Mostrando postagens com marcador cigarro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cigarro. Mostrar todas as postagens

31.10.17

a falsa rebeldia do vício

Até quando a ideia de rebeldia e liberdade será associada ao péssimo hábito de fumar?

Ok, as propagandas foram proibidas na TV, mas indústria da moda e do cinema ainda aposta nesse  savoir-faire".

Quantos anos deve ter a criança linda da foto abaixo que tem como mensagem subliminar "quebre as regras, seja livre, faça do seu jeito"?

A criança da primeira foto eu não sei, mas a da segunda foto (com a mesma carinha redondinha infantil) eu sei: 16 anos.

Sim, aos 16 anos eu me sentia rebelde, quebrando padrões e livre somente porque fumava.

Mal sabia eu que passaria por seis tentativas frustradas de parar de fumar e que nesta última (espero que derradeira!) iria enfrentar (quase vinte anos depois) um quadro de depressão devido ao processo de abstinência.

Que poder demoníaco é esse que as grandes máfias das grandes indústrias têm de nos convencer de que aquilo que nos aprisiona é o que liberta?

Nada, absolutamente nada que gere dependência pode ser sinônimo de liberdade.

Você sabia que a idade média dos iniciantes no tabagismo caiu de 16 para 13 anos e que o cigarro atrai cada vez mais mulheres? Não é à toa que o número de mortes por câncer de pulmão cresceu 122% entre elas. (fonte)

Então é isso! Se você quiser parar de fumar você VAI TER QUE desenrolar longas conversas consigo mesmo para convencer-se de que não existe rebeldia alguma no ato de fumar – não se esqueça de que você passou (e ainda passa) ANOS sendo bombardeado pela ideia contrária; você terá que conversar MUITO com o adolescente que foi para convencê-lo de que você cresceu, aprendeu coisas interessantes sobre liberdade e não quer mais a prisão do vício.


Fácil não é, mas é possível e vale a pena. 

monicamontone


imagem: google


eu, com 16 anos me achando A rebelde 

30.8.17

para a minha criança, com amor

É para você, criança, que eu escrevo essa cartinha hoje.

Para você que sempre amou comer um, dois, três pratos de espaguete com molho de tomate ao longo do dia. Que adorava a surdez das águas: mergulhar era seu passatempo favorito, ali, dentro da água, ninguém poderia interromper seus devaneios, nem lhe dizer que você não era uma sereia ou uma fada.

É para você, menininha querida, que sempre gostou de usar tomara-que-caia e andar descalça por aí. Que amava subir em árvores mais do que brincar de bonecas.  Que era assombrada durante as madrugadas por perguntas como: “quem inventou o nome das coisas”? E que queria ser grande -  você não se conformava em ser pequena, se lembra?

Você odiava aquelas frases sem sentido, como “isso é coisa de adulto”, “você é pequena demais para entender”, “isso não é para sua idade”, “lugar de criança é lá fora com as outras crianças”, “quando você crescer, quando você crescer”...

Você queria aprender a jogar buraco, mas insistiam que seu jogo devia ser o rouba-monte. Você queria ajudar a lavar os pratos para se sentir importante, mas nem enxuga-los podia. Você queria ficar vendo TV até tarde, mas te botavam na cama sem que você tivesse um pingo de sono.

Ah, menininha, você só queria ser grande! Você só queria ser grande para poder brincar com as primas grandes, que junto às suas irmãs sempre mandavam você sair do quarto porque “você era pequena demais”.

Mas poxa, você sabia contar histórias como ninguém!  Sabia fazer imitações e fazia as gentes grandes morrerem de rir delas. E você sabia dançar. E você sabia decorar as músicas dos adultos que nem eles próprios sabiam cantar.

Ah, e você sempre amou os animais. Você morria do pena do cachorro Billie que sua mãe nunca deixava entrar em casa, nem quando fazia frio.

Preciso te contar um segredinho, florzinha: você não era insuportável somente porque falava demais, vivia fazendo muitas perguntas e queria participar de tudo; você não era metidinha somente porque já gostava de moda desde pequenina e se orgulhava de sua botinha branca da Xuxa e do seu casaquinho de pelúcia rosa; você não era burra somente porque era pequena; você nunca atrapalhou ninguém só por ser uma criança, todos os seus medos, todas as suas dúvidas e todas as suas necessidades eram completamente normais para uma menininha de sete anos.

Você sempre foi cheia de vida. Você sempre foi um raio de luz. Você sempre foi carinhosa e preocupada com os sentimentos das pessoas. Sua inteligência (e esperteza) sempre surpreendeu a todos.

E como era graciosa nos teatrinhos que apresentava! Criativa nos roteiros que bolava sozinha no quarto e nos figurinos que pedia para sua avó Esperança costurar na máquina de costura que hoje me serve de penteadeira.

Você, meu anjinho, não tem culpa de nada. Você é inocente. Você sempre deu o seu melhor em tudo o que fez. Você não tem culpa nem mesmo de ter desejado ser grande a qualquer preço - você só sentia medo de ficar sozinha, de ser abandonada, mas ninguém percebia isso.

É para você, linda criança, que escrevo hoje. Escrevo para dizer que de hoje em diante você não precisa mais ter medo de ficar sozinha: agora você tem a mim. Agora você tem a mim e eu te amo eternamente.

E sabe o que eu aprendi com você? Aprendi que assim como você sobreviveu ao sumiço do seu coelho vermelho chamado Beto, aquele que você cheirava as orelhas enquanto chupava dedo e que ninguém nunca lhe deu a menor satisfação sobre o desaparecimento, eu também poderia sobreviver sem o meu “objeto mágico”: o cigarro.

Hoje comemoro 10 meses sem fumar.  Ainda estou me adaptando a todos os assombros que isso acarreta, porém acho que finalmente estou aprendo a ser grande, grande como você sempre foi, mas não sabia. Hoje eu sei e posso te contar: você era imensa! Um poço sem fundo de coragem, um mar profundo de amor, uma lagoa gigante de alegria.

Obrigada por morar em mim e por me emprestar a sua coragem e toda a sua bondade.

Com amor,

A menina crescida que você se tornou.

monicamontone

eu, ela, nós

tabagismo: fatores emocionais do vício

Eis abaixo alguns trechos que considerei relevantes de um ensaio sobre o lado psicológico do tabagismo, escrito pela psicóloga Regina Rocha. O texto na íntegra encontra-se aqui

Parar de fumar

por Regina Rocha

Para compreendermos o que leva alguém a se transformar um dependente do cigarro, precisamos primeiro compreender a questão da dependência física e psicológica dos vícios de modo geral.

Quase todos nós temos um tipo de dependência psicológica tais como: trabalho, dinheiro, compulsão para comer, jogos, consumismo, relações amorosas, etc. As causas das dependências psicológicas estão relacionadas a fatores internos do indivíduo, ou seja, nossa subjetividade, o nosso eu interior, é aí onde precisamos curar.

Quando o indivíduo para de fumar, substitui este vício por outro, geralmente comer ou beber em excesso.

Para os não fumantes o ato de parar de fumar lhes parece simples e estes não conseguem compreender a dimensão do problema fazendo cobranças e rebaixando a autoestima do fumante que sente-se fracassado. 

É necessário compreender que a dor envolvida no processo de ruptura de qualquer tipo de dependência é muito intenso, pode levar a depressão e recaídas.

A nicotina é um tipo de droga que provoca malefícios ao organismo dentro de um prazo longo (40 a 50 anos após o início do vício).

Hábito, vício e dependência

Vamos diferenciar hábito e vício para entendermos melhor o problema. 

Quando temos um hábito e precisamos parar por qualquer motivo, o fazemos sem problema nenhum. Já o vício é o tamanho da falta que sentiremos em relação a ele, além de sensações e sentimentos como ansiedade, depressão, saudade e dor frente à sua ausência. Os hábitos são comportamentos constantes e também nem tão fácil assim de serem mudados, mas não são maléficos à saúde.
O maior vício é o da dependência psíquica ou psicológica, ou seja, o apego que a pessoa estabelece a certa substância ou situação. De forma que não podemos subestimar o grau de importância da dependência física que é um grande reforçador do vício.

A nicotina é um estimulante, mas também tem efeitos calmantes, porém, as reações individuais quanto a seus efeitos são muito variáveis. Quando a pessoa para de fumar, seu organismo sente falta destas substâncias e podem sinalizar alguns sintomas tais como: sonolência, moleza, irritação, impaciência e irritabilidade.

Desta forma, se a pessoa não estiver convicta e determinada a parar, dificilmente conseguirá e retornará ao vício resgatando de volta “o vigor e as boas sensações” que o cigarro lhe proporcionava.

O que gostaria de salientar é que a dependência psicológica precisa ser melhor compreendida neste contexto, pois pode levar o indivíduo à depressão, à substituição de um vício por outro vício, além da grande dor da saudade da nicotina.

Nosso maior obstáculo é compreender a tendência do ser humano a estabelecer vínculos tão intensos com coisas, pessoas ou situações que nos deixa totalmente dependentes de tal forma que não conseguimos viver sem.

A nicotina é uma droga com maior potencial para viciar do que o álcool.

[...]

O cigarro dá ao indivíduo uma sensação de aconchego e amparo que por sua vez acaba se tornando um refúgio num momento em que o indivíduo se vê diante de alguma situação que o deixa inseguro ou desprotegido ou que desestrutura emocionalmente, além disso, faz com que a dependência física também dê seus sinais independentemente do aspecto psicológico. Mesmo que esteja tudo bem no aspecto emocional, o organismo sentirá falta do cigarro, pois seu corpo já está habituado ao vício.

Com o passar dos anos, a pessoa entra na fase adulta e o tipo de relação que tinha com o do cigarro muda. O vício antes lhe trazia a sensação de se achar especial e sedutor e daqui pra frente o cigarro torna-se um grande companheiro.A quantidade ingerida de cigarros aumenta bastante e o cigarro (um objeto) passa a representar uma pessoa, ou seja, alguém de que se tem saudades e não pode se separar.

[...]

Enfim, chega um momento em que o cigarro se torna seu companheiro inseparável, pois este lhe faz sentir seguro e amparado, ou seja, o indivíduo está completamente viciado física e psicologicamente.
O indivíduo tende a minimizar a dimensão da dependência, alegando que pode parar a qualquer momento e que só depende de sua vontade. Talvez tenhamos que encarar a verdade do significado do vício: perdemos o domínio da nossa relação com o cigarro.

A nicotina tem efeitos mais suaves que outros tipos de drogas, mas seus efeitos maléficos irão surgir a longo prazo. Além disso seus efeitos não prejudicam gravemente a vida profissional e afetiva do indivíduo, porém, é uma dependência considerada das mais severas e de difícil recuperação, detonando a autoestima de quem não consegue vencê-la.

Graus de dependência 


Até 20 cigarros por dia: O indivíduo não fuma quando gripado e o seu primeiro cigarro do dia inicia-se na hora do almoço = VICIADO LEVE

Até 25 cigarros por dia: O indivíduo fuma mesmo gripado e o seu primeiro cigarro inicia-se logo após o café da manhã. = VICIADO INTERMEDIÁRIO

Mais de 40 cigarros: O indivíduo fuma mesmo gripado e o seu primeiro inicia-se antes do café da manhã = VICIADO SEVERO

[...]

Todos nós passaremos por situações difíceis na vida, mas temos que estar preparados para enfrentá-las sem a necessidade de nos apegarmos a vícios como sendo nossa salvação.

Nosso aparelho psíquico está estruturado para desejar o prazer. De um lado temos a razão que adia os desejos, pois visa objetivos mais a longo prazo e de outro lado temos os desejos imediatistas buscando o prazer a todo o custo. Temos que achar o equilíbrio, ponderando a respeito de cada situação e decidindo o melhor a fazer.

O consumo regular do cigarro provoca uma sensação de bem estar, pois ampara e também provoca uma sensação boa para a nossa vaidade em algumas situações que consideramos especiais. São várias as boas sensações de prazer imediato que o cigarro traz.

As razões para que o indivíduo pare de fumar precisam ser bastante atraentes, já que a “dor” psicológica e física é grande. A falta de nicotina no corpo causa uma inquietação e depressão para o organismo.

[...] 

Vamos parar de fumar? 

 Preparar-se para batalha

Rompimentos abruptos nos fazem em determinado momento voltar ao vício e acreditar cada vez menos em nós mesmos. Vencer o cigarro é sem dúvida uma grande conquista que resgata a auto estima do indivíduo, sua força e sua confiança na própria razão e para isso precisamos estar preparados. O resultado será válido quando não tivermos mais vontade de fumar, caso contrário, ainda teremos que aprimorar nosso autoconhecimento e nossa honestidade conosco mesmo.
Temos que compreender as sensações de abandono e insignificância que nos fizeram em algum momento de nossas vidas começar a fumar. Temos que nos preparar com calma, pois as mudanças interiores são lentas e necessitam deste tempo para uma vitória mais consistente.

 Assumir que você é um viciado

É difícil assumir que somos viciados porque isto nos deprecia, então tentamos minimizar o problema rotulando como “é apenas um hábito, etc” ou buscando qualquer outra explicação que diminua nossa pena. Devemos ser honestos: Preciso do cigarro e não é apenas um hábito! Só que esta constatação nos deixa tristes porque queremos ser especiais e únicos. Será que não pode se considerar como ser humano normal e passivo de erros e acertos? Será que não está sendo exigentes demais consigo mesmo?A pessoa que se reconhece como viciada não pode imaginar que poderá fumar aleatoriamente em ocasiões especiais. Para viciados não existe meio termo: ou pára ou continua fumando.


 Escolha o momento certo e pare de fumar

Não tenha pressa. Sua voz interior lhe dirá qual é o momento certo de parar de fumar e não defina isto aleatoriamente. Certamente sentirá quando estiver preparado para esta que é uma grande batalha. Geralmente dois anos é um período de tempo ideal para parar, porém, isto varia do amadurecimento de cada um. Se possível, pare de fumar ao mesmo tempo que parentes, amigos ou colegas de trabalho. Isto possibilita poder compartilhar os momentos difíceis, ajudando-se e policiando-se uns aos outros nestas primeiras 24 horas que serão dificílimas sem a companhia do cigarro.
O ideal seria que você entrasse de férias uns 15 dias em um lugar tranqüilo, fazendo coisas que realmente lhe agradem e acompanhado de pessoas que gosta.

Estar preparado para o intenso sofrimento

Sentindo-se psicologicamente preparado para largar o cigarro e enfrentar a dor que isto irá causar, podemos dar um passo para a ação. Mas estar preparado não nos dá a dimensão da dor que iremos sentir na prática. Como também iremos descobrir certas facilidades que nem tínhamos ideia.
O principal aqui é ter conhecimento de tudo o que pode ocorrer com a ausência do cigarro para que você consiga enfrentar melhor e não ter surpresas desagradáveis, fazendo com que desista no meio do caminho. 

A sensação da falta do cigarro é muito ruim e difícil de distinguir se ela é uma causa da falta da nicotina no organismo ou da dor da decisão de ter parado.

As sensações são várias: depressão, calafrio, tensão, irritabilidade devido a algumas horas sem fumar. É uma espécie de crise de abstinência. Acredito que a proibição interna ou externa é um fator fundamental causador de tais sensações e o desespero desta falta é similar ao que os viciados de drogas mais pesadas sentem. A hora que bate o desespero parece que é algo que não irá passar mais, porém, se conseguir suportá-la por alguns minutos ela irá passar.

A pessoa fica numa instabilidade emocional, pois sente-se feliz pela vitória e triste pela saudade do cigarro. Passados os três primeiros dias sem fumar surge um sentimento de felicidade pelo início de uma conquista.

A vontade e o descontrole vão e vem, mas como resistimos das outras vezes sabemos que somos capazes de continuar resistindo e que este estado é temporário e logo passa. Toda a forma de dor passa no que se refere à dependência física ou psicológica. A dependência física que causa desespero não ocorre mais passados alguns dias ou semanas sem o cigarro.

O sentimento que fica é uma certa tristeza, pois parece que estamos perdendo algo de muito valor. Isto porque atribuímos muitos valores ao cigarro e quando o perdemos, parece que perdemos parte de nós mesmos.

Ele era a nossa a nossa vaidade e a sensação de sermos seres especiais, únicos e diferentes. Hoje em dia os valores mudaram, pois as pessoas estão buscando mais qualidade de vida e os fumantes de alguma forma estão sendo cada vez mais excluídos do convívio público e a pessoa que não fuma que é considerada especial e admirada.

Na maioria das pessoas a vitória traz uma sensação de bem estar que aos poucos suprime a depressão causada pela falta do cigarro. Em algumas delas a depressão predomina e nestes casos é necessário trabalhar em psicoterapia quais os motivos que fazem com que a pessoa ainda esteja tão dependente psicologicamente de um objeto em recusa à sua individualidade e independência.

Quando percebemos que a pessoa estava realmente pronta para parar de fumar?

A pessoa não tenta substituir o cigarro por um outro tipo de vício como o álcool, doces, alimentos ou outras drogas. É importante se policiar para não abrir porta para outro vício, até porque outro vício pode “chamar” a vontade de dar só uma tragadinha. Quem já foi viciado não deve ter acesso à droga, pois pode ter rápida recaída.

Nos primeiros meses de interrupção, o metabolismo do organismo é reduzido devido à falta da nicotina que é estimulante e por isso a pessoa pode engordar de 7-8 quilos. Desta forma é aconselhável fazer exercícios regularmente para evitar um possível ressentimento com o fato de engordar muito.

Para combater o vício precisamos entender o porquê buscamos na relação com os objetos atenuar sentimento de desamparo

Temos que trabalhar mais nossa individualidade de forma que não precisemos mais de atenuadores externos a nós mesmos alcançando uma autosuficiência.

É através da boca que buscamos o prazer e a satisfação desde a mais tenra infância e quando nos sentimos desamparados buscamos algo que levamos a boca para atenuar esse sentimento.
“Para Sigmund Freud (1856-1939), em 1905, a boca seria a via de comunicação com o mundo externo. A relação que a criança faz entre leite (seio) e amor é algo que orienta o rumo de uma boa alimentação e a transição do leite para o alimento sólido. Essa experiência transcende o vínculo primário com a mãe quando é então criado, a partir daí, um modelo de relações afetivas interpessoais posteriores, na sua vida adulta. Enquanto mama, o bebê não esta simplesmente se alimentando, mas, realizando uma das mais importantes experiências de sua vida. Se até aqui concordamos com essa direção do pensamento, podemos supor que a maneira como o bebê vive essa experiência e a possibilidade de simbolizar esta vivência como boa e prazerosa, servirá de base para toda a vida afetiva e diretamente influenciará na forma da alimentação adulta.”

Quando estamos dentro do ventre de nossa mãe mantemos uma relação satisfatória, pois estamos aconchegados e protegidos que chamamos de simbiose. Já quando nascemos entramos em um novo “mundo” nos sentimos de certa forma desamparados e tentamos chegar próximo da simbiose perdida através da amamentação no seio materno.

Parece que temos uma inquietação oral que existe antes do vício do cigarrro e temos que entender e separar esta inquietação do vício do cigarro. E talvez seja por existência desta inquietação que existam a chupeta e a gomas de mascar por exemplo.

Temos questões existenciais que não são curadas por nenhum tipo vício, seja ele qual for, pelo contrário, além de não nos ajudar a resolvê-las destroem a nossa saúde e nossa autoestima diminuindo ainda mais as nossas forças para compreender e resolver nossa problemática existencial.

A vaidade 

Outra questão que deve ser compreendida é um componente da nossa sexualidade que é a vaidade. Ela está diretamente ligada à construção da individualidade. Buscamos nos destacar dentro do grupo ao qual estamos inseridos e desta forma queremos ser especiais e diferentes para chamar a atenção. E as propagandas vendiam isto antigamente (hoje este cenário mudou um pouco): Quem fumava era mais “adulto”, sensual, mais erotizado. E qual jovem não gostaria de se sentir assim?

A vaidade contribuiu para nos viciarmos a favor do cigarro. Hoje para lutarmos contra o vício temos que fazer com que nossa vaidade mude de lado..Atualmente fumar é “fora de moda” , além de ser proibido em vários lugares públicos, ou seja, deixou de ser uma vaidade para ser quase vergonhoso, fato que pode ajudar os fumantes a combater o vício.

A vaidade sempre existirá, mas porque não usarmos ela em nosso benefício e dos que nos cercam? A vaidade está em não fumar. Somos mais fortes que o vício, não somos proibidos de frequentar lugares, ganhamos em saúde, enfim tudo conspira a favor do fim do cigarro.

Passam os anos e fica uma leve saudade do cigarro, afinal fez parte de nossa vida, nos aconchegou e amparou nos momentos difíceis e nos trazia uma “certa segurança” apesar dos seus malefícios.
O cigarro então entra em nossa vida pela via da vaidade e pelo desejo de independência. Fumamos quando nos sentimos desamparados e também quando queremos completar um total bem estar (oralidade).

O desamparo faz parte da vida do ser humano e sempre irá existir. Sempre em algum momento de nossas vidas iremos nos sentir desamparados em relação ao universo. Quando enfrentamos o desamparo de verdade, isto nos leva a pensar em questões muito profundas que não sabemos responder e fogem ao nosso modo lógico de pensar.

Temos uma inquietação oral que confundimos muitas vezes com o desejo pelo cigarro. Na verdade a inquietação oral existe independentemente do desejo pelo cigarro, pois ela irá sempre estar presente sinalizando um sentimento de desamparo que temos desde a infância e tentamos amenizar através da boca.

É um desamparo da condição de sermos humanos e que devemos atenuar procurando compreender mais intensamente tal condição numa reflexão religiosa ou em relacionamentos amorosos consistentes que possam atenuar. Em geral as pessoas que se afastam das drogas se aproximam da religião. As pessoas passam a ter que fazer uma reflexão mais séria da questão do desamparo a partir das concepções religiosas.

O que não podemos é usar qualquer tipo de vício para resolver o problema.

O mais difícil para o ser humano é aceitar a expressão “nunca mais”. Nunca mais fumar é bastante doloroso como tudo que cortamos definitivamente em nossas vidas. 

[...]



imagem: google


23.8.17

síndrome de abstinência: como funciona e quanto tempo dura

 É curioso o fato de que quase todos os especialistas afirmem que a nicotina é mais difícil de ser vencida do que a cocaína, mas, apesar disso, tendem a tratar a abstinência do cigarro como se fosse mais leve ou menos importante que as demais. Nunca entendi essa contradição muito bem. O texto abaixo, por exemplo, retirado do site Saúde Melhor, fala de drogas em geral, porém não cita o cigarro. Reconheci muitos dos sintomas que enfrentei e enfrento dentro desses nove meses sem cigarro em que me encontro. Se os especialistas afirmam que a nicotina é mais difícil de vencer que a cocaína, tomo a liberdade de colocar ambas no mesmo saco: drogas que produzem abstinência física e emocional. Se você está abstêmio dos bastonetes nicotinosos leia e tire suas próprias conclusões. 

monicamontone

A abstinência ocorre porque o cérebro funciona como uma mola quando se trata de vício. Drogas e álcool são depressores do cérebro que empurram para baixo o lado bom da coisa. Eles suprimem a produção do seu cérebro de neurotransmissores como a noradrenalina. 

Quando você para de usar drogas ou álcool é como tirar o peso, e seu cérebro tem um rebote, produzindo uma onda de adrenalina que faz os sintomas de abstinência.

Cada droga é diferente. Algumas drogas produzem abstinência significativa física (álcool, opiáceos e tranquilizantes). Algumas drogas produzem pouca abstinência física, mas uma mais emocional (cocaína, maconha e ecstasy). 

O padrão de cada pessoa na abstinência física também é diferente. Você pode experimentar pouco a retirada física. Mas isso não significa que você não é viciado, em vez disso você pode experimentar uma mais emocional.

Abaixo estão duas listas de sintomas de abstinência. A primeira lista é os sintomas de abstinência emocionais produzidas por todas as drogas. Você pode experimentá-los se você tem sintomas de abstinência física ou não. A segunda lista é os sintomas físicos de abstinência que ocorrem geralmente com álcool, opiáceos e tranquilizantes.

SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA EMOCIONAIS

Ansiedade;
Inquietação;
Irritabilidade;
Insônia;
Dores de cabeça;
Falta de concentração;
Depressão;
Isolamento social.

SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA FÍSICA

Sudorese;
Coração acelerado;
Taquicardia;
Tensão muscular;
Aperto no peito;
Dificuldade em respirar;
Tremores;
Náuseas, vômitos ou diarréia.

SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA PERIGOSOS

Álcool e tranquilizantes produzem a abstinência física mais perigosa. De repente, parar de álcool ou tranquilizantes pode levar a convulsões, derrames ou ataques cardíacos em pacientes de alto risco. A desintoxicação sob supervisão médica pode minimizar os sintomas de abstinência e reduzir o risco de complicações perigosas. Alguns dos sintomas perigosos de abstinência de álcool e tranquilizantes são:

Convulsões graves;
Ataques cardíacos
Derrames ou infartes;
Alucinações;
Delirium tremens (DTs).

Abstinência de opiáceos, como a heroína, são extremamente desconfortáveis, mas não perigosas, a menos que eles sejam misturados com outras drogas. A abstinência de heroína não produz convulsões, ataques cardíacos, derrames ou delirium tremens.

ABSTINÊNCIA PÓS-AGUDA  

A primeira fase da abstinência é a fase aguda, que geralmente dura algumas semanas. A segunda etapa é a fase pós-aguda. Os sintomas de abstinência pós-aguda mais comuns são:

Mudanças de humor;
Ansiedade;
Irritabilidade;
Cansaço;
Energia variável;
Baixa entusiasmo;
Concentração variável;
Sono perturbado.

Esta fase se sente como uma montanha-russa de sintomas. No início, os sintomas vão mudar minuto a minuto e de uma hora para outra. Mais tarde, quando você recuperar mais eles vão desaparecer por algumas semanas ou meses, só para voltar novamente. Como você continuar a recuperar os bons trechos vai durar mais e mais. Mas os maus períodos de abstinência pós-aguda pode ser tão intensos e durar apenas um pouco tempo.

Cada episódio de abstinência pós-aguda geralmente dura poucos dias. Uma vez que você está em recuperação por um tempo, você vai descobrir que cada episódio geralmente dura por alguns dias. Não há gatilho óbvio para a maioria dos episódios. Você vai acordar um dia sentindo-se irritado e ter um baixo consumo de energia. Se você aguentar por apenas alguns dias, ele vai levantar tão rapidamente como começou. Depois de um tempo você vai desenvolver a confiança de que você pode passar disso tudo, porque você vai saber que cada episódio é por tempo limitado.

A ABSTINÊNCIA PÓS-AGUDA GERALMENTE DURA 2 ANOS.  Esta é uma das coisas mais importantes que você precisa lembrar. Se você está pronto para o desafio. Mas se você acha que a abstinência pós-aguda vai durar apenas alguns meses, então você vai ser pego de surpresa, e quando você está desapontado que você tem mais chances de recaída.

COMO CONVIVER COM A ABSTINÊNCIA?

Seja paciente. Você não pode apressar a recuperação. Mas você pode passar por isso um dia de cada vez. Se você se ressente ou tenta intimidar o seu caminho através dela, você irá tornar-se exausto. E quando você está exausto você vai pensar em usar para escapar.

Sintomas de abstinência pós-agudos são um sinal de que seu cérebro está se recuperando. Portanto, não corra deles. Mas lembre-se, mesmo depois de um ano, isto ainda é apenas metade do caminho.

Vá com o fluxo. Os sintomas de abstinência são desconfortáveis. Mas quanto mais você se ressente-lhes o pior eles parecem. Você vai ter muitos bons dias ao longo dos próximos dois anos. Aprecie-os. Você também vai ter muitos dias ruins. Nesses dias, não tente fazer demais. Cuide de si mesmo, foque em sua recuperação, e você vai passar por isso.

Pratique o auto-cuidado. Dê-se muitas pequenas pausas ao longo dos próximos dois anos. Diga a si mesmo “o que eu estou fazendo é o suficiente”. Seja bom para si mesmo. Isso é o que a maioria dos viciados não pode fazer, e é isso que você deve aprender na recuperação. A recuperação é o oposto do vício.

Às vezes, você vai ter pouca energia ou entusiasmo por nada. Entenda isso. Dê-se permissão para se concentrar em sua recuperação.

Você vai passar semanas sem sintomas de abstinência, e então um dia você vai acordar e sua abstinência vai bater em você como uma tonelada de tijolos. Você vai ter dormido mal. Você vai ficar de mau humor. Sua energia estará baixa. E se você não estiver preparado para isso, se você acha que a abstinência dura apenas alguns meses, ou se você acha que você vai ser diferente e não vai ser tão ruim para você, então você vai seja pego desprevenido. Mas se você sabe o que esperar, você pode fazer isso.

Ser capaz de relaxar irá ajudá-lo através desta fase. Quando você está tenso, você tende a se debruçar sobre os seus sintomas e torná-los pior. Quando você está relaxado, é mais fácil para não ser pego nelas. Você não está tão desencadeado por seus sintomas, o que significa que você é menos provável de recaída.

Lembre-se, a cada recaída, não importa quão pequena, desfaz os ganhos de seu cérebro fez durante a recuperação. Sem abstinência tudo vai desmoronar. Com a abstinência tudo é possível.

RECUPERAÇÃO E RECAÍDA: ESTRATÉGIA E PREVENÇÃO

Existem duas fases: aguda, que geralmente dura no máximo algumas semanas. Durante este estágio, você pode experimentar sintomas de abstinência física. Mas todas as drogas é diferente, e cada pessoa é diferente.

A segunda etapa, síndrome de abstinência pós aguda. Durante esta fase você vai ter menos sintomas físicos, mas os sintomas mais emocionais e psicológicos de abstinência.

Abstinência pós-aguda ocorre porque a química do cérebro está gradualmente voltando ao normal. Como seu cérebro melhora os níveis de suas substâncias químicas do cérebro flutuar ao se aproximar do novo equilíbrio causando sintomas de abstinência pós-agudos.

A maioria das pessoas sente alguns sintomas de abstinência pós-agudos. Considerando que, na fase aguda de retirada de cada pessoa é diferente, na abstinência pós-aguda a maioria das pessoas têm os mesmos sintomas.


O jeito certo de lidar com isso? Muita ajuda profissional, o apoio e suporte de familiares e amigos e tudo mais que você puder. Afaste-se das más influências, sejam eles companheiros, companheiras, amigos ou amigas. Afaste-se de ambientes que não sejam saudáveis. Assim, você garante que sua abstinência não terá sido em vão e você se recupere, para a felicidade de todos.


imagem: google 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...