cumprir alguma etapa do "ritual acordar" sentimos que o dia demora a engatar, ocorre uma sensação de dispersão e atordoamento, não é mesmo?

Fumantes pesados (como fui) costumam incluir um ou dois cigarros no meio do ritual de despertar. E fazem isso por anos a fio.
 
Como acordar então, sem parte do ritual? Como fazer a nossa mente entender que acordamos? 

Criando um novo ritual! 

No começo a mente vai chiar, não vai entender bem o comando e só de pirraça vai ofertar atordoamento e dispersão aos baldes, mas com tempo tudo se ajeita - li outro dia que a nossa mente precisa de 21 dias para criar um novo hábito. 

Eu, que sempre fumava ao acordar -  e enquanto fumava checava emails e redes sociais - passei a usar esse tempo da manhã para cuidar da pele do rosto e me alongar. Sempre achei o máximo as garotas disciplinadas que lavam o rosto com sabão neutro em movimentos circulares, depois passam tônico, protetor solar e bbcrem logo pela manhã.  Pois bem, me tornei uma delas! 

Outra mudança? 

Mudei por um tempo de Café. Sempre amei ler e escrever em Cafés e quase todos os dias eu ia para o "meu escritório, um bistrô charmoso com mesas ao ar livre e liberado para o fumo. Porém, percebi que bastava me sentar na "minha cadeira" para uma ansiedade tremenda me queimar no peito. Parei de frequentar o "meu escritório" por um tempo e acabei descobrindo lugares ótimos nas redondezas. 

Portanto, fica a dica: fumava sempre que sentava no canto x do sofá? Não sente no canto x; fumava antes de dormir? Crie um hábito que só fará antes de dormir (que tal chá?).

Detecte todos os rituais que fazia com o cigarro e coloque um novo (e mais saudável) hábito no lugar dos que puder. 

Se faz necessário a criação de uma nova rotina quando paramos de fumar, não tem jeito. A boa notícia é que depois de alguns meses conseguimos retomar alguns prazeres antigos, mas sem ansiedade - eu, por exemplo, voltei a frequentar meu escritório e já não fico mais agitada quando me sento "na minha" cadeira. Viva!


monicamontone


foto: minha nova mesa de trabalho. 
antes tinha cigarro e cinzeiro cheio, agora tem chá e chiclete sem açúcar

marque uma data para o último cigarro

Foram seis tentativas de parar de fumar. Somente na sétima (aparentemente) consegui.

Das coisas diferentes que fiz nessa tentativa bem sucedida foi marcar um dia próximo (me dei 30 dias) para parar conforme indicam os especialistas.

Muitos são os que escolhem datas festivas para a despedida bastonete nicotinoso ( aniversário, natal, reveillon, lua de mel, etc), mas isso é um erro, pois dificilmente conseguimos ficar longe de um drink nessas ocasiões e beber é um super gatilho para o cigarro.

Além disso, ninguém merece irritação, mau humor e ansiedade bem no dia do aniversário ou na noite de reveillon, né?

Seja legal com você! Escolha uma data neutra, de preferência num final de semana (ou feriado prolongado; férias), pois você vai ficar sem concentração para trabalhar nos primeiros dias e com a paciência abaixo de zero.

Se possível tire férias com esse intuito: atravessar a abstinência.

Enquanto a data escolhida para parar não chegar vá se aproximando de assuntos relacionados a sua escolha: leituras sobre tabagismo, pesquisas sobre qualidade de vida e alimentação saudável, enfim, vá construindo mentalmente o que deseja realizar.

E boa sorte!

Sobre o meu plano de guerra para deixar o cigarro falei no texto Parar de fumar requer planejamento


monicamontone 

imagem: google

3.11.17

quem tem medo da calça 42?

Com que roupa eu vou? Drama de toda mulher, certo? Mas para quem ganhou uns quilinhos depois de parar de fumar e é vaidosa, drama ao quadrado.

Porque é aquela coisa, as roupas ainda servem, porém não tem o mesmo caimento e acabam valorizando partes que na verdade queremos esconder.

Pois bem, depois sofrer para encontrar uma roupa que me deixasse confortável em minha própria pele (leia: me sentindo bonita por dentro e por  fora) fui encontrar uma amiga querida.

Passamos uma tarde agradabilíssima falando sobre o sexo das baleias, visitando exposições, rindo, tomando cafés, chorando, trocando confidências.

Até que ela soltou:

- Estou desesperada, amiga, preciso emagrecer de qualquer jeito! Vou parar de comer a noite! Não estou entrando em nenhuma calça 36 mais e as 38 estão ficando apertadas, se eu tiver que usar manequim 40 eu prefiro me matar.

Fiquei ouvindo aquilo, dentro da minha calça que pulou do 40 para o 42 depois que parei de fumar, pensando: “gente, mas se ela que tem barriga negativa e está com um corpo lindo pensa isso mesmo dela, o que não deve pensar de mim? Deve achar que sou uma baleia azul assassina”.

Respondi:

- Eu acho que você está linda, amiga, e que é muito exigente com você mesma. Eu estou numa calça 42 e não é o fim do mundo, tampouco quero me matar por isso. 

- Não, amiga, mas você está linda! Você é linda de qualquer jeito! Eu consigo ver beleza em pessoas que não são magérrimas, como é o seu caso, mas no meu caso, no meu corpo, não consigo imaginar, fico desesperada.

Foi então que me dei conta de duas coisas:

1) Que esse tipo de fala“ você está linda assim, mas para mim não serve” é um elogio meio burro, pois se não queremos algo para nós - que somos egocêntricos por natureza-  é porque no fundo achamos aquilo um lixo. Eu mesma já cometi a sandice de dizer para uma amiga gordinha “admiro tanto você, acho foda sua coragem de usar essas roupas mesmo estando gordinha, eu jamais conseguiria”, ou, pior “eu no seu lugar já teria cortado os pulsos” (para uma amiga que tinha acabado engordar uns bons quilos por conta de um problema emocional). Eu pensava que estava demonstrando empatia com essas frases, só que não.

2) Somos todos gordofóbicos em maior ou menor grau e ao contrário do que muita gente pensa gordofobia não tem a ver apenas com preconceito  ou aversão aos gordinhos, mas com medo excessivo de engordar, medo de não usar manequins padrão, medo de gordurinhas localizadas, necessidade de controlar o peso, etc. 

O nutricionista comportamental Rafael Marques, escreveu em sua página Comportamento Alimentar, no Instagram:

“Muitas pessoas não entendem o que é gordofobia e pensam que esse é o nome da aversão ou até mesmo o ódio direcionado àqueles que estão com sobrepeso ou obesos, mas o conceito vai muito além disso, é uma síndrome sociocultural, um medo absurdo e irracional da gordura real ou imaginária que vai beirando ao terror! A beleza se desvincula do biótipo e principalmente da saúde. Se a pessoa acha que todos são dignos de amor e respeito, mas quando se trata dela engordar, ela diz “é bom para os outros, eu só não quero ser gordo”, gordofobia internalizada! Se ela espera secretamente perder peso e teme a ideia de que comer vai levar ao ganho de peso permanente, isso é gordofobia. Ela já viu uma pessoa acima do peso e fez julgamentos negativos sobre seu estilo de vida, hábitos alimentares ou níveis de autorespeito? Gordofobia novamente. Comumente chamada também de lipofobia - significa medo de gordura”.

Voltando para casa depois do encontro com minha amiga fiquei pensando na quantidade de tempo que perdi (e ainda perco) me angustiando com o controle do meu peso e do meu corpo, no sofrimento de minha amiga e de milhares de mulheres, mas fiquei feliz comigo mesma, pois continuei me achando bonita dentro de minha calça 42 e preocupada com minha amiga que é linda, inteligente, generosa e mas se exige e se cobra em demasia. 

Bora repensar toda essa angustia que carregamos por conta do nosso peso e do nosso corpo? Mirian Bottan, Diana Garbin e Lu Cullinan são ótimas fontes de inspiração.

monicamontone

Falando nisso

Fiz a foto abaixo (a segunda, of course)  minutos antes de encontrar minha amiga, vestindo a famigerada calça 42. Ok, estou dando uma murchadinha básica de barriga, como qualquer pessoa que se ajeita para fazer uma foto faz (quem nunca?). Ok, estou um bocadinho acima do meu peso normal. Mas não estou abominável ao ponto de "querer morrer" como minha amiga disse que quereria caso ficasse igual a mim - eu sei que ela falou da boca para fora, que foi "modo de dizer" e que falamos essas coisas sem pensar, todavia querendo ou não essa fala replete nosso grau de sofrimento emocional em relação a essa questão. Agora falando sério, se eu e minha amiga (que estamos longe de ter corpos totalmente fora dos padrões) falamos essas besteiras, sentimos essas besteiras, pensamos essas besteiras, como não devem se se sentir as meninas que realmente estão totalmente fora dos padrões de beleza pré-estabelecidos?


foto: google 


euzinha dentro da minha calça 42 

1.11.17

aprenda a diferenciar emoções de necessidades fisiológicas

 Depois de UM ANO sem cigarro -  vejam bem, estou dizendo UM ANO, 12 meses, 365 dias - aprendi a identificar o que era fome, sono, tristeza e não julgar TUDO o que sentia como medo, raiva, irritação e frustração.

Quando somos bebê nossas mães (e a família) nos ensinam essas pequenas lições e criam rotinas de alimentação e sono para que condicionemos hora de comer, hora de dormir e assim por diante. Às vezes esse processo de aprendizagem leva anos.

Quando (re) nascemos depois de um vício somos tão virgens para isso tudo quanto uma criança que
acabou de chegar ao mundo! Com a diferença de que ninguém nos ensina a reconhecer nada e que, ao contrário dos anjinhos, temos uma bagagem emocional que muitas vezes esta lotada de culpas e pequenas vergonhas - o que complica ainda mais as coisas.

Ontem, para o meu total espanto, comecei a ficar MUITO irritada com a reforma do vizinho do andar de cima e de repente parei e me perguntei:

- Esse barulho está aí quase todo dia, por que HOJE, AGORA, está me irritando mais do que o normal?

Olhei no relógio e vi que passava das 17h e eu não tinha comido nada desde o almoço: eu estava com fome.

Fiz um lanche de tapioca + ovo cozido + tomate + manjericão e a irritação passou. Continuei trabalhando normalmente como se o baticum do vizinho nem existisse e depois fui para academia.
UM ANO! DEMOREI UM ANO para COMEÇAR a detectar minhas emoções e necessidades fisiológicas sem o cigarro.

Se eu ainda fosse fumante, o que eu faria quando a barulheira da reforma do vizinho começasse e me deixasse irritada? Acenderia um cigarro imediatamente! O cigarro não faria o barulho desaparecer, tampouco resolveria a minha irritação, mas me manteria distraída por alguns minutos, me faria engolir fumaça no lugar de apenas frustração; provavelmente tapearia a minha fome (completamente natural e saudável para o horário).

Foram mais de 20 anos dando para o meu corpo, minha mente, minhas emoções, meus hormônios e meu cérebro gotas extras de dopamina (sempre que tragamos ativamos regiões de recompensa no cérebro), portanto é mais do que natural que esse conjunto de fatores que "sou eu" ficasse desafinado como uma sinfonia de crianças iniciantes e sem maestro por um tempo.

Se você está parando de fumar e ainda não consegue entender por que TUDO está mais irritante que o normal, comece já a treinar sua percepção!

Assim que a raiva máster-modo-on aparecer, questione-se: que horas são? Há quanto tempo comi?
Estou com sono? Dormi quantas horas essa noite? Isso é mesmo tão importante assim? O que estou sentindo exatamente é raiva, medo, sentimento de injustiça, carência, solidão? No caso das meninas, vale perguntar "estou na TPM"?

Enfim, vá treinando, vá se questionando que uma hora você vai conseguir ler suas necessidades e vai passar a atendê-las com mais facilidade e menos sofrimento.


monicamontone


imagem: google 
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