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15.11.18

dois anos sem fumar


Sim, eu continuo sem fumar.

Lá se vão DOIS ANOS sem esse veneno.

Muita coisa aconteceu de lá pra cá, inclusive um ganho de peso indesejado.

Venho falando sobre meu processo de abstinência no Instagram e mudei o nome do projeto para "Diário de uma abstinência'e depois para Dois cafés e uma água com gás   (nome do meu canal no YouTube) -  achei mais justo comigo e com vocês, uma vez que apesar de todos os meus esforços acabei ganhando peso.

Todos os dias rola uma postagem diferente por lá.

Os temas são variados:  tabagismo, abstinência, ganho de peso, autoaceitação, movimento body positive, dicas para parar de fumar, ansiedade, depressão, autoconhecimento, saúde emocional, alimentação saudável, dicas de livros, filmes e séries, dicas de beleza e afins.

Parar de fumar é difícil, dá trabalho, é chatinho, mas é possível e vale a pena. Eu precisei superar até um quadro de depressão com crises ansiosas, porém continuo dizendo: vale a pena.

Escolhi o Instagram para trocar experiências e informações diariamente com vocês por acreditar que atualmente é uma mídia mais direta, imediata e de fácil acesso.

Você não precisa ser cadastrado no aplicativo para ler o conteúdo, sabia? O perfil é aberto e pode ser lido do seu computador ou tablet, basta clicar aqui . Agora, se você tem conta, basta seguir e ativar as notificações para ficar por dentro de tudo que anda rolando no mundinho dessa ex-fumante.

Espero vocês por lá!

por ///. mônica montone


uma beijoca diretamente do meu insta 
e com cheirinho de baunilha // sem cigarro


21.11.17

ganho de peso X auto-repulsa

Preciso parar de me pesar. O medo de engordar ao parar de fumar me fez estabelecer uma nova rotina: me pesar toda segunda-feira -  desde a adolescência não fazia isso.

Ando sentindo culpa e auto-repulsa quando subo na balança e constato que não emagreci ainda os quilos adquiridos nessa fase sem cigarro.

Meu pensamento nesse tipo ocasião é sempre o mesmo: "vai, gata, continue comendo sobremesa e pão francês - essa semana eu simplesmente comi pão francês todos os dias - que você vai ver onde vai parar". 

Não quero (nem acho razoável) sofrer por conta do meu peso e do tamanho do meu quadril, mas também não quero perder o total controle sobre meu corpo e engordar a perder de vista.

Sim, eu quero o corpo que eu tinha quando fumava, mas sem restrições ou processos compensatórios absurdos.

Não porque eu ache que a beleza está no "padrão magreza" (vide minha campanha no Instagram #alindadodia), mas porque me sinto melhor mais leve, porque quero minhas roupas de volta e porque lamentavelmente programei a minha mente durante aaaaaaaaaaaanos para manter aquele peso de sempre.

Há alguns dias um pensamento bem assustador me tomou: "E se aquele corpo que adoro SÓ for possível com MUITAS restrições e processos compensatórios malucos como jejum e malhação excessiva"? 

Não quero mais me maltratar, mas também não sei lidar com esse corpo adquirido sem cigarro e sem restrições. 

Vou ter que aprender a ama-lo? Será que consigo? .

Por ora estou querendo acreditar (me iludir?) que fazendo um pequeno ajuste na alimentação - como diminuir o tamanho das porções e evitar bebida alcoólica e doces -  e mantendo os treinos moderados diários -  meu peso vai voltar para os trilhos. Será? 

Bom seria, mesmo, se isso não fosse uma questão para mim. Se minha emoção andasse de mãos dadas com a minha razão, mas elas brigam feito cão e gato: enquanto racionalmente acho as curvas alheias lindas e estudo sobre transtornos alimentares e autoaceitação, minha emoção me joga na lama por conta de um maldito número na balança. 

Eu me pergunto: até quando?




ansiedade generalizada e depressão

Como já contei por aqui, eu estava muito deprimida e não sabia. Mascarava os sintomas com doses cavalares de nicotina (quase dois maços de cigarros por dia). Bastou tirar a nicotina para que os sintomas viessem a baila: .

1. Insônia desesperadora -  com direito a taquicardia, choro e pensamentos catastróficos; .

2. Necessidade de isolamento -  evitava ao máximo encontrar pessoas, só aceitava por perto meu namorado e minha família;

3. Misto de medo avassalador do futuro + certeza absoluta de que nada ia dar certo;

4. Sentimento de despersonalização - perda total de objetivos e de reconhecimento de mim mesma (sempre dizia que estava com saudades de mim). .

5. Pensamentos catastróficos de que eu ia morrer (ou adoecer) ou alguém próximo e amado ia morrer (ou adoecer), .

6. Sentimento de culpa e fracasso; .

7. Necessidade absoluta de ser tratada como a um bebê e vergonha igualmente proporcional a essa necessidade. .

8. Vontade de desaparecer completamente (morrer sem precisar me matar ou ficar dormindo congelada por anos) e culpa por essa emoção. .

9. Aversão àquela versão frágil e até então desconhecida de mim; .

10. Choro desenfreado e compulsivo em alguns momentos, dor nas costas, ânsia de vômito, espasmos musculares. .

Foram aproximadamente 6 meses desse terror.

Não quis tomar antidepressivo, tratei com terapia, acupuntura, meditação, atividade física, homeopatia e floral e em momentos de crise forte (a contragosto) Rivotril.

O que foi fundamental para a minha reabilitação foi o amor, paciência, apoio e carinho de pai, namorado e família e MINHA CRENÇA de que aquilo NÃO ERA EU e sim uma fase que ia passar. .

Não se render, SE CONVOCAR a não acreditar nas mentiras que a depressão/ansiedade conta é O PRIMEIRO PASSO. .

Se está passando por isso, ACREDITE que vai passar e uma hora você vai encontrar a melhor forma de sair desse labirinto de desespero.

Uma coisa é certa: terapia é FUNDAMENTAL.

Tenha paciência com você! Tenha fé! E busque ajuda!

monicamontone 



 imagem: google


2.10.17

dois meses sem fumar: eu era feliz e sabia

Sabe quando você conhece um garoto enxaqueca e apesar de intuir que vai quebrar a cara deixa as coisas rolarem, se joga na alegria do frio na barriga e vive uma pequena lua de mel antes do caos se instalar?

Foi mais ou menos assim que me senti no segundo mês sem cigarro

A aflição das primeiras semanas de abstinência deu trégua, o sono continuou irregular mas sem causar grandes estragos. Sessenta dias tinham se passado e eu tinha conseguido manter o peso e corpo dos sonhos - com a dieta low carb.

Além disso, comemorei os dois meses sem cigarro em pleno Réveillon, numa festa linda em Copacabana, com pessoas pessoas que amo.

O chicletinho de Nicorette + corpo dos sonhos + sensação de ter vencido um dragão, fizeram do meu final de ano (e janeiro do ano seguinte) o período mais doce dessa jornada.

Sentindo-me forte e poderosa (por ter “vencido” a fase crítica do vício), sentindo-me linda (por ostentar minha barriga negativa por aí e uma pele mais viçosa) e agarrada à esperança que todo final de ano injeta em nós, eu tinha certeza absoluta de que 2017 seria um ano inesquecível, ou, como costumamos dizer, “o meu ano”.

Eu só não sabia que os motivos seriam desespero, angustia, ansiedade, depressão. Se o consumo baixíssimo de carboidratos colaborou para o fim da lua de mel? Creio que sim. Falei sobre, aqui

De fato o ano de 2017 vai ficar para sempre marcado em minha vida, porém como um ano de muita superação e muito aprendizado.

Dois meses sem fumar: eu era feliz e sabia. Ainda fazia a dieta low carb, malhava todos os dias (continuo me exercitando diariamente), e passei a incluir em minha rotina duas xícaras de café diárias. 

A insônia crescia, a concentração ainda estava péssima (não conseguia ler nem escrever), mas eu estava de férias, com família na cidade, era janeiro no Rio de Janeiro, eu tinha um ano inteiro para fazer planos; foram muitos os mergulhos na praia no fim do dia, muito pôr do sol aplaudido em Ipanema; água com gás, gelo e limão, chinelo no pé minissaia e barriga de fora. 

E tudo isso de cara limpa, sem dar um traguinho sequer no cigarro.

Irritabilidade? Sim. Insônia? Sim. Falta de concentração? Sim. Mas era janeiro, os dias estavam quentes, a rua se tornou convite e eu aceitei todos.


Dois meses sem fumar: eu era feliz e sabia. 

Meu pesadelo começou no final do terceiro mês. 

monicamontone








fotos do meu Réveillon 2017


11.9.17

ninguém engorda sem motivo


É preciso que haja honestidade para resolver o que quer que seja nessa vida. Negar o problema, um traço de personalidade, uma compulsão; negar o que fazemos e somos não vai resolver nossos problemas, tampouco ajudar a operar as mudanças que desejamos.

Ok, eu engordei depois que parei de fazer a reposição de nicotina (lá pelo quarto mês) e comecei a ver o ponteiro da balança subir -  cheguei a me assustar com 8kg a mais, depois consegui controlar a oscilação e no momento transito entre 4kg e 5kg acima do peso que tinha antes de parar de fumar.

Por que, meodeos, por que? Por que esse maldito ganho de peso se estou me alimentando de forma saudável, sem excesso de carboidratos, sem doces, massas, pães; com grãos integrais, verduras, legumes, frutas, bebendo muita água e chás e malhando duas horas por dia cinco dias por semana?

Honestamente? Porque estou repetindo 3x as porções que como e bebendo mais álcool, muito mais do que bebia antes.

Não adianta tentar se enganar, ninguém engorda do vento, do nada, só Maria engordou por conta do divino Espírito Santo (ô piada infame, mas não resisti) e por uma boa causa.

Dia desses fiz um quibe vegetariano com abobora assada, quinoa e hortelã macerada com limão para comer no jantar com salada de folhas variadas e tomate cereja. Jantarzinho saboroso, saudável, índice glicêmico ok. Acontece que comi metade do tabuleiro na hora do jantar e a outra metade durante a madrugada vendo reprises de novelas no canal Viva.

Antigamente (quando eu fumava) uma merda de tabuleiro desses dava para dois dias, eu comia educadamente um ou dois quadradinhos por refeição.

O álcool, ah, o álcool. Sempre gostei de beber, mas nunca fui de beber sempre. Passei dois anos sem beber absolutamente nada de álcool no período em que estava mais dedicada ao yoga. Gosto de beber socialmente, mas não obrigatoriamente todo final de semana.

Depois que parei de fumar o que tem acontecido? Tem acontecido que meu humor está péssimo, parece que nunca mais vai estabilizar (e olha que já estou no décimo mês sem cigarro); um tédio mortal de tudo e de todos parece ter se deitado sobre minha alma, falta paciência, sobra irritação e nada me alegra verdadeiramente como antes. Mentira! O álcool tem me trazido a alegria que outrora me foi genuína.

Conclusão? Tenho bebido em demasia. Tenho bebido todo final de semana, coisa que não fazia. Tenho bebido uma, duas, três garrafas de vinho ou champanhe em boa cia -  antes apenas duas ou três taças bastavam para eu ficar, como se diz, “alegrinha”.

Só que álcool e controle (ou perda) de peso são coisas que DEFINITIVAMENTE não combinam.

Costumo me pesar toda segunda-feira de manhã, logo que acordo, em jejum, sem roupa (tenho uma balança em casa) para sentir o estrago do final de semana e para saber quais medidas terei que adotar nos próximos dias. Os finais de semana em que não bebo nada alcoólico eu mantenho o peso ou até perco alguns gramas, já os que consumo álcool costumo engordar de 1,5kg a 2kg.

Então eu sei exatamente o que devo fazer:  1) diminuir minhas porções (porque mesmo comidas saudáveis em quantidades cavalares engordam); 2) deixar de beber por um período.

Diminuir as porções eu até consigo, mas não beber? Confesso que atualmente o vinho, o champanhe ou a cerveja artesanal têm sido boias de descanso nesse mar de desesperança, embotamento e tristeza em que me encontro. Oh, que coisa mais clichê, cafona, démodé e perigosa, não? Buscar conforto na bebida.

Felizmente não coloquei minha compulsão no álcool, não tenho feito dele meu anestésico como as pessoas que bebem todos os dias e/ou sozinhas em casa, mas tenho abusado, sim, nos finais de semana.

“-  Baby, abre outra garrafa!”, tem sido uma frase bastante repetida por mim aos sábados e domingos.

Ai que exaustão disso tudo!

Parar de fumar não tira apenas o cigarro das nossas vidas: nos tira de nós mesmos. O luto não é pelo companheiro perdido, este se supera lá pelo quinto ou sexto mês; o luto permanente é o luto do que éramos - que se agrava com a depressão que teima em nos abraçar no período da abstinência.

É como se desaparecêssemos, como se nos tornássemos um borrão sem contorno, como se nada fizesse sentido ou valesse a pena. Como se não houvesse futuro, nem passado, só um presente agonizante e cinza.

 E poxa, como beber alivia essa sensação de ausência de contorno e sentido. A bebida provoca quase a mesma sensação da meditação, só de que forma rápida, prolongada e sem esforço -  nem sempre consigo sentar, respirar, meditar...

Eu tinha jurado há duas semanas que ia parar de beber por um tempo, por conta do controle do peso e por receio de deslocar a compulsão para outro tipo de vício. Mas acabei indo para o sítio, tava friozinho, o namorado cozinhando um delicioso risoto, a lua cheia convidando... Não resisti...

Segunda-feira. Resultado da farra no sítio: 2kg a mais na balança. Irritação máxima. Vontade de desistir dessa porra toda, inclusive de parar de fumar. Não aguento mais esse humor deprimido que não combina comigo e me impede de viver plenamente; não aguento mais esse controle irritante de peso, não aguento mais me sentir raivosa por ter bebido vinho com meu namorado numa noite de lua cheia num lindo sítio; não aguento mais sentir raiva de mim por me importar com essa besteira de peso, algo que considero fútil, mas me mobiliza.

Estou há dez meses nessa luta e estou exausta. Tem o lado bom? Tem, sempre tem. Aliás, vou fazer uns posts motivacionais para tentar me empolgar com minha conquista de ter parado de fumar. Sim, o lado bom existe, porém há dias (semanas, meses) em que ele simplesmente não ultrapassa o ruim.

Espero, com todas as minhas forças, que um dia eu dê risada disso tudo e que aprenda de fato boas lições com essa jornada. Por ora eu tenho apenas oscilado entre a vaidade de estar conseguindo me manter longe do vício e uma tristeza sem foco, opaca e desesperançada.

monicamontone 







fotos do final de semana no sítio 

5.9.17

dieta low carb X depressão

Assuntinho delicado e chatinho, mas assuntinho que precisa ser falado por aqui, afinal a ideia inicial da página era tratar sobre (ex) tabagismo e controle de peso e não há como não falar de dieta e/ou reeducação alimentar quando o assunto é controle de peso.

Pois bem, comecei uma dieta Low Carb um mês e meio antes da data escolhida para abandonar o cigarro -  minha ideia era emagrecer 3kg antes de parar de fumar para não sentir tanto "o inexorável" ganho de peso -  e passei a malhar duas horas por dia durante a semana. Não, não procurei um nutricionista (sic, sic ) encontrei alguns canais no YouTube que davam dicas de receitas e explicavam o funcionamento da dieta e mandei bala.

Funcionou! Fiquei com o peso que amo (59kg), ostentando a tal barriga negativa (que veneramos!) por aí, mas o preço que paguei foi beeeeem alto.

Portanto, foram três meses de dieta Low Carb + atividade física diária: um mês e meio antes de parar de fumar e um mês e meio aproximadamente já sem o cigarro.

Apesar de toda a irritabilidade, mau humor, instabilidade afetiva, sono irregular, explosões de raiva repentinas, vivi o que chamo de "período de lua-de-mel": estava de fato sentindo-me a Mulher Maravilha, aquela que além de estar vencendo o grande dragão (o vício) ostentava uma barriga negativa por aí.  Yes, eu tinha desafiado a ciência e tinha vencido! Yes, eu era foda, muito foda! Só que não.

O que ninguém me contou -  porque eu devia ter procurado um nutricionista e não procurei, resolvi seguir o que via e lia na Internet -  é que se o corpo não precisa necessariamente da glicose advinda dos carboidratos para funciona bem, se ele consegue retirar energia da gordura boa que ingerimos, o cérebro é mais retardadinho e PRECISA. Saiba mais

Agora imaginem um cérebro que já estava com seus hormônios, neurotransmissores, enfim, reguladores de humor como serotonina, dopamina, endorfina, etc, alterados e desregulados devido à retirada da nicotina? IMAGINEM!

Tava na cara que isso não ia funcionar!

E tava na cara, também, que na condição de pessoa compulsiva eu não me contentaria em fazer a dieta Low Carb como os especialistas indicam! Aos poucos, sem me dar conta, fui cortando TODO o carboidrato da minha vida, nem fruta comia mais, nem arroz integral que sempre amei e é uma ótima fonte de vitamina B; fiquei viciada na ideia de manter aquele corpo de barriga chapada e a solução para tal manutenção me parecia simples e ao alcance da minha "fé, foco e determinação": não comer nenhum tipo de carboidrato. 

Ah, mas ninguém indica o corte completo dos carboidratos na Low Carb, isso é coisa de gente doida, irresponsável, radical e extremista. Rã-rã, atire a primeira batata quem não caiu nessa cilada devido à empolgação inicial, aliás, já se fala por aí em carbofobia.

Agora me digam: como é que eu tiro um mega-estimulante-de-uma-vida-inteira (a nicotina) da minha vida e não me permito comer um bombom sequer para dar uma aliviada no "choque elétrico" que devia estar rolando no meu cérebro naqueles primeiros meses?

Pior que isso! Como é que nem uma famigerada (e amada por mim!) banana eu comi nesse período? Quem é que não sabe que a banana é ótima para regular o humor e o sono?

Tava na cara que isso não ia funcionar!

Somando essa anarquia que promovi no meu cérebro (por conta de uma dieta ultra restritiva), o luto do cigarro e alguns problemas pessoais o resultado foi um só: DEPRESSÃO - sobre a depressão falarei em outro post.

É importante que se diga que não estou questionando a eficácia ou os benefícios da dieta Low Carb. Há pessoas que adotam esse modelo alimentar e super se adaptam e têm ótimos resultados. Alguns nutricionistas defendem, outros questionam. Não sou nutricionista, portanto não me sinto habilitada para aprovar nem contestar.

O que posso é compartilhar minha experiência e dizer para pessoas que têm perfil compulsivo que dietas muito restritivas não são indicadas, pois podem se tornar uma obsessão (como aconteceu comigo!) e que retirar toda e qualquer fonte de glicose do organismo ao mesmo tempo em que se abandona um vício é loucura.

Desde que parei a dieta Low Carb (e continuei sem fumar) meu peso oscilou entre um ganho de 5kg a 8kg.

Atualmente estou há 10 meses sem fumar (urru!), me alimentando como sempre me alimentei (sou ovo-lacto-vegetariana, não curto doces, só como grãos integrais, amo verduras, saladas e frutas, mas adoro um pastel de queijo, pipoca de panela, batata frita, coca-zero, champanhe, vinho rosé e cerveja artesanal, ou seja, não sou natureba porém procuro me alimentar de forma variada e o mais saudável o possível) e pesando 65kg. Continuo fazendo 2h de atividade física diárias. Estou começando a sair do quadro de depressão (ufa) com ajuda de homeopatia, acupuntura, florais, atividade física, terapia, alimentação sem restrição e amor.

Continuo atenta à minha alimentação e ao ponteiro da balança, no entanto compreendi que talvez esse não seja o melhor momento para eu fazer uma dieta restritiva. O pavor de engordar que eu tinha ao iniciar esse processo diminuiu: percebi que cuidando da alimentação com moderação e fazendo atividade física o ganho de peso não é tão alto e tende a ir baixando, ufa. Vamos ver como o bonde segue.

monicamontone



fotos acima: 1 meses e meio sem fumar, fazendo dieta Low Carb, 59kg


10 meses sem fumar, 7 meses sem dieta nenhuma, comendo com moderação, 65kg


o vídeo acima explica como dietas restritivas podem atrapalhar o funcionamento cerebral 

30.8.17

tabagismo: fatores emocionais do vício

Eis abaixo alguns trechos que considerei relevantes de um ensaio sobre o lado psicológico do tabagismo, escrito pela psicóloga Regina Rocha. O texto na íntegra encontra-se aqui

Parar de fumar

por Regina Rocha

Para compreendermos o que leva alguém a se transformar um dependente do cigarro, precisamos primeiro compreender a questão da dependência física e psicológica dos vícios de modo geral.

Quase todos nós temos um tipo de dependência psicológica tais como: trabalho, dinheiro, compulsão para comer, jogos, consumismo, relações amorosas, etc. As causas das dependências psicológicas estão relacionadas a fatores internos do indivíduo, ou seja, nossa subjetividade, o nosso eu interior, é aí onde precisamos curar.

Quando o indivíduo para de fumar, substitui este vício por outro, geralmente comer ou beber em excesso.

Para os não fumantes o ato de parar de fumar lhes parece simples e estes não conseguem compreender a dimensão do problema fazendo cobranças e rebaixando a autoestima do fumante que sente-se fracassado. 

É necessário compreender que a dor envolvida no processo de ruptura de qualquer tipo de dependência é muito intenso, pode levar a depressão e recaídas.

A nicotina é um tipo de droga que provoca malefícios ao organismo dentro de um prazo longo (40 a 50 anos após o início do vício).

Hábito, vício e dependência

Vamos diferenciar hábito e vício para entendermos melhor o problema. 

Quando temos um hábito e precisamos parar por qualquer motivo, o fazemos sem problema nenhum. Já o vício é o tamanho da falta que sentiremos em relação a ele, além de sensações e sentimentos como ansiedade, depressão, saudade e dor frente à sua ausência. Os hábitos são comportamentos constantes e também nem tão fácil assim de serem mudados, mas não são maléficos à saúde.
O maior vício é o da dependência psíquica ou psicológica, ou seja, o apego que a pessoa estabelece a certa substância ou situação. De forma que não podemos subestimar o grau de importância da dependência física que é um grande reforçador do vício.

A nicotina é um estimulante, mas também tem efeitos calmantes, porém, as reações individuais quanto a seus efeitos são muito variáveis. Quando a pessoa para de fumar, seu organismo sente falta destas substâncias e podem sinalizar alguns sintomas tais como: sonolência, moleza, irritação, impaciência e irritabilidade.

Desta forma, se a pessoa não estiver convicta e determinada a parar, dificilmente conseguirá e retornará ao vício resgatando de volta “o vigor e as boas sensações” que o cigarro lhe proporcionava.

O que gostaria de salientar é que a dependência psicológica precisa ser melhor compreendida neste contexto, pois pode levar o indivíduo à depressão, à substituição de um vício por outro vício, além da grande dor da saudade da nicotina.

Nosso maior obstáculo é compreender a tendência do ser humano a estabelecer vínculos tão intensos com coisas, pessoas ou situações que nos deixa totalmente dependentes de tal forma que não conseguimos viver sem.

A nicotina é uma droga com maior potencial para viciar do que o álcool.

[...]

O cigarro dá ao indivíduo uma sensação de aconchego e amparo que por sua vez acaba se tornando um refúgio num momento em que o indivíduo se vê diante de alguma situação que o deixa inseguro ou desprotegido ou que desestrutura emocionalmente, além disso, faz com que a dependência física também dê seus sinais independentemente do aspecto psicológico. Mesmo que esteja tudo bem no aspecto emocional, o organismo sentirá falta do cigarro, pois seu corpo já está habituado ao vício.

Com o passar dos anos, a pessoa entra na fase adulta e o tipo de relação que tinha com o do cigarro muda. O vício antes lhe trazia a sensação de se achar especial e sedutor e daqui pra frente o cigarro torna-se um grande companheiro.A quantidade ingerida de cigarros aumenta bastante e o cigarro (um objeto) passa a representar uma pessoa, ou seja, alguém de que se tem saudades e não pode se separar.

[...]

Enfim, chega um momento em que o cigarro se torna seu companheiro inseparável, pois este lhe faz sentir seguro e amparado, ou seja, o indivíduo está completamente viciado física e psicologicamente.
O indivíduo tende a minimizar a dimensão da dependência, alegando que pode parar a qualquer momento e que só depende de sua vontade. Talvez tenhamos que encarar a verdade do significado do vício: perdemos o domínio da nossa relação com o cigarro.

A nicotina tem efeitos mais suaves que outros tipos de drogas, mas seus efeitos maléficos irão surgir a longo prazo. Além disso seus efeitos não prejudicam gravemente a vida profissional e afetiva do indivíduo, porém, é uma dependência considerada das mais severas e de difícil recuperação, detonando a autoestima de quem não consegue vencê-la.

Graus de dependência 


Até 20 cigarros por dia: O indivíduo não fuma quando gripado e o seu primeiro cigarro do dia inicia-se na hora do almoço = VICIADO LEVE

Até 25 cigarros por dia: O indivíduo fuma mesmo gripado e o seu primeiro cigarro inicia-se logo após o café da manhã. = VICIADO INTERMEDIÁRIO

Mais de 40 cigarros: O indivíduo fuma mesmo gripado e o seu primeiro inicia-se antes do café da manhã = VICIADO SEVERO

[...]

Todos nós passaremos por situações difíceis na vida, mas temos que estar preparados para enfrentá-las sem a necessidade de nos apegarmos a vícios como sendo nossa salvação.

Nosso aparelho psíquico está estruturado para desejar o prazer. De um lado temos a razão que adia os desejos, pois visa objetivos mais a longo prazo e de outro lado temos os desejos imediatistas buscando o prazer a todo o custo. Temos que achar o equilíbrio, ponderando a respeito de cada situação e decidindo o melhor a fazer.

O consumo regular do cigarro provoca uma sensação de bem estar, pois ampara e também provoca uma sensação boa para a nossa vaidade em algumas situações que consideramos especiais. São várias as boas sensações de prazer imediato que o cigarro traz.

As razões para que o indivíduo pare de fumar precisam ser bastante atraentes, já que a “dor” psicológica e física é grande. A falta de nicotina no corpo causa uma inquietação e depressão para o organismo.

[...] 

Vamos parar de fumar? 

 Preparar-se para batalha

Rompimentos abruptos nos fazem em determinado momento voltar ao vício e acreditar cada vez menos em nós mesmos. Vencer o cigarro é sem dúvida uma grande conquista que resgata a auto estima do indivíduo, sua força e sua confiança na própria razão e para isso precisamos estar preparados. O resultado será válido quando não tivermos mais vontade de fumar, caso contrário, ainda teremos que aprimorar nosso autoconhecimento e nossa honestidade conosco mesmo.
Temos que compreender as sensações de abandono e insignificância que nos fizeram em algum momento de nossas vidas começar a fumar. Temos que nos preparar com calma, pois as mudanças interiores são lentas e necessitam deste tempo para uma vitória mais consistente.

 Assumir que você é um viciado

É difícil assumir que somos viciados porque isto nos deprecia, então tentamos minimizar o problema rotulando como “é apenas um hábito, etc” ou buscando qualquer outra explicação que diminua nossa pena. Devemos ser honestos: Preciso do cigarro e não é apenas um hábito! Só que esta constatação nos deixa tristes porque queremos ser especiais e únicos. Será que não pode se considerar como ser humano normal e passivo de erros e acertos? Será que não está sendo exigentes demais consigo mesmo?A pessoa que se reconhece como viciada não pode imaginar que poderá fumar aleatoriamente em ocasiões especiais. Para viciados não existe meio termo: ou pára ou continua fumando.


 Escolha o momento certo e pare de fumar

Não tenha pressa. Sua voz interior lhe dirá qual é o momento certo de parar de fumar e não defina isto aleatoriamente. Certamente sentirá quando estiver preparado para esta que é uma grande batalha. Geralmente dois anos é um período de tempo ideal para parar, porém, isto varia do amadurecimento de cada um. Se possível, pare de fumar ao mesmo tempo que parentes, amigos ou colegas de trabalho. Isto possibilita poder compartilhar os momentos difíceis, ajudando-se e policiando-se uns aos outros nestas primeiras 24 horas que serão dificílimas sem a companhia do cigarro.
O ideal seria que você entrasse de férias uns 15 dias em um lugar tranqüilo, fazendo coisas que realmente lhe agradem e acompanhado de pessoas que gosta.

Estar preparado para o intenso sofrimento

Sentindo-se psicologicamente preparado para largar o cigarro e enfrentar a dor que isto irá causar, podemos dar um passo para a ação. Mas estar preparado não nos dá a dimensão da dor que iremos sentir na prática. Como também iremos descobrir certas facilidades que nem tínhamos ideia.
O principal aqui é ter conhecimento de tudo o que pode ocorrer com a ausência do cigarro para que você consiga enfrentar melhor e não ter surpresas desagradáveis, fazendo com que desista no meio do caminho. 

A sensação da falta do cigarro é muito ruim e difícil de distinguir se ela é uma causa da falta da nicotina no organismo ou da dor da decisão de ter parado.

As sensações são várias: depressão, calafrio, tensão, irritabilidade devido a algumas horas sem fumar. É uma espécie de crise de abstinência. Acredito que a proibição interna ou externa é um fator fundamental causador de tais sensações e o desespero desta falta é similar ao que os viciados de drogas mais pesadas sentem. A hora que bate o desespero parece que é algo que não irá passar mais, porém, se conseguir suportá-la por alguns minutos ela irá passar.

A pessoa fica numa instabilidade emocional, pois sente-se feliz pela vitória e triste pela saudade do cigarro. Passados os três primeiros dias sem fumar surge um sentimento de felicidade pelo início de uma conquista.

A vontade e o descontrole vão e vem, mas como resistimos das outras vezes sabemos que somos capazes de continuar resistindo e que este estado é temporário e logo passa. Toda a forma de dor passa no que se refere à dependência física ou psicológica. A dependência física que causa desespero não ocorre mais passados alguns dias ou semanas sem o cigarro.

O sentimento que fica é uma certa tristeza, pois parece que estamos perdendo algo de muito valor. Isto porque atribuímos muitos valores ao cigarro e quando o perdemos, parece que perdemos parte de nós mesmos.

Ele era a nossa a nossa vaidade e a sensação de sermos seres especiais, únicos e diferentes. Hoje em dia os valores mudaram, pois as pessoas estão buscando mais qualidade de vida e os fumantes de alguma forma estão sendo cada vez mais excluídos do convívio público e a pessoa que não fuma que é considerada especial e admirada.

Na maioria das pessoas a vitória traz uma sensação de bem estar que aos poucos suprime a depressão causada pela falta do cigarro. Em algumas delas a depressão predomina e nestes casos é necessário trabalhar em psicoterapia quais os motivos que fazem com que a pessoa ainda esteja tão dependente psicologicamente de um objeto em recusa à sua individualidade e independência.

Quando percebemos que a pessoa estava realmente pronta para parar de fumar?

A pessoa não tenta substituir o cigarro por um outro tipo de vício como o álcool, doces, alimentos ou outras drogas. É importante se policiar para não abrir porta para outro vício, até porque outro vício pode “chamar” a vontade de dar só uma tragadinha. Quem já foi viciado não deve ter acesso à droga, pois pode ter rápida recaída.

Nos primeiros meses de interrupção, o metabolismo do organismo é reduzido devido à falta da nicotina que é estimulante e por isso a pessoa pode engordar de 7-8 quilos. Desta forma é aconselhável fazer exercícios regularmente para evitar um possível ressentimento com o fato de engordar muito.

Para combater o vício precisamos entender o porquê buscamos na relação com os objetos atenuar sentimento de desamparo

Temos que trabalhar mais nossa individualidade de forma que não precisemos mais de atenuadores externos a nós mesmos alcançando uma autosuficiência.

É através da boca que buscamos o prazer e a satisfação desde a mais tenra infância e quando nos sentimos desamparados buscamos algo que levamos a boca para atenuar esse sentimento.
“Para Sigmund Freud (1856-1939), em 1905, a boca seria a via de comunicação com o mundo externo. A relação que a criança faz entre leite (seio) e amor é algo que orienta o rumo de uma boa alimentação e a transição do leite para o alimento sólido. Essa experiência transcende o vínculo primário com a mãe quando é então criado, a partir daí, um modelo de relações afetivas interpessoais posteriores, na sua vida adulta. Enquanto mama, o bebê não esta simplesmente se alimentando, mas, realizando uma das mais importantes experiências de sua vida. Se até aqui concordamos com essa direção do pensamento, podemos supor que a maneira como o bebê vive essa experiência e a possibilidade de simbolizar esta vivência como boa e prazerosa, servirá de base para toda a vida afetiva e diretamente influenciará na forma da alimentação adulta.”

Quando estamos dentro do ventre de nossa mãe mantemos uma relação satisfatória, pois estamos aconchegados e protegidos que chamamos de simbiose. Já quando nascemos entramos em um novo “mundo” nos sentimos de certa forma desamparados e tentamos chegar próximo da simbiose perdida através da amamentação no seio materno.

Parece que temos uma inquietação oral que existe antes do vício do cigarrro e temos que entender e separar esta inquietação do vício do cigarro. E talvez seja por existência desta inquietação que existam a chupeta e a gomas de mascar por exemplo.

Temos questões existenciais que não são curadas por nenhum tipo vício, seja ele qual for, pelo contrário, além de não nos ajudar a resolvê-las destroem a nossa saúde e nossa autoestima diminuindo ainda mais as nossas forças para compreender e resolver nossa problemática existencial.

A vaidade 

Outra questão que deve ser compreendida é um componente da nossa sexualidade que é a vaidade. Ela está diretamente ligada à construção da individualidade. Buscamos nos destacar dentro do grupo ao qual estamos inseridos e desta forma queremos ser especiais e diferentes para chamar a atenção. E as propagandas vendiam isto antigamente (hoje este cenário mudou um pouco): Quem fumava era mais “adulto”, sensual, mais erotizado. E qual jovem não gostaria de se sentir assim?

A vaidade contribuiu para nos viciarmos a favor do cigarro. Hoje para lutarmos contra o vício temos que fazer com que nossa vaidade mude de lado..Atualmente fumar é “fora de moda” , além de ser proibido em vários lugares públicos, ou seja, deixou de ser uma vaidade para ser quase vergonhoso, fato que pode ajudar os fumantes a combater o vício.

A vaidade sempre existirá, mas porque não usarmos ela em nosso benefício e dos que nos cercam? A vaidade está em não fumar. Somos mais fortes que o vício, não somos proibidos de frequentar lugares, ganhamos em saúde, enfim tudo conspira a favor do fim do cigarro.

Passam os anos e fica uma leve saudade do cigarro, afinal fez parte de nossa vida, nos aconchegou e amparou nos momentos difíceis e nos trazia uma “certa segurança” apesar dos seus malefícios.
O cigarro então entra em nossa vida pela via da vaidade e pelo desejo de independência. Fumamos quando nos sentimos desamparados e também quando queremos completar um total bem estar (oralidade).

O desamparo faz parte da vida do ser humano e sempre irá existir. Sempre em algum momento de nossas vidas iremos nos sentir desamparados em relação ao universo. Quando enfrentamos o desamparo de verdade, isto nos leva a pensar em questões muito profundas que não sabemos responder e fogem ao nosso modo lógico de pensar.

Temos uma inquietação oral que confundimos muitas vezes com o desejo pelo cigarro. Na verdade a inquietação oral existe independentemente do desejo pelo cigarro, pois ela irá sempre estar presente sinalizando um sentimento de desamparo que temos desde a infância e tentamos amenizar através da boca.

É um desamparo da condição de sermos humanos e que devemos atenuar procurando compreender mais intensamente tal condição numa reflexão religiosa ou em relacionamentos amorosos consistentes que possam atenuar. Em geral as pessoas que se afastam das drogas se aproximam da religião. As pessoas passam a ter que fazer uma reflexão mais séria da questão do desamparo a partir das concepções religiosas.

O que não podemos é usar qualquer tipo de vício para resolver o problema.

O mais difícil para o ser humano é aceitar a expressão “nunca mais”. Nunca mais fumar é bastante doloroso como tudo que cortamos definitivamente em nossas vidas. 

[...]



imagem: google


20.8.17

a primeira semana sem cigarro a gente nunca esquece

Fumei o último cigarro (assim espero!) antes de dormir.

Tomei um banho, passei um creme cheiroso, meditei, rezei e fui para a cama ciente de que estava dando um grande passo em minha vida e ciente, também, de que eu teria um dia demoníaco ao acordar naquele 31 de outubro -  seria literalmente um dia das bruxas para mim.

Resolvi deslocar minha compulsão para a arrumação do meu lar. Sabe aquele quartinho da bagunça que a gente sempre morre de preguiça de mexer? Então, resolvi encarar o meu. Acordei e caí dentro naquele mar de caixas e objetos inúteis empoeirados. 

É preciso que o fumante compreenda e aceite o fato de que é uma pessoa compulsiva e que a mente de uma pessoa compulsiva tende a buscar compensações quando algum ciclo é cortado - é por isso que atividades repetitivas (arrumar gavetas, rasgar papéis velhos, arrumar pastas no computador, separar roupas no guarda-roupa para doar, cozinhar, etc)  ajudam a frear determinadas compulsões.

Virar a dona faxina nos primeiros dias foi um santo remédio para mim. 

Como já falei por aqui, fiz um preparatório de 30 dias para deixar de fumar e agora compartilho como foi a primeira semana sem cigarro

PRIMEIRA SEMANA

- Ao acordar tomei em jejum um suco de limão, cenoura e agrião para ajudar a desintoxicar o organismo.

- Coloquei um selinho de 21mg de nicotina no braço e tomei as gotinhas homeopáticas – sobre o selinho vou falar mais demoradamente em outro post, mas é preciso ter cuidado ao administra-lo, jamais dar nenhum “traguinho” enquanto estiver com ele, ou mascar chicletes de nicotina junto, isso pode causar sérios problemas (eu mesma já fui parar no hospital por conta disso em outra ocasião em que tentei parar mas tive recaída).

- Botei uma boa playlist para tocar e comecei uma faxina generalizada pela casa junto a minha amada funcionária: arrumei gavetas de escritório, o guarda-roupas, a sapateira, as louças da cozinha, as maquiagens, os cosméticos do banheiro, o quartinho da bagunça. Tirei uns dez sacos de lixo (como a gente acumula tralha, não?) e uns oito sacos grandes para doação. A casa ficou brilhando, parecendo uma lojinha de departamento, com cada coisa em seu lugar, extremamente limpa e perfumada e eu fiquei exausta -  tão exausta que às dez horas da noite eu tomei um banho e capotei. 
Passei tanto tempo nesse processo de limpeza, nesse trabalho manual e repetitivo que, acredito, acabei saturando minha mente, pois (para o meu total espanto) nem me lembrei que o cigarro existia no primeiro dia sem ele.

- No dia seguinte repeti o processo: suco de limão, cenoura e agrião (tomei esse suco durante os 20 primeiros dias), selinho de 21mg de nicotina, gotinhas homeopáticas e arrumação: dessa vez peguei as estantes de livros (e não são poucos!). Limpei um por um e os organizei por sessões, em ordem alfabética. A noite meditei e fui para a academia, onde fiz Jump e Pilates (cada aula com uma hora de duração).

- No terceiro dia, com a casa toda em ordem, fui para a rua resolver pequenas pendências domésticas que sempre deixamos para depois: comprar toalhas novas, levar roupas para ajustar na costureira, pesquisar o preço de bons processadores para fazer suco, colocar finalmente a conta do gás em débito automático, comprar farinhas low carb (coco, amêndoas, linhaça, castanhas) para fazer receitinhas leves e saudáveis. Andei o dia todo de lá pra cá.

Foi uma semana de arrumação. Quanto mais eu arrumava meu mundo externo, mais me sentia organizada internamente (a Gestalt terapia explica bem esse processo).

Como havia deixado meu trabalho todo adiantado -  e trabalho em casa -  pude tirar uma semana de folga para cuidar exclusivamente de mim e respeitar meu tempo.  Volto a dizer: escolha uma data para parar de fumar em que possa tirar férias.

Acredito que estava tão eufórica por estar fazendo tantas coisas positivas por mim mesma -  parar de fumar, cuidar da alimentação, me exercitar com frequência, meditar, arrumar a casa com capricho, consertar coisas quebradas, resolver pendências -  que não senti a primeira semana passar.

Aquilo parecia um milagre, um sonho! Não tive um mísero ataque de nervos, de choro, de vontade de comer doce, de irritabilidade, de explosão de raiva, como aconteceu todas as outras vezes que tentei parar de fumar.

Na verdade não me dei tempo para sentir nada disso! Preenchi meus dias com tantas atividades -  e todas elas tão positivas – que ao final deles sentia-me apenas feliz, cansada e aliviada.

RESUMO DA PRIMEIRA SEMANA

Suco de limão, cenoura e agrião, homeopatia, meditação, arrumação sistemática e compulsiva da casa, adesivo de 21mg de nicotina e academia.

Já a segunda semana não foi tão boa assim. Mas isso é assunto para outro post.

monicamontone 

imagem: google 

19.8.17

parar de fumar requer planejamento

“Continue fazendo o que você sempre fez que você chegará onde você está”.

A frase acima parece estúpida, né? Redundante, óbvia. Todavia, o óbvio às vezes precisa ser lembrado, caso contrário ele pode ser esquecido ou se tornar invisível.

Repeti o mesmo padrão durante minhas seis tentativas anteriores de parar de fumar:

1) Parava de fumar de supetão;

2) Jogava todos os cigarros na privada de casa e jurava para mim mesma que nunca mais ia fumar;

3) Algumas vezes usei selinho de nicotina, outras não;

4) Somente um mês e meio depois de desespero, angustia, choro e insônia, buscava ajuda com minha médica homeopata;

5) Me matriculava numa academia somente depois de constatar que tinha engordado 2,5kg.

Repeti esse processo durante seis vezes. SEIS. Como não percebi que ele não estava funcionando se eu sempre fracassava e recaía? Se os métodos que eu estava usando eram eficazes, por que eu sempre retornava ao vício? Ora, simplesmente porque eles não eram eficazes! E, simplesmente, porque nunca admiti para mim mesma que uma das minhas maiores barreiras não era parar, mas permanecer sem fumar! E que o maior motivo da impermanência era, sim, o ganho de peso.

Só podemos lidar com nossos problemas, nossos medos, quando os reconhecemos, os admitimos, os encaramos e os enfrentamos.

Por esse motivo decidi fazer tudo diferente na sétima (e espero derradeira) tentativa.

O PLANO DE GUERRA

1) Fiz o que alguns especialistas recomendam de marcar uma data relativamente próxima.

2) Durante os 30 dias que antecederam a data escolhida mudei diariamente as marcas dos cigarros. Eu era viciada em Marlboro Ligth, mas passei um mês fumando uma marca diferente por dia para descondicionar meu organismo das substâncias do meu cigarro predileto – até Derby fumei;

3) Me matriculei numa academia e passei a fazer Jump e Pilates três vezes por semana -  fiquei extremamente assustada com minha falta de fôlego na primeira semana. Antes de me matricular na academia tinha o hábito de andar de bike e vez ou outra fazer yoga (nunca fui sedentária, mas também nunca fui fã de academia).

4) Reduzi drasticamente a ingestão de carboidratos e bebidas alcóolicas nesses 30 dias, adotando a dieta Low Carb (e mais tarde sofri algumas consequências negativas por isso, contarei mais adiante);

5) Procurei minha médica homeopata (sobre minha escolha pela homeopatia falarei em outra postagem) e comecei a tomar umas gotinhas homeopáticas  para regular a compulsão e o humor;

6) Emagreci 3kg antes deparar de fumar

7) Fiz diversas pesquisas sobre tabagismo, alimentação, alimentos termogênicos e afins;

8) Voltei a meditar 20 minutos por dia todos os dias;

9) Deixei a maioria dos meus trabalhos (textos e relatórios) adiantados, pois por experiência própria sabia que nas primeiras semanas sem cigarro a concentração fica péssima e qualquer pequeno estresse vira uma bomba atômica -  indico que a data estipulada seja num período de férias.


Faltando alguns dias para a data estipulada chegar eu já estava tão ansiosa para começar o processo, tão imersa e focada, que acabei antecipando “o grande dia”.

Se minhas novas estratégias me levarão ao sucesso, ainda é cedo para afirmar, afinal, estou sem fumar apenas há 100* dias e aprendi a não subestimar o vício (foram seis recaídas, oh lord!). Mas que elas tornaram o início do processo muito menos sofrido, posso garantir.

No próximo post vou contar como foi a minha primeira semana sem cigarro, emocionalmente falando e estrategicamente falando.

Quer parar de fumar mas tem medo de engordar? Vem comigo que eu te explico no caminho.

monicamontone

Nota: *escrevi o texto com pouco mais de três meses sem fumar, época em que comecei a escrever para o blog mas não tinha coragem de postar. Atualmente estou há 9 meses sem fumar. 



imagem: google 

parei de fumar e não engordei?

Quando será que eu vou entender de uma vez por todas que as siglas do meu nome não querem dizer Mulher Maravilha e sim Mônica Montone?

Tenho a estranha mania, desde criança, de achar que posso tudo - inclusive desafiar a ciência -  e quando a vida me prova o contrário capoto a cem quilômetros por hora. Sobrevivo, renasço das cinzas a cada acidente, mas confesso que depois de crescida não tenho visto muita graça nesses rodopios e que tenho me cobrado um cadinho mais de sensatez.

Minha última capotagem foi acreditar que seria possível parar de fumar e não engordar. Bastava ter disciplina, foco, fé, determinação e todas essas coisas que a gente lê por aí. Bastava fazer substituições inteligentes, beber muita água, comer cenoura em palitos na hora da compulsão etc e tal.

Consegui não engordar durante os quatro primeiros meses sem cigarro, mas nos outros cinco que seguiram (fase em que me encontro/ 9 meses sem cigarro) muita coisa mudou. Tive depressão, crises ansiosas, crises de pânico. Engordei 8kg - na verdade 5kg, pois emagreci 3kg antes de parar de fumar -  em cinco meses e passei a repensar minha relação com meu corpo, com a comida e com a fase saudável que estava querendo iniciar ao optar por deixar o cigarro depois de mais de 20 anos de fumaça.

Comecei a montar este blog no início da minha jornada, tomei nota de muitas sensações e crises que tive para compartilhar a experiência e só não publiquei antes porque tive receio de recaídas (já parei e voltei inúmeras vezes) e medo de não dar conta da proposta inicial: parar de fumar e não engordar.

Achei melhor esperar. E tanta coisa aconteceu de lá pra cá. Fiz tantas pesquisas sobre tabagismo e alimentação; passei por tantas aflições, tantas pequenas mortes e tanta superação. Aprendi tanta coisa, tanta, tanta, tanta, que senti uma baita vontade de partilhar esse conhecimento e de contar como foi o meu processo e senti, também, que 9 meses era uma data bonita para dar início a essa jornada: o tempo em que se forma uma vida.

Quer parar de fumar e está com medo de engordar? Vem comigo que eu te explico no caminho.

monicamontone



imagem: google 
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